domingo, 29 de abril de 2012

Um grande nada no caminho.



 Não sei não, minério de ferro exportado não é tributado em quanto de ICMS. Além de empregos mal remunerados o que fica na região? Petróleo paga royalties significativos, minério de ferro é pífia sua contribuição.



Hoje as grandes operadoras de carga não tem em suas linhas trens regulares de passageiros, exceção duas linhas operadas pela Vale, um trem turístico aqui outro acolá,mas nda que sirva realmente as comunidades ribeirinhas, muitas que nasceram e cresceram por causa das ferrovias.
Enquanto os trens ficam cada vez mais longos e pesados, e aumentam o lucro das cias ferroviárias, ficam abandonadas populações inteiras que muitas vezes tem que emigrar devido ao isolamento.
Num país que luta com a superconcentração populacional nas metrópoles, não é nem de longe razoável ter ferrovias que só geram riqueza nas pontas, deixando um grande vácuo no meio do caminho.



19/01/2012 - 09:45
Manifestantes paralisam duplicação de ferrovia da Vale


Estrada de acesso ao local de obras foi ocupada. Moradores de comunidades
afetadas reclamam cumprimento de contrapartidas por parte da mineradora


Por Daniel Santini e Verena Glass


Agricultores e representantes de movimentos sociais paralisaram na manhã
desta quinta-feira (19) as obras que estão sendo realizadas pela mineradora
Vale para ampliar a capacidade da Estrada de Ferro de Carajás, no Maranhão.
De acordo com participantes da mobilização ouvidos pela Repórter Brasil, os
moradores da zona rural de Açailândia (MA) e de localidades próximas
afetados pela duplicação da ferrovia ocuparam uma estrada vicinal que dá
acesso ao canteiro de obras impedindo a passagem de ônibus com operários. Em
nota, a Vale condenou o ato.


A manifestação aconteceu porque, segundo os participantes, a Vale não tem
cumprido contrapartidas acordadas com base nos impactos da duplicação da
ferrovia. As reivindicações imediatas são: construção de um posto de saúde;
melhorias na escola local; construção de túneis para passagem de carros e
passarelas de pedestres; valor justo de indenização para remoção das casas
que terão que ser retiradas; recuperação de reservatórios de água da região;
medidas para prevenção de incêndios; apoio em pesquisas para avaliar o
impacto do uso de agrotóxicos em campos de cultivo de eucalipto próximos à
plantação de assentamentos da região.


Entre os principais impactos da ferrovia sobre as comunidades, segundo as
queixas dos moradores, estão atropelamentos de pessoas e animais, danos
ambientais e os incêndios provocados pela passagem da locomotiva. Eles
também reclamam de poluição sonora, trepidação e até rachaduras nas casas.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Vale ficou de buscar
um posicionamento da empresa sobre os problemas e as reivindicações dos
manifestantes.


Reclamação ao IBAMA
Os problemas foram detalhados em uma representação enviada em dezembro ao
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) por uma frente formada pelos Missionários Combonianos, Justiça nos
Trilhos e Justiça Global.


A estrada de ferro é utilizada para escoar a produção do principal pólo de
extração de minério de ferro do Brasil, que fica dentro da Floresta Nacional
de Carajás, no Pará. Do município de Paraupebas (PA), o minério é
transportado por 892 km pela ferrovia até o Porto do Itaqui, em São Luís
(MA), de onde segue para o exterior.
Manifestantes reclamam que mineradora não cumpriu com contrapartidas
acertadas


O ritmo com que o minério é retirado e comercializado é tão intenso que os
trens que passam constantemente totalmente carregados chegam a ter mais de 3
9 km de comprimento, uma seqüência de 30 vagões puxada por 4 locomotivas.
Agora, para ampliar a capacidade de escoamento, a Vale trabalha na
duplicação dos trilhos.
Com bloqueio da estrada, operários foram impedidos de seguir para o canteiro
de obras


Desde 1997, ano em que a Vale foi privatizada, a ferrovia é controlada pela
empresa graças a uma concessão de 30 anos, que pode ser renovada por mais 30
anos. Segundo a Vale, a manifestação atrapalhou a circulação de trens, que
chegou a ser momentaneamente interrompida. A empresa diz que, por conta dos
prejuízos decorrentes da interdição da ferrovia, tomará medidas jurídicas
contra os que participaram do ato. Os manifestantes negam que tenham
interrompido a passagem dos trens.


http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1986