segunda-feira, 29 de outubro de 2012

JORNAL AENFER N° 121


Adaptado da edição do jornal da AENFER de Março/2008, Editora Executiva: Silmara Reis

Onde está o planejamento?
Sempre que alguém assume um posto na escala hierárquica de uma empresa, seus primeiros movimentos são para inteirar-se da situação de sua área : quais os seus objetivos, quais os recursos materiais e humanos de que dispõe, quais os processos que utiliza e quais os resultados que vem obtendo. A seguir, procura-se saber, no contexto da missão da empresa, se esses resultados atendem ou não. Mesmo atendendo, o objetivo do administrador é sempre dar um passo a mais, melhorar sempre. Para isso, a empresa como um todo, deverá ter seu plano estratégico definido, bem como os planos táticos e operacionais. Obviamente, esses planos deverão ser periodicamente revistos de maneira que a empresa esteja sempre adequada ao seu ambiente exterior. Guardadas as devidas proporções, é assim que deveria funcionar um país. Para isso existem ministérios com atribuições específicas (postos hierárquicos) que deveriam ter planos táticos e operacionais definidos para que o objetivo definido no Plano Estratégico de Governo fosse alcançado. A fala do presidente da República na última reunião ministerial foi bastante significativa. Ao expressar que após aquela reunião os ministros poderiam ficar sem se encontrar durante vários meses, passou a idéia de que cada um vai para o seu "canto" cuidar dos problemas de sua área sem que periodicamente seja feita uma revisão do conjunto para correção ou adequação do rumo. Essa idéia reforçada pelo lançamento de planos periodicamente, como, por exemplo, o Fome Zero e o PAC. Como fazer chegar o alimento produzido numa região em outra na qual ele é carente , se as rodovias estão esburaca das e as ferrovias e hidrovias abandonadas? Ou seja, não existe Plano Estratégico, nem Tático, nem Operacional. O que existe é um permanente apagar de incêndios, em que o ministro com maior cacife político no momento consegue mais recursos para a sua área. O que se vê, e isso não é de agora, não surgiu neste governo, é um país capenga, com áreas bem estruturadas e outras lutando para se manter. Dessa forma, como disse o poeta, continuaremos a caminhar "com passos de formiga e sem vontade", O político tem um papel nobre na sociedade que certamente não é o de administrar. Vamos colocar as pessoas certas nos lugares certos, nos lugares para os quais elas estão preparadas. Essa providencia já será um bom começo.


AENFER vê luz ao final do túnel - CENTRAL X Central

Neste ano em que comemoramos os duzentos anos da instauração do Reino de Portugal na colônia brasileira, ato único no mundo, nós, brasileiros ferroviários, estamos felizes com a dupla festividade. Em marco também estaremos comemorando um dos grandes frutos evolutivos gerados com a vinda da família Real para o nosso território, os Cento e Cinqüenta Anos da criação da nossa querida Estrada de Ferro Central do Brasil - CENTRAL.
A CENTRAL, que existiu até o meado do século passado, contribuiu com sua malha de linhas férreas para o desenvolvimento econômico do Brasil Colônia e da República, junto com as demais ferrovias e transportes sobre trilhos existentes em todo território brasileiro.

Queimados, ponto final da primeira etapa da CENTRAL (na época EF Pedro II) -Arquivo pessoal via prefeitura municipal de Queimados.

O Brasil neste período, dentro das suas condições, sempre trilhou em paralelo com o progresso e o desenvolvimento mundial.
O orgulho de ser ferroviário quase se confundia com o orgulho de ser brasileiro, pois, na maioria das famílias, existia pelo menos um empregado da ferrovia. O som dos trens sempre afetava emocionalmente os nervos, o coração e a vida de todos os que viviam as margens da ferrovia.
A cultura do trem persiste até hoje nas músicas, nas praças públicas das cidades, nos trilhos, pátios e estações, nas áreas e trechos abandonados deste nosso país, estando presente também nos enredos e sambas dos Blocos Carnavalescos, nos brinquedos e na linguagem popular, graças a CENTRAL e a malha de trilhos distribuídos em todo o solo brasileiro, desenhando o caminho do progresso.
Em 30 de setembro de 1957, sucedendo a CENTRAL, foi criada a Rede Ferroviária Federal Socledade Anônima -RFFSA, que agrupou quase todas as ferrovias existentes no Brasil, transportando todos os tipos de cargas e passageiros em suas linhas, criando um novo desafio para todos os empregados ferrovlárlos, diante de todo o seu acervo patrimonial, técnico e cultural, a ser administrado. A logomarca da RFFSA passou a fazer parte da identidade de seus empregados perante o povo brasileiro, senda um orgulho para todo o país.
A filosofia de criação da RFFSA foi semelhante ao modelo gerencial adotado pelos países desenvolvidos, sendo aplicado até hoje, baseando-se no bom senso da fórmula de construir sem destruir o existente, fazendo a manutenção e modernização da malha ferroviária e implantando novas rotas.
Com o passar do tempo, o processo de globalização em conjunto com o repasse de verbas da União, cujos valores sempre foram insuficientes para se cumprir as metas, asfixiaram durante décadas a RFFSA e boa parte dos ferroviários. Apesar disso, o amor de todos os ferroviários e dos fanáticos pelo transporte sobre trilhos pela RFFSA permanece inabalável, mesmo diante de sua extinção em 2007, as vésperas de completar 50 anos de existência.
Caminhando direto ao final do túnel da CENTRAL DO BRASIL para a Central logística, constatamos que o vírus da asfixia, instaurado na parte da CENTRAL que foi transferida para o governo do estado, preocupa a todos: ferroviários, passageiros e amantes do transporte sobre trilhos.
Vários projetos foram apresentados pelos técnicos da Central desde a sua criação, porém, mais urna vez, não foram adiante por falta de recursos financeiros, desta feíta na esfera estadual. Dentre eles citamos:

