quinta-feira, 9 de junho de 2011

Auto de linha #101- AFPF

Amigos: precisamos comprar bancos, colocar os vidros de acrílico nas janelas, forrar o
teto, pintar, pagar a mão de obra, etc. Depósitos: Itau - Ag.6127 c/c: 05.403-6 - Adail


"O trabalho persistente tudo vence" (Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá)

Lamentamos comunicar que foi criminosamente incendiado - vide fotos acima o auto de linha da AFPF, que era operado a duras penas pelo incansável preservacionista Luiz Octávio & Cia, no trecho de 10 km entre Miguel Pereira-Governador Portela. Esse pequeno trecho era a última trincheira de resistência do pouco que restou da Linha Auxiliar da Central do Brasil, que hoje se encontra totalmente abandonada com milhares de toneladas de trilhos subtraídos, estações esquecidas, etc.
 
Esse veículo servia para tentarmos preservar "viva" essa linha, apesar dos constantes descasos das autoridades  locais e do Distrito Federal.
 
A centenária E. F. Melhoramentos foi inaugurada em 29/03/1898 e construída por Paulo de Frontin. O traçado original de 167 km começava na Estação Alfredo Maia e ia até Paraíba do Sul. Após passar para a Central do Brasil, seu traçado ficou restrito ao trecho entre Japeri e Três Rios.
 
Na década de 1980, chegou-se a operar um trem turístico entre Miguel Pereira e Conrado, durando pouco tempo. Com a privatização da RFFSA, a linha foi entregue a FCA-Ferrovia Centro Atlântico (ligada à CVRD), que logo abandonou o trecho, considerando-o anti-econômico e, creio que por esse motivo,  julgou-se totalmente desobrigada de mantê-lo em bom estado de conservação. Ao que consta no domínio público, essa "omissão" contou com a aquiescência dos "agentes reguladores" que nada fizeram, mesmo sabendo das constantes denúncias que a AFPF fez sobre o descaso, o roubo de trilhos e destruição de equipamentos ferroviários ao longo do trecho.
 
A sensação é de que o caminho está ficando cada vez mais livre para que sucateiros, posseiros e vândalos, acabem de vez com o trecho pioneiro. Quando sua voracidade consumir todos os 167 km de velhos trilhos  para onde será que voltarão seus maçaricos? Talvez para portões de ferro dos monumentos ou bueiros de metal, estátuas de bronze, velhos canhões, velhas locomotivas estáticas em praças publicas... Quem sabe?
 
Pobre de nós; pobre Luiz Octávio; pobre Paulo de Frontin.