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domingo, 15 de setembro de 2024

Ferrovia do Aço - Uma Realidade (1981)

Realidade bem complicada, ..., do vídeo até a inauguração da Ferrovia do Aço foram quase 10 anos... e no fim o custo dessa obra, que nunca terminou, quebrou a RFFSA.

Mais sobre a Ferrovia do aço pode ser visto aqui: A Eletrificação da Ferrovia do Aço (tsfr.org)



segunda-feira, 28 de junho de 2021

Dica de canal no Youtube MRS logística

MRS Logística S/A (B3MRSA3B, MRSA5B, MRSA6B) é uma empresa brasileira de logística e transporte ferroviário. É a atual concessionária que opera a chamada Malha Regional Sudeste da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que era composta pelas Superintendências Regionais SR3 - Juiz de Fora e SR4 - São Paulo.

O canal no youtube tem vários vídeos curtos sobre o dia a dia da operação e manutenção da ferrovia

 https://www.youtube.com/channel/UCua0We7aHykj21mE2Ghq_Qg

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Conheça o Cemitério De Trens Em Sete Lagoas MG Com Diversas Locomotivas ...

 

 
Com tanto vagão de serviço encostado, a manutenção trabalhando com alojamento improvisado...

    Normalmente falo aqui de preservação,  engenharia ... mas cada vez mais me convenço que o problema é RH...


terça-feira, 4 de maio de 2021

O trem xangai


Trem Urbano de Juiz de Fora

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Trem Urbano de Juiz de Fora
1994-12-Trem-Xangai-estacao-ferroviaria-Benfica-rumo-Matias-Barbosa (1).jpg
Trem Urbano de Juiz de Fora estacionado na estação de Benfica, 1994.
Estação Mariano Procópio - Juiz de Fora, Minas Gerais.JPG
Estação Mariano Procópio, uma das estações do Trem Urbano.
Informações
LocalMatias BarbosaBenfica (Juiz de Fora) MG
 Brasil
Tipo de transporteTrem Urbano
Número de linhas1
Número de estações13 (8 estações e 5 paradas)
TráfegoN/D
Funcionamento
Início de funcionamento1923 (98 anos)
Fim de funcionamento31 de dezembro de 1997 (23 anos)
Operadora(s)
Dados técnicos
Extensão do sistema36,0 km (22,4 mi)

Trem Urbano de Juiz de Fora, mais conhecido como Trem Xangai foi administrado em seus últimos anos pela RFFSA, atendia os municípios de Juiz de Fora e Matias Barbosa, possuía 7 estações e 5 paradas, contava com cerca de 36,5 km de extensão e chegou a transportar cerca de 1.400 usuários/dia.[1][2]

História

O trem urbano foi criado para atender Juiz de Fora como trem de subúrbios pela Estrada de Ferro Central do Brasil em 1923[3], através do desmembramento dos serviços suburbanos dos de longo percurso na região.[1]

Foi o um dos únicos sistemas de trens urbanos da época que não passou para a administração da CBTU, que apesar da considerável demanda, seu sistema era deficitário . Nos anos 1990 a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) realizou investimentos no trem visando atender a demanda futura de passageiros e cargas da fábrica da Mercedes Benz que encontrava-se em implantação em Juiz de Fora. O Trem Urbano (chamado de "Xangai" pela população) foi reinaugurado pelo presidente Itamar Franco em dezembro de 1994. Além do trem urbano, foi recriado o serviço Expresso da Mantiqueira (realizados por automotrizes Budd).[2] Com o processo de privatização da malha da RFFSA ocorreram as primeiras ameaçadas de desativação do trem.[4] Em setembro 1996 o Tribunal de Contas da União recomendou ao governo federal que mantivesse a operação do trem urbano de Juiz de Fora:

"......apesar de ser deficitário, exerce importância para várias classes da sociedade, pois atende aos moradores ao longo da via que vão para as cidades, aos alunos do Colégio Militar de Juiz de Fora e tem compromisso com a fábrica da Mercedes-Benz, a ser implantada no local, para transportar seus funcionários até o Distrito Industrial. Também está contemplado no Plano de Transportes Urbanos de Juiz de Fora, que utilizará a mesma via para futura instalação do metrô de superfície da cidade.Por essas considerações, o trem Xangai deve ser mantido em circulação, operado pela RFFSA ou por terceiros (convênio com a Prefeitura ou com o Estado), conforme consta do Edital, pois sua retirada de circulação causará impacto social negativo..."
— Trecho da Decisão 559/1996, do ministro do TCU Fernando Gonçalves, parte do Processo 022.881/1992-1 do Tribunal de Contas da União[5]

