quarta-feira, 21 de março de 2012

Supervia vende nomes de estações

Iniciada no ano passado, a estratégia engatinha. Três das 98 estações
ferroviárias foram adotadas

Estratégia de marketing ainda pouco explorada no país, a venda de "naming
rights" começa a ser usada no Rio pela Supervia, concessionária do serviço
de trens.

A venda de "naming rights" é a negociação do direito de dar o nome ao
equipamento. A empresa paga à concessionária para "adotar" uma estação de
trem, podendo acoplar o seu nome a ela e usufruir de contrapartidas.

Os valores das vendas não foram revelados, mas apresentação para possível
adoção da estação Engenho de Dentro -acesso ao estádio Engenhão- aponta
custo anual de R$ 3,6 milhões. O local seria um dos mais valorizados da
malha ferroviária metropolitana.

"Ali tem jogo o ano inteiro, além de grandes shows", afirma o diretor de
Novos Negócios da Supervia, Carlos Henrique Sant'Anna.

Estações do teleférico do Complexo do Alemão foram as primeiras "vendidas"
pela Supervia. As gôndolas que transportam moradores e turistas foram
pintadas de vermelho, com o logotipo da Kibon. As estações ganharam pontos
de venda da marca.

A iniciativa ajudou a Supervia a ampliar a arrecadação obtida com outros
itens além da venda de passagens. Os novos negócios, que representavam 2,5%
do faturamento em 2010, alcançarão cerca de 12% em 2012, segundo estimativa
da empresa.

Iniciada no ano passado, a estratégia engatinha. Três das 98 estações
ferroviárias foram adotadas -por TIM, West Shopping e Universidade Gama
Filho-, além das duas do teleférico do Alemão (Kibon e Natura). Sant'Anna
diz que há outras dez empresas interessadas em estações.

Para Márcia Ballariny, especialista de gestão de marcas da ESPM-RJ, ao
atuar na rede ferroviária, as empresas se aproximam da classe C, que
corresponde a 62% dos clientes da Supervia.

A TIM, que desde 2010 tem pontos de venda e anúncios na rede ferroviária,
decidiu ampliar a relação com o consumidor ao adotar a estação de Bonsucesso
e agora planeja um espaço de interatividade, com rede Wi-Fi para clientes,
entre outros serviços.

"A participação da TIM era muito baixa entre usuários de trem. Triplicamos.
O projeto [de "naming rights"] é uma forma de ampliar essa interação", diz o
diretor comercial da TIM, Fernando Mota.

Críticas

Recentes contratempos enfrentados pela Supervia despertaram a desconfiança
de investidores. Temem associar-se a imagens de trens parados ou de
confusões em estações
-no início do mês, passageiros insatisfeitos com um
trem defeituoso promoveram um quebra-quebra.

"Estamos numa melhoria constante, tendendo para a excelência. Mas o povo
ainda não recebeu tudo", diz Sant'Anna, referindo-se a investimentos da
Supervia que prometem reduzir o tempo de espera pelo transporte.

A nova modalidade de negócio prevê até a construção de novas estações com o
nome da empresa investidora.

"Empreendimento novo próximo da ferrovia pode precisar de uma estação.
Feito o cálculo operacional, para ver se é possível outra parada, pode sair
uma estação com o nome da empresa", afirma.

29/02/2012 - Folha de São Paulo


Conclusão empresas de segurança, blindagem venda de armas e munições vão fazer fila para comprar.