terça-feira, 10 de maio de 2011

Oportunidades perdidas

Quantas belezas deixadas nos cantos da vida,
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar;
E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar.
Quanta beleza encontro no samba que faço,
Minha tristeza se tornam um alegre cantar,
É que carrego o samba bem dentro do peito;
Sem a cadência do samba não posso ficar

Refrão:
Não posso ficar,Eu juro que não...
Não posso ficar eu tenho razão,
Já fui batizado na roda de bamba;
O samba é a corda e eu sou a caçamba

Quantas noites de tristeza ele me consola;
Tenho como testemunha minha viola.
Ai!Se me faltar o samba não sei o que será,
Sem a cadência do samba não posso ficar! 


Letra de esperanças perdidas dos "Os originais do Samba"

Mas me perguntem o que raios tem haver o grupo de pagode com a ferrovia? é simples substitua a palavra samba da letra por apito, trem, ferrovia... e automaticamete estará traduzido o sentimento em relação a ferrovia no Brasil.

Essa postagem é sobre o processo de errradicação de ramais anti-econônicos no período 1964-1974 a partir dps estudos da comissão mista Brasil-EUA, que pode ser expandido para ooutros períodos a gosto do leitor.
Neste perído a quilometragem das ferrovias brasileiras foi reduzida em cerca de 1/3, basicamente em linhas antigas (cafeeiras)  acrécimos significativos em  linhas modernas.
Este direcionamento era baseado na importação da doutrina estadunidense de estruturação dos sitemas de transporte a partir de rodovias, conceito aliás aprendido com os alemães na II guerra e muito bem explorado por petrolíferas e montadoras...
Finalmente cheguei no ponto onde queria, esses milhares de ramais ferroviários  exterminados eram ramos que alimentavam as linhas tronco das ferrovias.
Embora a operação deles fosse um muitos casos realmente deficitária, em nenhum momento se questionou a possibilidade de modernizá-los, foram simplesmente exterminados, e na ausência de suas cargas mataram por inanição as grandes ferrovias.

Um detalhe nesse rebú todo é que o programa que previa a erradicação destes ramais, também previa que as estruturas das ferrovias seriam transformadas em instalações de serviço público, como escolas, hospitais, armazéns e principalmente que as ferrovias erradicadas teriam seu leito substituído por estradas pavimentadas.

É óbvio que a contrapartida ao assassinato da ferrovia nunca foi feito. E essa foi a grande esperança perdida.
Imagino como seria o Brasil se ao remover os trilhos o governo tivesse que asfaltar todo o leito.
Não se teriam acabado com tantas ferrovias, seria mais barato modernizá-las do que substituir o leito por asfalto.
Outra coisa, as cidades não seriam estagnadas com o fim das estradas de ferro, a ligação pavimentada entra as linhas tronco e os vilarejos permitiria a manutenção das atividades econõmicas da região, já que os produtores poderiam encaminhar por conta própria, de acordo com a viabilidade econômica, sua mercadoria as ferrovias em pontos centrais para embarque em trens de carga geral.
As ferrovias e rodovias não lutariam entre si, nos pontos de convergência entre ambas os caminhões poderiam se desviar as estações ferroviárias para transbordar as cargas, a tal badalada intermodalidade de hoje já existia nos tempos antigos, faríamos o que hoje é a mais racional das coisas, caminhões em srviços de curta distãncia complementando trens em longas distancias.
Mas como podemos  ver o radicalismo prevaleceu a ferrovia foi extermina ... e toca o samba.