domingo, 15 de agosto de 2010

Tragédia anunciada e a história se repete...

Mais uma vez aconteceu, 
de novo um pobre se F...

Ontem um trem da MRS logística e um ônibus se chocaram em Miguel Couto Nova Iguaçu - RJ.
Apesar dos feridos e da possível vítima fatal essa notícia não me impressiona mais, a pouco tem um ônibus da viação Mirante foi atingido em Belford Roxo e constantemente na baixada acontecem choques entre veículos e trens, principalmente ao longo da linha auxiliar.

Mas por quê? Dessa vez é fácil responder:

1-Imprudência dos rodoviários

Dificilmente os rodoviários param para olhar a linha e ver se tem algum trem se aproximando, isso quando não param sobre a via, coisa comum ao longo da linha auxiliar já que a densidade de tráfego neste trecho é baixa.
Além disso, a imensa maioria dos motoristas esquece que um trem não é um carrinho de compras, mesmo que o maquinista veja o veículo o espaço necessário para a parada não será suficiente.
A prioridade deve ser sempre do trem isto é lei e é ensinado em auto-escola, mas quem liga para o que se liga na escola? Seja lá qual escola...

2-Descaso das empresas de ônibus.

Há cerca de 15 anos atrás um ônibus da viação São Francisco foi atingido em Engenheiro Pedreira por um trem da então flumitrens que trafegava a cerca de 40Km/h. O choque foi tão violento que o coletivo girou arrancou os trilhos e os passageiros foram ejetados pelas janelas.
Deste terrível acidente em diante algumas coisa mudaram, diversas passagens de nível irregulares foram fechadas as outras, como a do acidente mais recente, foram sinalizadas, principalmente após a privatização. E foi criada uma lei estadual onde os cobradores ou auxiliares de motorista são obrigados a descer dos coletivos e atravessar a pé a passagem de nível para garantir que não há risco de choque.


Embora os jornalistas desconheçam este é o procedimento previsto por lei para travessi de ônibus sobre passagens em nível.

Mas aí veio o micrão, (http://viajantedoria.blogspot.com/2010/03/querida-esticaram-o-micrao.html), resposta das empresas de ônibus ao transporte irregular, os micro-ônibus não possuem cobrador e não precisam cumprir a etapa de atravessar a pé a linha para garantir que não há risco de choque.
Na capital há um limite de comprimento para os micrões, definido por lei. Para o estado não, então temos ônibus como os da Tinguá com capacidade para 70 passageiros operando apenas com o motorista que também é responsável pelas passagens.

Resultado um veículo longo lotado com o condutor distraído sobre uma passagem de nível, e mais meia dúzia de corpos no chão...

E segue a notícia, pelo ao menos dessa vez uma parte da imprensa não tentou colocar a culpa no trem...


Duas vítimas de uma batida entre um trem e ônibus continuam internadas

Rio - Apenas duas das 20 vítimas de um acidente entre um trem de carga e um ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na noite desta quinta-feira, continuam hospitalizadas. Mais cedo, 12 pessoas ainda estavam internadas no Hospital da Posse. Um dos feridos precisou passar por uma cirurgia por causa de um trauma no abdômen. Na batida, 20 pessoas ficaram feridas, sendo que três delas em estado grave.



A colisão entre o coletivo da linha 490 (Miguel Couto-Central), Viação Tinguá, e o trem aconteceu por volta de 19h.  A batida foi na Avenida Luiz de Lemos, em Miguel Couto. Segundo testemunhas, o ônibus, que estava com cerca de 30 passageiros, havia acabado de deixar grupo em um ponto e, quando atravessava a passagem de nível, foi atingido pelo trem, capotou e ficou tombado.


As vítimas foram socorridas por bombeiros e levadas para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. Três estavam em estado grave, entre eles um homem, com traumatismo craniano, precisou ser transferido para o Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias.


O motorista foi acusado de não parar no cruzamento. “O trem apitou e acendeu o farol mas o motorista estava distraído, conversando”, contou o autônomo Edérson de Freitas, 28 anos, que sofreu ferimentos na cabeça e no braço. O motorista, Adriano Araújo, também se feriu.


A empresa Tinguá acompanhou o atendimento aos feridos e prometeu apoio às famílias. Segundo a MRS Logística, responsável pelo trem, a sinalização no local é direcionada para que os veículos parem — os trens têm sempre autorização para seguir.









NUNCA PARA SOBRE A VIA FÉRREA!!!