quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Programa discute acessos ao Porto do Rio de Janeiro


No dia 20 de agosto, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Rio de Janeiro (Sindoperj) lançou o programa “Porto do Rio Século XXI”, com a apresentação de projetos estratégicos para diminuir o gargalo logístico do porto carioca. O evento, que acontece na Associação Comercial do Rio de Janeiro, às 10 horas, com a presenças dos ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e dos Portos, Leônidas Cristino.
Entre os assuntos discutidos, o acesso ferroviário ao porto ganha destaque, com propostas para a melhoria dos acessos de bitola larga e estreita e novos pátios, multiplicando a capacidade do porto.
Boa parte dos projetos estão direta ou indiretamente ligados a construção do porto do Açu,
Veja abaixo os detalhes dos projetos ferroviários que serão discutidos no evento:

Alça Ferroviária e Terceiro Trilho
Síntese do Projeto: Uma solução singular para o equacionamento definitivo dos acessos em bitola larga e estreita aos trechos mais movimentados do porto foi a seguinte: Implantação de uma alça ferroviária conectando as duas bitolas, em Manguinhos, com disponibilização de trecho em bitola mista até a chegada ao porto, pelo Pátio do Arará.
Justificativa, objetivos e impacto: O fechamento dos acessos ao Porto do Rio em bitola métrica (1,00 m), pelos Pátios de Praia Formosa e Marítima, resultou do desenvolvimento urbano à volta da Rodoviária Novo Rio e da intensificação do trafego na Avenida Rodrigues Alves. Apenas a bitola larga (1,60 m) continuou fazendo a conexão ferroviária com o porto pelo Pátio do Arará. Daí a necessidade de se racionalizar o acesso em bitola mista pelo Arará como solução definitiva para compor a logística que atende aos trechos mais movimentados do porto, Cais do Caju e de São Cristovão. A recomposição do acesso ferroviário ao porto permitirá atrair mercadorias hoje ausentes de seu fluxo de cargas, inclusive antes movimentadas em longos trajetos rodoviários. Concentrando o acesso ferroviário por esta via, liberam-se para a cidade extensas faixas de vias férreas desativadas, em áreas urbanas de densa ocupação.
Características Técnicas: Investimentos (Fontes e Aplicações): Recursos da FCA + Fonte orçamentária. Movimentação de Novas Cargas: Possibilidade de atração de novas cargas: mármores e granitos, açúcar, cimento (RJ e ES) e petroquimicos industrializados (Visconde de Itaboraí/RJ). Efeitos Macro-Econômicos (Alcance): Reorganização e valorização de áreas do centro da cidade do Rio de Janeiro.
Agenda de Providências: Entendimentos entre MRS, FCA, CDRJ e Prefeitura do Rio de Janeiro; Apoio Ministério das Cidades e Governo do Estado do RJ

Terceiro Trilho São Bento – Manguinhos – Porto
Síntese do Projeto: A criação de alternativa utilizando o corredor com pouco uso das linhas de bitola de 1,00 metro, leva este percurso para um trecho protegido e sem nenhuma passagem em nível ou interferência com a malha urbana.
Justificativa, objetivos e impacto: O atual acesso dos trens de bitola de 1,60 metro ao porto do Rio ocorre por uma via férrea desprotegida, com inúmeras interferências com a malha rodoviária urbana, densamente povoada e portanto bastante insegura. Esta intervenção se articula com o projeto de implantação da alça ferroviária em Manguinhos e com a reposição das linhas no trecho Ambaí / São Bento. A transferência da rota de acesso ao porto do Rio evitará as interferências que hoje existem com a malha urbana e permitirá o incremento da carga de alto valor agregado em direção ao porto. A implantação da via proposta libera a faixa atual, que percorre trecho densamente povoado, para a implantação de novo eixo de transporte de passageiros em trens urbanos. Os trens de carga circulando em faixas protegidas e seguras não estarão causando problemas à vida da cidade.
Características Técnicas: Investimentos (Fontes e Aplicações): MRS + FCA + Fonte orçamentária. Movimentação de Novas Cargas: Possibilidade de atração de novas cargas com alto valor agregado que hoje não são transportadas por absoluta falta de segurança. Efeitos Macro-Econômicos (Alcance): Reorganização e valorização de áreas lindeiras ao eixo original hoje extremamente desvalorizadas . Sistema de Implantação (Parcerias): Com a Central e SuperVia.
Agenda de Providências: Entendimentos entre MRS, FCA, Central e Supervia; Apoio Ministério das Cidades e Governo do Estado do RJ