Atrasos na implantação fábrica da Mercedes e a concessão da malha da RFFSA na região para a MRS Logística fizeram com que o trem fosse desativado, contrariando o TCU e sob protestos da população, em 31 de dezembro de 1997.[3]


Vá você cidadão desobedecer o TCU para ver se não amanhece vendo o sol nascer quadrado... Mas para quem é amigo do rei...

Impressionante como agora, durante o processo de renovação das concessões, a ANTT que é o órgão público responsável por resguardar os interesses da população, não tem a menor iniciativa de corrigir os  erros cometidos durante a desestatização nos anos 90.

domingo, 2 de outubro de 2016

FERROVIAS POSSÍVEIS COMPARANDO OS PLANOS DE 1989 COM 2016


Esta semana, publiquei a matéria da Revista Ferroviária sobre o "surto" ferroviário do governo Sarney, onde se saiu planejando (nem tanto), construindo e prometendo ferrovias aos milhares de km. Trinta anos depois a maior parte ficou no papel. Pois bem, este mês a RF publicou a matéria de capa " Escolhas Possíveis" sobre as iniciativas de obras de ferrovias do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.
O programa visa licitar, separadamente, obras com maior chance de serem concluídas ao invés de apostar nas mega-obras do governo anterior. Embora seja uma bem vinda iniciativa para destravar as obras ferroviárias o programa já nasce torto, talvez por  faltar na ANTT o corpo técnico da RFFSA e do GEIPOT, que foram dissolvidos na década de 90.
O governo anuncia que tem como intenção atrelar a concessão de alguns trechos em investimentos em outros, por exemplo a operção da FNS entre Palmas e Anápolis seria entregue junto com a construção do trecho entre Anápolis e Estrela do Oeste, porém o plano apresentado até agora não reflete essa intenção.
Faltam diversos trechos tais como os prolongamentos da Ferronorte e Transnordestina, pendentes desde 1989, e até mesmo uma definição clara do que fazer com obras como a FIOL e os trechos devolvidos pelas atuais concessionárias.




É impressionante a falta de sintonia entre a ANTT e o sistema ferrovário nacional. A Ferrogrão, por exemplo vai de lucas do rio verde ao Pará, trecho que faz parte do projeto original da Ferronorte, que muito antes da Transcontinetal da Dilma (EF354) já previa a ligação do Sudeste com Rondônia. A proposta atual além de criar uma ferrovia isolada desagrada a Rumo logística pois "rouba" carga que essa transportadora capta em Mato Grosso para Santos. Por que não estendem a concessão da Ferrogrão até Cuiabá ou Rondonópolis? Desse jeito mesmo que a Rumo não operasse a linha ela não faria lobby contra, pois poderia mandar ou receber trens tanto em direção a Santos quanto em direção ao Pará.
Outra anomalia é a relação entre o esqueleto da FIOL e a malha baiana da VLI, cogitou-se fazer uma concessão combinada da FIOL junto com o futuro porto de Ilhéus, o que na minha opinião seria um erro  daqueles... Não bastasse a FIOL depender de um porto que não se sabe se será contruído, o plano não prevê nenhuma atitude para integrar a FIOL e a linha da VLI que saí de Corinto-MG em direção a Salvador-BA e Juazeiro-BA. Se o plano do governo é casar concessões de operação com obras, porque não une a obra da FIOL com este trecho da VLI que está para ser devolvido ao governo? Quem sabe talvez poderia-se até mesmo incluir no pacote a ligação entre Iaçu-Juazeiro-Salgueiro, que faz parte do projeto original da Transnordestina, já que a TNLSA para não dar conta de concluir as obras da ferrovia Transnordestina e que se questiona até mesmo se deveria manter a atual concessão que mantém na malha nordeste.
Não é só na área ferroviária que aparecem as canelasdas, o governo quer concessionar um ramal com cerca de 500 km entre Campinorte-GO e Água Boa-MT, para captar soja para a FNS. Que bom, só que cerca de 80 km ao sul em paralelo ao panejado ramal, há o trecho entre Itaberaí- Jaraguá-Cocalzinho da BR-070, que está quase pronto aguardando obras de acabamento, e que poderia perfeitamente transladar a soja captada pelas carretas em Mato grosso e Goiás para a FNS em Jaraguá, ou para a VLI em Brasília.
Para finalizar temos a obra da EF118, Rio-Vitória, ao lado da rota da bauxita da VLI, que teve o trafégo suspenso este ano, as obras de alargamento da rota da bauxita, permitiriam quase que de imediato a ligação da malha da MRS com o porto do Açu e dariam as linhas do sudeste mais opção para a descida da sera do mar, evitando trechos já saturados e ajudando a captar carga para a EF118. Porque não unir a construção da EF118 com a rota da bauxita, que está sendo devolvida pela VLI?


















segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ministro dos Transportes se reúne com ONG Amigos do Trem e Movimento Além nos Trilhos


O Ministro dos Transportes Antônio Carlos Rodrigues, se reuniu nesta terça feira dia 02/02/2016, com a ANTT, Sr.Cássio Ramos da Inventariança da RFFSA e ONG Amigos do Trem Paulo Henrique do Nascimento e o Movimento Além nos Trilhos, Alexandre Lopes Barbosa, Pablo Costa Borges , José Luiz Vidal e a Deputada Federal Margarida Salomão com a finalidade de viabilizar o projeto do tem de turismo Trem da Terra Rio Minas, que ligará as cidades de Cataguases, Leopoldina, Recreio, Volta Grande, Além Paraíba, Chiador (*), Sapucaia e Três Rios.



Na reunião o Ministro dos Transportes destacou a importância da implantação do trem de passageiros turístico na região da Zona da Mata é Sul Fluminense, porque irá contribuir com o zelo dos bens públicos e o desenvolvimento do turismo com geração de empregos e renda.

A Deputada Margarida Salomão, reafirmou seu compromisso com o projeto e sua importância para as comunidades por onde ele vai trafegar, também destacou que são projetos de interesse público e de cunho social como este, que podem contribuir no desenvolvimento das cidades e da população.

O projeto é uma Parceria do Ministério dos Transportes, DNIT, Inventariança da RFFSA, ONG Amigos do Trem, com apoio das prefeituras do trecho e Movimento Além nos Trilhos.


NOTA: Em Chiador está a primeira estação ferroviária de Minas Gerais(EFCB). O saudoso Prof. Victor J. Ferreira muito se empenhou para que FURNAS Centrais Elétricas restaurasse esta pioneira Estação, a título de compensação ambiental pela construção da Pequena Central Hidroelétrica de Simplício, no Rio Paraíba do Sul. Orientou a Prefeitura de Chiador a brigar pelo restauro da estação e entrar com ação no Ministério Público, escrever carta para FURNAS, autoridades, Deputados, etc...

Finalmente, cinco ou seis anos depois, em agosto de 2015 o Ministério Público de MG bateu o martelo e FURNAS vai restaurar a estação, que vai servir de ponto de parada do Trem de Turismo Rio Minas.


A nota triste disso tudo é que depois de tantas lutas, nem Victor e nem o pref. de Chiador(*) vão estar conosco fisicamente para presenciar esses dois fatos: a volta do trem a Chiador e o restauro desta estação


(*) o prefeito Moíses S. Gumiere, foi assassinado no dia 09/02. Os autores já estão presos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Além Paraíba além da razão




E assim mesmo além Paraíba vai perdendo o trem...

http://lauaxiliar.blogspot.com.br/2015/12/justica-da-30-dias-para-abpf-retirar.html

Justiça dá 30 dias para ABPF retirar Locomotiva 51 do imóvel pertencente à Igreja Católica

Soninha Carvalho/Jornal Agora http://www.agorajornais.com.br/site/component/k2/item/578.html

