quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Quando será o Brasil voltará a fabricar trilhos?



"Antonio Pastori, Presidente da AFPF

A CSN-Cia Siderúrgica Nacional, deixou de produzir trilhos em meados dos anos 1980 (a década perdida). Os investimentos em ferrovias foram paralisados pelo Governo federal que detinha o controle da malha ferroviária e da CSN. 

Com isso, a Indústria ferroviária nacional que produzia locomotivas, carros de passageiros, vagões e trilhos e materiais diversos, definhou....

Hoje, devido ao aquecimento do setor podemos afirmar -  grosso modo - , que a produção em TKUs dobrou nos últimos 15 anos, quando foi inciada a "privatização" da malha, penso que seria interessante para o Brasil voltar a produzir trilhos, ao invés de importá-los, lembrando que em sua maioria os trilhos são produzidos no exterior com o nosso minério de ferro! 

Contudo as Siderúrgicas (Gerdau e CSN) alegam que ainda não existe escala para tal. O governo não tem força para obrigá-las a produzir e o BNDES ainda não  entrou fundo nessa discussão.

 Pois bem, façamos uma conta de padaria:


  1. Arredondando os números para fins didáticos, o Brasil tem 30 mil km de ferrovias; 
  2. Como os trilhos são duplos, estamos falando então de  60 mil km de trilhos;
  3. Contudo, somente 1/3 está em efetiva operação pelas concessionárias, o que representa então, 20 mil km;
  4. Vamos supor que cada km de trilho pese 60 toneladas: então, a dimensão da malha ferroviária nacional, em termos de tonelagem de aço, é de 1,2 milhão de toneladas de trilhos de aço passíveis de susbstituição;
  5. Devido ao desgaste pelo uso, podemos estimar que cerca de 25% dessa massa de trilhos deve ser trocada a cada ano;
  6. Isso significa, então, que são necessários que sejam IMPORTADOS 300 mil t de trilhos/ano.
  7. Isso sem levar em conta as novas obras ferroviárias da Nova TransNordestina, Norte-Sul, Leste-Oeste, Metrôs, Trem suburbanos, VLTs, etc...
  8. O preço do TR-60 deve estar na casa dos US$ 2.500,00/t. Portanto, os trilhos importados vão demandar cerca de US$ 750 milhões/ano;
  9. O equivalente em minério de ferro exportado vai render aos cofres nacionais algo próximo a bagatela de US$ 30 milhões;
  10. Assim, podemos estimar que a demanda nacional firme para trilhos poderia ser bem maior que as 300 mil ton/ano, o que nos parece uma escala comercialmente interessante para começar a produção nacional , gerando empregos e  economizando divisas.
  11. Não precisa ser um gênio em economia para perceber que estamos levando prejuízo: Exportamos a "terra" por US$ 100,00/t, e importamos essa mesma "terra"(agora beneficiada sob a forma de trilhos) por US$ 2.500/t.   
Felizmente, estamos retornando a fabricação de vagões e voltando a produzir locomotivas. Mas a não produção de trilhos ainda é um mistério....

Essa levantada de bola foi para a ABIFER, CSN, Gerdau, BNDES e outros."

Recentementge a s negociações para a compra de trilhos para a ferrovia Norte-Sul foram suspensas devido a supostas irreguilaridades e sobre preço nos trilhos. No entanto após a revisão do edital publicado pela Valec a exigência de que os trilhos das novas ferrovias fossem fabricados no Brasil sumiu, realmente a não é por falta de vontade do governo que não há fabricação de trilhos no Brasil, o lobby internacional para que o Brasil não fabrique trilhos ou perfis pesados realmente é um mistério.