sexta-feira, 10 de abril de 2015

Associação luta para manter projeto para reativação do trem

A entrevista abaixo foi concedida ao repórter Vinícius Ferreira por telefone e contém alguns erros toleráveis.



Loco Baroneza II em frente ao Centro Cultural Estação Nogueira - (foto: Marco Oddone/Tribuna de petrópolis)
VINÍCIUS FERREIRA - No dia 30 deste mês, a Estrada de Ferro Mauá, que ligava o Porto de Mauá à Raiz da Serra, em Fragoso, Magé, completará 161 anos. Oficialmente chamada de Imperial Companhia de Navegação a Vapor de Mauá, foi fundada em 1854 e, alguns anos mais tarde, se ligou ao trecho de seis quilômetros da Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará, também conhecida como Estrada de Ferro de Petrópolis. No entanto, a ferrovia, tão importante para o transporte de cargas e pessoas (entre elas o próprio imperador Dom Pedro II) no século XIX e na metade do século passado, está desativada, há mais de meio século. O sonho de reativá-la ainda existe e para o vice-presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária – AFPF, Antônio Pastori, seria uma solução para os problemas de mobilidade urbana, enfrentados hoje com o sistema rodoviário.

“A cidade do Rio de Janeiro é hoje a terceira capital do mundo com o pior trânsito. Só perde para Istambul (Túrquia) e Cidade do México. Apenas 4% da população do estado utiliza transporte ferroviário”, destaca Pastori, que acredita que a reativação da linha, que voltaria ligar o Centro de Petrópolis ao Centro da capital do estado, poderia beneficiar não apenas os Petropolitanos, como também os moradores da Baixada Fluminense. “O trajeto Petrópolis – Rio poderia ser feito em uma hora e meia, isso já seria muito mais rápido do que descer pela Br-040, onde você fica preso no trânsito e leva, dependendo do dia mais de três horas de viagem”, afirma.

Em 2005, a possibilidade de reativação foi levantada pelo governo municipal e um projeto, que custou R$ 325 mil foi encomendado junto à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – ABPF. “Na época, o objetivo era reativa apenas o trecho Alto da Serra, Raiz da Serra, como um trajeto turístico. Houve interesse do governo do estado. No entanto, o prefeito Rubens Bomtempo não se reelegeu. O Paulo Mustrangi, não deu muita atenção ao projeto. Em 2012, chegou a ser realizada uma reunião, juntando o prefeito de Petrópolis e o de Magé, com os secretários estaduais de transporte e obras. Mas, mais uma vez o projeto ficou de lado”, informa Pastori, que ressalta ainda a falta de interesse do poder público municipal. “A única atribuição que tinha sido dada pelo estado ao município era a de mapear as ocupações irregulares, ao longo da antiga ferrovia, para que essas famílias fossem realojadas. O custo disso seria acrescentado ao valor do projeto, que seria financiado pelo estado junto ao BNDES”.

Mesmo com o abandono do projeto inicial, as iniciativas da AFPF em desenvolver a alternativa de transporte continuaram. Segundo Pastori, um projeto, que visa explorar a via cobre o viés também comercial foi desenvolvido. “Expandimos a proposta de reativação. Além dos 6 km de Petrópolis, a ideia era a de recuperar o trecho da Raiz da Serra ao Porto (mais 14,3 km). A partir desse ponto, a viagem passaria a ser feita de barca, atravessando a Baía de Guanabara, em direção à zona portuária do Centro Histórico do Rio. Esse trajeto ainda incluiria o aeroporto”, salienta o vice-presidente da AFPF.

O resgate da Baronesa

Um passo para o retorno das linhas de trem, no dia a dia dos petropolitanos pode ter sido dado no mês passado. É que, segundo Pastori, a chegada da locomotiva Baronesa II, restaurada para fazer parte da lembrança histórica da antiga estação de trem de Nogueira – hoje um centro cultural – pode ajudar a reavivar a memória sobre os trens e estimular o desejo por seu retorno. “Existe o projeto, mas ainda é necessário interesse político em executá-lo, de fazer um pequeno trajeto, ligando a estação cultural de Nogueira, ao Parque Municipal de Itaipava. O objetivo é tornar este um passeio turístico, mas também fomentar o interesse pelos trens”, avalia o vice-presidente da AFPF, que destaca ainda a viabilidade do projeto. “Hoje Departamento Nacional de Trânsito (DNIT) tem uma grande quantidade de trilhos de três guardados e ele tem concedido esses equipamentos a outros municípios, que demonstraram interesse em tê-los”, explica.
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