domingo, 7 de julho de 2013

Breve histórico da RFN


Londres, 21 de dezembro de 1872, é organizada a The Great Western of Brazil Railway Company Ltd., empresa criada para obter do governo imperial a concessão para construir e operar a Estrada de Ferro Recife a Limoeiro, iniciando as obras em 1879 e inaugurando o trecho inicial de Brum a Carpina em 24 de outubro de 1881, e prosseguindo as obras de ampliação em direção a Limoeiro.
A GWBR posteriormente obteve a concessão para construção de outros trechos, e em 1901 firmou acordo com o governo federal para incorporar diversas ferrovias isoladas, abrindo mão da garantia de juros, sendo a mais importante a E. F. Recife a São Francisco, cuja bitola seria alterada para métrica em 1905.
A Estrada de Ferro Sul de Pernambuco foi construída a partir de Palmares, final do trecho da Recife and São Francisco Railway Co., chegando a Garanhuns em 28 de setembro de 1887, e mais o ramal de Glicério a União, atual União dos Palmares, inaugurado em 13 de maio de 1894.
Em 1901 também foi encampada pela GWBR. A Estrada de Ferro Central de Pernambuco teve a construção iniciada em 1881 a partir de Recife em direção ao interior, através da serra das Russas, atingindo Caruaru em 1895. Em 1904 a ferrovia, já chegando a Tocaimbó, foi encampada pela GWBR. Outras importantes ferrovias também encampadas pela GWBR foram a E. F. Central de Alagoas, a E. F. Conde D'Eu, a E. F. Paulo Afonso e a E. F. de Natal a Nova Cruz, cuja construção iniciara em 27 de fevereiro de 1880, sendo esta última desmembrada em 1939 para se unir à E. F. Central do Rio Grande do Norte.
A Great Western fazia o transporte de passageiros e cargas, ajudando a escoar os produtos agrícolas do interior de Pernambuco. Para surpresa nossa uma informação importante foi encontrada, em bibliografias, nos fatos contados por populares influentes da época, é a qual Dantas Barreto teria impedido a vinda da Estrada de Ferro do Nordeste para Bom Conselho no ano de 1890, sendo esta, direcionada para a cidade de Arcoverde em 1912. Supõe­se que por motivo pessoal, o qual foi citado em artigo anterior sobre Dantas Barreto, a Ferrovia que faria a ponte Pernambuco – Alagoas, Estado o qual Bom Conselho faz divisa, deixou nesse momento de fazer o translado de Alagoas a Recife passando por todo interior, sertão e zona da mata, de Pernambucano. Hoje em Arcoverde encontram­se os trilhos da velha ferrovia marcados com a sigla:
­BC ­. Será? Quem sabe um indício? Mais um causo ou caso de Bom Conselho do Século Passado.

Pernambuco tinha, aproximadamente, 646 km de linhas ferras, assim divididas:
Recife na São Francisco Railway Company Limited (até Una): 124,74 km
Estrada de Ferro Sul de Pernambuco ( Una a Garanhuns): 157,80 km
Estrada de Ferro do Recife ao Limoeiro: 152,63 km;
Estrada de Ferro Central de Pernambuco: 179,90 km
Estrada de Ferro de Paulo Afonso: 30,78 km

Caros colegas certamente a ferrovia de Bom Conselho seria divida assim:
Estrada de Ferro Sul de Pernambuco – Alagoas:
1. Garanhuns – Bom Conselho: 43 km
2. Bom Conselho – Palmeira dos índios (Alagoas): 41 km Total do translado ferroviário: 84 km
Cronologia Ferroviária do Nordeste: E.F.N