PROJETO 1 (Curto-Prazo) -Recuperação dos Ramais de Transporte de Passageiros:
Garantir com relativa seguranca, o funcionamento parcial dos Ramais, com a máxima capacidade operacional que pode ser imediatamente disponibilizada, estabelecendo níveis confiáveis de regularidade.
Ramal Ferroviário de Guapimirim
Valor estimado -R$ 1.100.000,00
Ramal Ferroviário de Niterói:
Valor estimado -R$ 600.000,00
Sistema de Bondes de Santa Teresa:
Valor estimado -R$ 650.000,00
Total do projeto 1 = R$ 2.350,000,00

PROJETO 2 (Médio-Prazo) -Aumento da Qualidade dos Ramais de Transporte de Passageiros:
Valor estimado -R$12.686.056,86
Ramais Ferroviários (Niterói):
Valor estimado -R$ 12. 642.825,00 Sistema de Bondes de Santa Teresa:
Valor estimado -R$ 18.706.646,38
Total do projeto 2 = R$ 44.035.528,24
O ramal de Niterói apesar de ser a faixa de domínio para a futura linha 3 do metrô foi desativado.

PROJETO 3 (Longo-Prazo) -Modernização dos Ramais de Transporte de Passageiros:
Ramais Ferroviários (Guapimirim):
Valor estimado -R$ 39.420.000,00
Ramais Ferroviários (Niterói)
Valor estimado -R$ 39.220.000,00
Sistema de Bondes de Santa Teresa:
Valor estimado -RS 23.450.000,00
Total do projeto 3 = R$ 102,090,000,00
Não se sabe se o que aconteceu com o dinheiro, mas os bondes pararam devido a um terrível acidente causado pelas precárias condições de funcionamento e falta de manutenção, os terns repassados pela Central foram estavam aos cacos mas receberam uma revisão as vésperas de serem entregues a supervia.

PROJETO 4 -Extensão do Sistema Metropolitano de Transporte Ferroviário até o Distrito Industrial de Santa Cruz:
 Investimento Estimado Total: RS 20.500.000,00;
Não foi executada, mas incluída no plano de repasse para a supervia que tem prazo até 2015 para operar o ramal, a supervia aguarda desapropiação por parte do estado de trechos invadidos em Santa Cruz.

PROJETO 5 -Sistemas Intermunicipais de Transporte sobre Trilhos / Transporte de Passageiros a Pequena e Média Distancia e Trens Turisticos:
Reativação do trem de passageiros no trecho Japeri - Barra do Piraí
(Barrinha): (nvestimento: recuperacáo da Loco ALCO RS-3 n.' 7108 = R$ 2.500.000,00 (os quatro carros de passageiros necessários já estão recuperados aguardando apenas a locomotiva) Revitalização da Estrada de Ferro Vale do Paraiba (Japeri a Paraiba do Sul): Investimento: R$ 20.000.000,00 Reativação da Estrada de Ferro Mauá: Investimento: R$ 7.000.000,00.
Vergonhosamente cancelado depois de já ter o trem pronto para circular.

Implantação do trem turístico Barão de Mauá - museu do trem de Engenho de Dentro:
 Investimento Estimado Total: R$ 500.000,00
Trilhos cortados em Barão de Mauá por um empreiteira a serviço do estado! O museu do Engenho de Dentro, apesar de sua restauração fazer parte do acordo de sapropiação das oficinas para a construção do engenhão, permanece fechado.

Reativação do trem turístico ecológico Itaboraí-Magé:

Trem Turístico da Costa Verde (Barão de Mauá - ltacuruçá):
Inveslimenlo: R$ 3.000.000,00

Trem Turístico da Serra de Petrópolis (Vila Inhomirim - Petrópolis):
Inveslimenlo: R$ 5.000.000,00.

Diante da carencia de mão de obra qualificada nos diversos setores públicos do Estado do Rio de Janeiro e da falta de atividades para os funcionários da Central gerada pelo governo, uma parte desses funcionários foi cedida a essas áreas necessitadas. Com a posse do novo governo no estado, a febre pelo corte de despesas a qualquer custo  transferindo recursos da área social para a geração de caixa de pagamento de obras estafurdias da copa, impediu que os novas governantes estudassem o assunto de maneira a adequar o aspecto empresarial ao aspecto social, gerando, nas diversas empresas do estado atingidas pelos cortes, a incerteza sobre o futuro dessas empresas e seu respectivo papel social.
A AENFER, cujos trabalhos em prol da ferrovia e dos ferroviários tem o reconhecimento nos quatro cantos do Brasil, passou a ser procurada diariamente, tanto pelos funcionários que trabalham na ferrovia quanto pelos cedidos, urna vez que os cortes ocorreriam indistintamente. Imediatamente procurou as Secretarias de Transportes e de Planejamento apresentando projetos alternativos e medidas que pudessem conciliar os interesses do estado com os interesses dos ferroviários.
O intenso trabalho desenvolvido pelo grupo criado pela AENFER para estudar o assunto encontrou algumas alternativas para a crise momentánea da Companhia Estadual de Engenharia de Transporte e Logística -Central, no entanto o estado preferiudeixar a empresa aleijada de seu setor operacional mais como um cabide de empregos do que uma ferramenta de bem estar social.