Em resposta à ação civil pública n° 0015.15.000942-9 proposta pela Diocese de Leopoldina- Paróquia de São José contra a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária , o Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Além Paraíba, Dr. Claudio Henrique Fuks, concedeu, no último dia 11 de novembro, decisão Liminar que determina que a ABPF promova a limpeza total das antigas oficinas da Rede Ferroviária Federal, retirando daquele imóvel todos os seus vagões, incluindo, também, a “Locomotiva 51”— que há quase três décadas vem sendo reformada por um grupo de voluntários amantes da causa ferroviária. A decisão judicial é datada de 11 de novembro e pode ser encontrada, na íntegra, no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (Processo 0048377-95.2015.8.13.0015).
A Igreja Católica- Paróquia de São José, alegou que sempre exerceu “a posse mansa e pacífica do imóvel”, desde 25 de agosto de 1818— há quase dois séculos— e que naquela ocasião “cedeu a área para a Leopoldina Railway Company Limited”, e, em seguida, à Rede Ferroviária Federal, sendo que esta, “por falta de pagamento do aforamento devido” teve o contrato extinto. Argumenta a Paróquia que a ABPF deixou “vários bens móveis no interior do imóvel, inclusive vagões de trem”, já tendo sido notificada extrajudicialmente. Sete vagões de trem estão na área denominada “Rotunda”, tombada por Lei Municipal. A Igreja usou como argumento a sua própria notificação anterior pela Justiça, em Liminar que lhe determina remover as composições que se encontram abandonadas no pátio das antigas oficinas da RFFSA, sendo que, para sua defesa, a Paróquia disse que “não autorizou” a manutenção de vagões em seu imóvel.
A decisão judicial, publicada no final de novembro, foi favorável à Igreja. Como a ABPF sessão Porto Novo já havia informado à Justiça que os vagões pertencem a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária com sede em Campinas (SP)— que detém um contrato com a União para a utilização do material rodante da extinta RFFSA para fins culturais, educacionais e turísticos— e, por entender que tal material, da forma como se encontra, deteriora ainda mais o patrimônio histórico tombado, o Juiz determinou que a Associação terá que retirar todos os seus pertences do imóvel da Paróquia de São José, incluindo a velha Locomotiva 51, “no prazo de 30 dias, sob pena de multa diária de R$ 100,00, limitada a R$ 10.000,00”.


 Prezados, segue acima a terrível e anacrônica notícia sobre o despejo da ABPF em Além paraíba.
As prefeituras em geral se manifestam favoráveis a implantação de trens de passageiros ou turísticos. Recentemente várias prefeituras se manifestaram a favor do "trem da terra"  entre as cidades de Cataguases, Recreio, Leopoldina, Volta Grande, Além Paraíba e Chiador, em Minas, e de Sapucaia e Três Rios, no Rio, na recém desativada rota da bauxita da FCA. Se as prefeituras realmente desejam apoiar o projeto do trem na região é hora de avançar do discurso de apoio para a ação, por exemplo providenciando um local de destino adequado para esse valioso material rodante. O mesmo vale para as prefeituras do sul fluminense que declaram eterno apoio ao trem barrinha mas não cuidam das estações dentro de seus municípios.

A Rotunda está em ruínas (mas ainda mantém as paredes originais e cerca de 50% da cobertura - telhas francesas, de Marseille, e parte do madeiramento em pinho-de-Riga). O Escritório ainda está, relativamente, em estado razoável, que permite recuperação/restauração, sem grandes custos e problemas para obras desse porte e importância; bem como alguns dos galpões que ainda restaram das antigas Oficinas - os demais, da área de entorno da Rotunda e Escritório, já foram vendidos, alugados, demolidos e/ou alterados. As construções datam de cerca de 1880.
O "projeto arquitetônico", que foi apresentado até agora (veja o link), é, na minha opinião, grotesco e mal elaborado - entre outras bobagens, prevê a demolição do prédio do "Escritório" e transforma o interior da "Rotunda", em estacionamento. Acho isso tudo, no mínimo, uma leviandade.

LINK da matéria que contém o Projeto: http://chrisgar.com.br/maisalem/audiencia-publica-bahamas/

E-mails da Câmara Municipal de Além Paraíba:

Presidência - presidencia@alemparaiba.cam.mg.gov.br

Secretaria - secretaria@alemparaiba.cam.mg.gov.br
Presidente (Vereador Zico) - vereadorzico@alemparaiba.cam.mg.gov.br

PATRIMÔNIO QUE MERECE RESPEITO - OPÇÃO DE FUTURO.