Bitola Mista Ambaí – São Bento
Síntese do Projeto: A proposta deste projeto é levar , em bitola mista, o acesso ao Porto do Rio, BADUC e refinarias, através da bitola de 1,60 metro trecho Ambaí – São Bento e reposição da bitola de 1,00 metro. A intervenção neste trecho complementa a nova rota de acesso ao porto do Rio, conectando-se à linha do Centro através de área rural.
Justificativa, objetivos e impacto: Esta intervenção para melhorar o acesso ao Porto do Rio, permitirá a circulação de trens de bitola larga à atual e futura refinaria da Petrobras e ao distrito industrial de Campos Eliseos. Caso venha a ser recomposta a linha da Serra de bitola de 1,00 metro, a partir de Ambaí, este trecho poderá ser implantado com bitola mista. Este projeto estimulará a implantação de centros logísticos na periferia da cidade, próximos às vias principais de acesso e ao futuro arco rodoviário, reorganizando a ligação com a área metropolitana. A implantação deste trecho próximo ao arco rodoviário permitira a reurbanização das áreas periféricas da cidade, reduzindo a concentração no Centro. Os trens de carga circulando em faixas protegidas e seguras não estarão causando interferências na vida da cidade.
Características Técnicas: Investimentos (Fontes e Aplicações): MRS + FCA + Fonte orçamentária. Movimentação de Novas Cargas: Possibilidade de atração de novas cargas destinadas ao Porto do Rio, cargas petroquímicas originadas e destinadas a São Paulo e ao restante do país e ainda derivados do petróleo destinados a regiões não servidas por oleodutos. Efeitos Macro-Econômicos (Alcance): Reorganização geoeconômica e valorização de áreas lindeiras. Sistema de Implantação (Parcerias): Com a MRS, FCA e Petrobrás.
Agenda de Providências: Entendimentos entre MRS, FCA, e Petrobrás; Apoio Ministério das Cidades e Governo do Estado do RJ

Ampliação dos Pátios Ferroviários Internos
Síntese do Projeto: O pátio do Cais de São Cristóvão terá a função adicional de receber e fazer a triagem das composições de bitola estreita, com implantação de bitola mista, nas duas linhas de larga, localizadas entre o cais e a linha de circulação, também em bitola mista para permitir o acesso dos trens de ambas bitolas ao Cais da Gamboa. Para ampliar a capacidade atual, serão implantadas três novas linhas com bitola larga, na área que será integrada ao Porto, com o deslocamento da Avenida Rio de Janeiro. Deste modo, a bitola larga, além de operar sobre as linhas de bitola mista, terá à sua disposição quatro linhas exclusivas.
Justificativa, objetivos e impacto: O conjunto das intervenções que visam a reconstrução do acesso ferroviário de bitola estreita ao Porto do Rio e o aumento de capacidade e de segurança do acesso de bitola larga (MRS) redundam na utilização de um único canal para o tráfego dos trens das duas bitolas. Foi prevista a possibilidade dos trens de bitola estreita serem recebidos no Pátio do Cais do Caju de forma totalmente independente da recepção dos trens de bitola larga. Posteriormente, os trens de bitola estreita serão levados para o Pátio o Cais de São Cristóvão, onde serão realizadas as operações de triagem, trafegando por via independente, sem interferir com os trens de bitola larga.
Características Técnicas: Investimentos (Fontes e Aplicações): MRS + FCA + Fonte orçamentária. Custos, Resultados e Benefícios: Ampliação do Pátio do Cais de São Cristovão para permitir manobra e circulação dos trens das duas operadoras. R$ 10.646.384,31 Aumento de Capacidade: O conjunto de intervenções visa reconstruír o acesso em bitola estreita e aumento de capacidade da larga.
Agenda de Providências:  Apoio Ministério das Cidades e Governo do Estado do RJ, MRS e FCA

Aenfer – Associação de Engenheiros Ferroviários
 www.portodorio.org.br e 
Revista Ferroviária, 13/08/2012