quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ferrovias em perigo

A divisão técnica especializada de transportes e logística do Clube de Engenharia traz um alerta para o risco que correm as ferrovias, um patrimônio público em perigo. No dia 15 de janeiro, às 16h, no 22º andar do Clube de Engenharia, especialistas e representantes das entidades de classe da engenharia irão debater a recente resolução da Agência Nacional de Transportes (ANTT) que autorizou a desativação e devolução ao Poder Público de trechos ferroviários que uma concessionária explora em todo o país. A resolução abrange tanto trechos considerados “antieconômicos” quanto aqueles que são economicamente viáveis. Entre os pontos levantados pelos especialistas está o estado dos trechos devolvidos, sucateados e depredados, a destinação das indenizações e a situação dos ferroviários. Participarão da mesa redonda Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ); Regina de Jesus Ramos Andrade, vice-presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ); Olímpio Alves dos Santos, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE-RJ); Luiz Euler Carvalho de Mello, presidente da Associação de Engenheiros Ferroviários (AENFER); Almir Ferreira Gaspar, presidente da Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina (AEEFL); José Cássio Ignara, engenheiro de Planejamento de Transporte; Antônio Pastori, economista; e Jorge Luiz Macedo, presidente da ANTT. O evento é uma promoção da divisão técnica de Transporte e Logística (DTRL), e realização do Fórum de Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro.
Devido as grandes dimensões territoriais do Brasil, o País deveria estar servido por uma extensa malha ferroviária que cobrisse, principalmente, a faixa litorânea de 300 a 400 km  no sentido Norte-Sul, pois 85% da população brasileira -  e do PIB - estão nessa faixa. Se essa malha existisse e funcionasse de forma eficiente transportando não somente carga geral, mas também passageiros, haveria uma economia significativa vidas e de redução de prejuízos derivados dos acidentes rodoviários, estimados em R$ 40 bilhões/ano.

Por outro lado, o governo federal lançou em 2012 o novo Programa de Investimentos em Logística, PIL que prevê a adição de doze novos trechos ferroviários, totalizando 11.500 km para atender somente ao transporte de carga (minério de ferro, aço, soja, milho, cimento, etc.) e nada de passageiros! 

Passageiros e carga geral (alimentos, eletrodomésticos,veículos, produtos químicos, combustível, etc.) continuarão seguindo de Norte a Sul por rodovias assassinas, disputando espaços com os automóveis e aumentando os custos dos produtos, ficando presos em incontáveis congestionamentos, etc...

Como se não bastasse, o governo, através da sua Agência Nacional de Transportes Terrestres-ANTT, baixou a resolução 4131/2013 que vai erradicar milhares de km de linhas consideradas antieconômicas para o transporte de cargas. Isto posto, pergunta-se: 

- Quem sabe se essas linhas antieconômicas poderiam tornar-se economicamente viáveis para o transporte de passageiros ? 

- Por que as novas ferrovias do PIL não vão transportar passageiros?

Para saber mais sobre essa Resolução e debater com especialistas, veja o convite anexado.