PATRIMÔNIO QUE MERECE RESPEITO - OPÇÃO DE FUTURO.
©Plinio F. Alvim (*) - Junho 2011.
Artigo publicado no site do Jornal Leopoldinense, no Blog Ferreosfera e outros; além de citado em dissertação de mestrado por aluna da UFF.

As Oficinas Ferroviárias de Além Paraíba-MG foram construídas por volta de 1880 para integrar a Cia. Estrada de Ferro Leopoldina - a primeira ferrovia criada em Minas, em 1871, inaugurada em 8 de outubro de 1874, por D. Pedro II; e também para servir à Estrada de Ferro D. Pedro II - depois, Central do Brasil – que também atendia ao município e à região. Desde então, durante esta sua longa trajetória, incluindo os períodos em que a Leopoldina esteve subordinada ao capital inglês (Leopoldina Railway) e vinculada à extinta Rede Ferroviária Federal, as Oficinas ficaram mais conhecidas como Oficinas Ferroviárias de Porto Novo.
Os milhares de funcionários que nelas trabalharam, no decurso de tantas décadas, são parte inseparável da identidade e da memória afetiva, social, política, cultural e econômica municipal. Eles e as Oficinas inspiram de estudos acadêmicos a obras artísticas. Muitos desses ferroviários galgaram posições diretivas de destaque em várias organizações e merecem ser lembrados também por seus outros talentos, como os escritores Victor José Ferreira e Ubyrajara de Souza, ambos integrantes e fundadores de instituições como o Movimento de Preservação Ferroviária e a Academia Ferroviária de Letras; e também o escultor José Heitor da Silva (um dos primeiros artistas que tiveram suas obras integradas ao acervo do Museu de Arte Negra, criado pelo ex-Senador Abdias Nascimento, de quem se tornou amigo), o desenhista e carnavalesco Rolando Amaral, os criadores do antigo ‘Minas Club’, o ex-deputado federal pelo PTB, Ezequiel Mendes e o escritor memorialista e ex-deputado estadual mineiro Joaquim Moreira Júnior, também do PTB; entre dezenas de outros. Inúmeros ferroviários aqui lotados foram vítimas de perseguições políticas ou administrativas, por participarem de associações e movimentos contrários aos modelos de gestão ou de governo praticados durante os vários regimes, democráticos ou de exceção, por que passou o país.
As Oficinas ocupavam, a princípio, uma extensa área e seus dois galpões mais antigos - que já tiveram cerca de cem metros de comprimento – foram erguidos sobre o aterro de um trecho da margem esquerda do Rio Paraíba do Sul. Construído inicialmente para se evitar a obstrução da ‘estrada’ que ligava os bairros de Porto Novo e São José, o aterro foi ampliado, mais tarde, para abrigar outras instalações. As Oficinas já tiveram suas imagens registradas, em fins do séc. XIX, pelo consagrado fotógrafo Marc Ferrez.
A Rotunda das Oficinas de Porto Novo/Além Paraíba é um edifício de forma circular, com área construída de cinco mil metros quadrados, também erguida por volta de 1880, que, junto às demais seções (calderaria, fundição, serralheria, carpintaria, almoxarifado, mecânica, pintura, elétrica, desenho, escritório, etc.), compunha o conjunto das Oficinas da Leopoldina. A Rotunda, com seus trinta boxes, tem capacidade para alojar, simultaneamente, igual número de locomotivas ou outros equipamentos rodantes, como carros-de-passageiros, vagões, autos-de-linha, etc. Nossa Rotunda é das maiores e das mais antigas entre as poucas ainda existentes no Brasil. Segundo o site da Internet ‘Estações Ferroviárias do Brasil’ só existem, atualmente, 5(cinco) Rotundas Ferroviárias construídas em 360 graus, em nosso país. Em Minas Gerais só existem três: Além Paraíba/Porto Novo, São João Del Rei e Ribeirão Vermelho; as outras duas são a de Barra do Piraí e Três Rios, ambas no estado do Rio de Janeiro. A de Porto Novo é a mais antiga.
Ao lado da Rotunda existe o prédio original, datado da mesma época, onde funcionou o Escritório Central da E. F. Leopoldina, que teve o teto de uma das salas restaurado, em 2006, pelo artista plástico Guilherme Diniz - por iniciativa do Engº. e também Acadêmico da AFL Rogério Lobo de Oliveira, então Diretor da Eletromecânica GITAL, empresa especializada em montagem e reforma de equipamentos ferroviários pesados, então locatária dos imóveis, desde a privatização das ferrovias vinculadas à Rede Ferroviária Federal S.A.