1853: Organização em Londres da Recife and São Francisco Railway Company, para construir e operara Estrada de Ferro Recife a São Francisco; 1855: Início da construção da Estrada de Ferro Recife a São Francisco, em bitola larga, no dia 7 de setembro; 1858: Inauguração do trecho inicial da Estrada de Ferro Recife a São Francisco entre Cinco Pontas e Cabo, no dia 8 de fevereiro; 1862: Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Recife a São Francisco a Una, atual Palmares; 1872: Inauguração do trecho inicial da Estrada de Ferro de Baturité, no Ceará, no dia 20 de janeiro; Organização em Londres da The Great Western of Brazil Railway Company Ltd., para construir e operar a Estrada de Ferro Recife a Limoeiro, no dia 21 de dezembro; 1878: Encampação da Estrada de Ferro de Baturité pelo governo imperial; Início da construção da Estrada de Ferro de Sobral, em setembro; 1879: Início da construção da Estrada de Ferro Recife a Limoeiro; 1880: Início da construção Estrada de Ferro de Natal a Nova Cruz, no dia 27 de fevereiro; 1881: Inauguração do trecho inicial da Estrada de Ferro Recife a Limoeiro entre Brum e Carpina, no dia 24 de outubro; Início da construção da Estrada de Ferro Central de Pernambuco; 1882: Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro de Barurité a Baturité, em fevereiro; Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro de Sobral a Sobral; 1887: Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco a Garanhuns, no dia 28 de setembro; 1895: Inauguração da Estrada de Ferro de Caxias a Cajazeiras, no Maranhão, no dia 9 de junho; 1897: Arrendamento da Estrada de Ferro de Sobral aos engenheiros João Tomé de Saboia
e Silva e Vicente Saboia de Albuquerque; 1898: Arrendamento da Estrada de Ferro de Baturité pelo engenheiro Alfredo Novis; 1901: Acordo entre a da The Great Western of Brazil Railway Company Ltd. e o governo federal para incorporar diversas ferrovias isoladas, abrindo mão da garantia de juros; 1904: Encampação da Estrada de Ferro Central de Pernambuco pela GWBR; 1905: Alteração da bitola da Recife a São Francisco de larga para métrica; 1907: Início da construção da Estrada de Ferro São Luis a Caxias; 1910: Transferência das concessões das E. F. de Baturité e E. F. de Sobral, constituindo a Rede de Viação Cearense, para a The South American Construction Company Ltd.; 1916: Início da construção da ferrovia entre Amarração, atual Luis Correa, e Campo Maior, no Piauí, futura E. F. Central do Piauí; Início do controle da Rede de Viação Cearense pelo governo federal; 1917: Início da construção da ligação Fortaleza ­Sobral entre as duas ferrovias da RVC; 1920: Encampação pela E. F. São Luis a Caxias da E. F. Senador Furtado , ex. Caxias a Cajazeiras,alterando a denominação para Estrada de Ferro São Luis ­Teresina; Início da administração das ferrovias a RVC pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, em abril; 1921: Efetivação da ligação ferroviária entre São Luis e Teresina, no dia 14 de março; 1924. Retorno da administração das ferrovias da RVC ao Ministério da Viação e Obras Públicas; 1937: Chegada da linha da E. F. Central do Piauí a Periperi, no dia 11 de fevereiro; 1942: Vinculação administrativa da E. F. Central do Piauí à EFSLT, no dia 15 de abril; 1946: Desvinculação administrativa da E. F. Central do Piauí da EFSLT, no dia 6 de setembro;

1950: Conclusão da ligação Fortaleza ­Sobral entre as duas ferrovias da RVC, unificando a malha; 1951: Encampação da GWBR pelo governo federal, passando a denominar­se oficialmente Rede Ferroviária do Nordeste, no dia 10 de janeiro; 1957: Fundação da RFFSA ­Rede Ferroviária Federal S. A., no dia 30 de setembro, sendo a ela incorporadas diversas ferrovias; 1969: Agrupamento das ferrovias da RFFSA em sistemas regionais, sendo a EFSLT renomeada como 1ª Divisão Maranhão­Piauí, a RVC como 2ª Divisão Cearense, e a RFN como 3ª Divisão Nordeste; 1972: Interligação entre as 1ª Divisão Maranhão­Piauí e a 2ª Divisão Cearense, com a inauguração da linha Oiticica ­Altos; 1976: Reorganização da RFFSA, sendo as três Divisões transformadas em SR 1 – Superintendência Regional Recife, incluindo a 4ª Divisão Leste Brasileiro (posteriormente todas desmembradas como SR 11 Superintendência Regional Fortaleza, SR 12 ­Superintendência Regional São Luis, e SR 7 – Superintendência Regional Salvador); 1997: Leilão de desestatização da Malha Nordeste pela RFFSA no dia 18 de julho; 1998: Início de operação da Companhia Ferroviária do Nordeste, vencedora do leilão, no dia 1 de janeiro.

Referências Bibliográficas:
MELLO, Frederico Pernambucano de. Que foi a guerra total de Canudos? Recife; Zurich: Stahli, 1997.
PINTO, Estevão. História de uma estrada­de­ferro do Nordeste. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949. 310 p. (Documentos brasileiros, 61).
PORTO, Costa. Os tempos da República Velha. Recife: FUNDARPE, 1986.
RIBEIRO, José Adalberto. Agamenon Magalhães: uma estrela na testa e um mandacaru no coração. Recife: Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, 2001.
SOUZA, Alcindo de. Antologia ferroviária do Nordeste. Recife: Bagaço, 1988. 100 p.
WWW.antt.gov.br ­Agência Nacional de Transportes Terrestres
Até a próxima...
Jordalino Cavalcante Neto