Nesse ano de 2006, em razão do imobilismo das autoridades e dos Conselhos municipais ligados à matéria - mesmo estando resguardada por tombamento através da Lei Municipal nº. 1829, de 14 de abril de 1998; e não obstante a explícita e bem fundamentada discordância deste pesquisador, através de ofício encaminhado à Câmara Municipal de Além Paraíba - em face da impossibilidade de sua presença em Reunião Oficial, convidado pela vereadora Simone Rezende - e em matéria e debate veiculados no ‘Jornal Agora’ e no Programa ‘Opinião’ da Rádio 102,7-FM, além da manifestação, também contrária, de outras pessoas e entidades preservacionistas e da veiculação de outros artigos na imprensa local, uma grande parte dos prédios das Oficinas foi absurdamente demolida, embora ainda estivesse em bom estado de conservação. O material resultante da demolição (muitos m3 do madeiramento em ‘Pinho de Riga’ e dezenas de milhares de ‘Telhas Francesas Legítimas’, fabricadas em Marseille, bem valorizadas no mercado de antiguidades; além de potentes máquinas e equipamentos das Oficinas) teria sido utilizado nas obras de construção de uma luxuosa casa, em um sítio particular.
Pouco tempo depois, já bastante fragilizada, uma parte da própria Rotunda desabou - e o restante encontra-se em precárias condições de conservação. Mas resiste, milagrosamente, de pé; talvez, por interseção de São José, o Operário, Padroeiro da Cidade e das Oficinas, Orago da Matriz - cuja imagem teria sido encontrada, em princípios do século XIX, nas águas da barra, hoje aterrada, que o Rio Limoeiro fazia com o Rio Paraíba do Sul, bem ali, onde foram construídas as Oficinas. Ironicamente, até a centenária madeira do telhado de sua Matriz vem sendo substituída por estrutura metálica - o que nos permite inferir que possa ter destino similar ao da madeira das Oficinas demolidas. O ‘Santo Carpinteiro’ deve estar muito entristecido... 
Vale ressaltar que quase todas as leis relativas ao tombamento do patrimônio histórico e cultural municipal de Além Paraíba foram redigidas de maneira dúbia - não se sabe por qual razão -, gerando muita confusão quanto à identificação dos bens que, de fato, deveriam ser por elas protegidos; o que, lamentavelmente, propicia a ocorrência de interpretações equivocadas que vulnerabilizam ainda mais os conjuntos, os entornos e outros inúmeros elementos que os compõem e que também deveriam ser resguardados; deixando-os até expostos ao risco de negociações e, ou, de ações inescrupulosas. Agora, fala-se, também, na cidade, na utilização de outros galpões e instalações das antigas Oficinas para fins comerciais – o que, muito provavelmente, redundará em mais um capítulo da inconseqüente desmaterialização do “Complexo Ferroviário Histórico de Além Paraíba”, implicando ou agravando a perda da identidade cultural da cidade e do seu povo.
OPÇÃO DE FUTURO - Antes de tudo, porém, é preciso entender que, quando se fala em Preservação - ferroviária, histórica, cultural e ambiental - e em implementação do Turismo em Além Paraíba, não se trata de idealismo utópico e infundado. Tanto uma quanto outro são, plenamente, factíveis no município e na região, dadas as nossas invejáveis especificidades - localização, patrimônio existente, legado natural, tradição, mão-de-obra especializada, etc. Estas características favoráveis devem ser avaliadas, particularmente, sob um prisma social e econômico, visto que potencializam a geração de emprego e renda para a população local; podendo gerar uma sensível melhoria do IDH - Índice de Desenvolvimento Humano - municipal. O diagnóstico elaborado por consultoria contratada para a execução da ‘Revisão do Plano Diretor Municipal’, em 2011, aponta nessa direção, a exemplo do que já fora detectado entre 1999/2000 por levantamento pormenorizado feito pelo SEBRAE-MG. Será que poderíamos, neste caso, aplicar o velho adágio popular: ‘O pior cego é aquele que não quer enxergar’?
Também é bom que se diga que, apesar da inconsistência de alguns comentários - por ignorância e desinformação, frutos de avaliações simplistas e, até mesmo, de observações ingênuas ou de interesses dissimulados -, quando se fala em preservação do patrimônio cultural histórico ferroviário de Além Paraíba, não devemos pensar tão somente no aspecto do bucolismo da “Maria Fumaça” e das antigas Estações e demais instalações ferroviárias – que eu não cheguei a conhecer em sua plenitude, visto que não nasci e nem morava aqui, mas que procurei estudar e aprendi a admirar e respeitar, mesmo não sendo alemparaibano e nem tendo nenhum tipo de vínculo profissional, pessoal ou familiar com a ferrovia. Não se trata, portanto, de saudosismo melancólico, piegas, extemporâneo.
É óbvio que os preservacionistas são favoráveis à idéia de se dar uma destinação prática e racional aos bens ferroviários históricos, adequada à realidade, com uma efetiva utilização cultural, lúdica, histórica, social, econômica, etc; sem, contudo, destruí-los, descaracterizá-los, inviabilizando o seu uso. Basta que se vejam os projetos já implantados e os que estão sendo desenvolvidos pelas entidades preservacionistas ferroviárias, Brasil a fora, em parceria com entidades públicas e privadas. Além Paraíba tem - e de sobra - todas as condições para a implantação de projetos análogos.
O que também surpreende é a falta de visão no que respeita ao não aproveitamento do que chamo de “Planta Industrial Ferroviária de Além Paraíba”. É pertinente salientar que a redução da área outrora ocupada pelas Oficinas também compromete o futuro do desenvolvimento econômico municipal, pois prejudica a irrefreável implantação do Turismo Regional que, como é do conhecimento das lideranças empresariais, culturais e políticas locais, já se encontra em pleno andamento - cujas bases foram lançadas no ano de 2000 pelo Governo municipal e pelo SEBRAE e Governo mineiros - e que tem na ferrovia e nos equipamentos históricos ferroviários um de seus principais atrativos, cujo potencial, se bem administrado, trará enormes benefícios para o município e para a região, em particular no que tange à geração de emprego e renda. A propósito, é bom lembrar que, nestas instalações, construídas há 130 anos, em que funcionaram as Oficinas da Estrada de Ferro Leopoldina (ou da Rede Ferroviária, como ficaram mais recentemente conhecidas) foram restaurados e readaptados, por técnicos de nossa cidade, os dezoito vagões temáticos e carros de passageiros que compõem o Trem Turístico de Ouro Preto à Mariana, inaugurado em maio de 2006, pelos então Presidente Lula e Governador Aécio Neves.
Além disso, cabe relembrar que a economia nacional clama por investimentos em infra-estrutura. São, portanto, recorrentes os projetos que visem à ampliação das ferrovias para melhorar a eficiência e minorar o custo do transporte de passageiros e de cargas; o que, num futuro próximo, também repercutirá a favor da diminuição das emissões de gases poluentes - tanto na utilização/adaptação de locomotivas movidas a fontes de energia não poluidoras, quanto na redução do número de caminhões, ônibus e automóveis circulando - mudando, pois, o arcaico e ineficiente exclusivismo do modal rodoviário brasileiro. É evidente que tais ações ajudarão a reduzir os riscos do inexorável Aquecimento Global. Embora nosso município tenha potencial que lhe garantiria lugar destacado em todo este processo de mudança, constata-se que, reduzido aquele espaço, a economia municipal fica limitada em sua capacidade de desenvolvimento, visto que a ‘Planta Industrial Ferroviária” não poderá mais ser ampliada, naquele local, ao contrário do que vem ocorrendo em Três Rios-RJ.



(*)Plínio Fajardo Alvim – Administrador diplomado pela UFRJ. Pós-graduado. Ferroviarista. Pesquisador de História e Cultura da Zona da Mata Mineira. Ambientalista. Membro da AFL-Academia Ferroviária de Letras, do MPF-Movimento de Preservação Ferroviária, do GBV-Grupo Brasil Verde e do Instituto CulturaR.