sábado, 16 de março de 2013

Investimento da Vetria em Corumbá vai a R$ 11,5 bi

Por Ivo Ribeiro | De São Paulo
Leonardo Rodrigues/Valor / Leonardo Rodrigues/Valor
Santoro, presidente: "Avaliação da jazida
dá uma nova dimensão ao projeto"
A Vetria Mineração vai ampliar o tamanho de seu projeto de produção de minério de ferro em Corumbá (MS), com embarques em terminal portuário próprio em Santos (SP). O valor do investimento saiu de R$ 7,6 bilhões para R$ 11,5 bilhões, com a nova escala de produção e vendas e a atualização de custos, tornando-se um grande desafio para os acionistas da mineradora estreante.
Avaliações realizada por uma empresa especializada do potencial da jazida, que fica próximo de Corumbá, no maciço de Urucum, indicaram recursos minerais inferidos de 10 bilhões de toneladas - dez vezes o montante estimando antes. "Isso nos dá uma nova dimensão para o projeto", disse ao Valor o presidente da Vetria, Alexandre Santoro.
A certificação da jazida, pela canadense Coffey Mining, é um passo muito importante para a evolução do investimento, afirmou o executivo. Com isso, o novo desenho do projeto, lançado no fim de 2011, prevê uma produção anual de 27,5 milhões de toneladas de minério, contra 20 milhões de toneladas de antes.
A Vetria é uma associação entre a concessionária de ferrovias ALL, com 50,4% do capital, a Vetorial Participações, quera dona da jazida de ferro (33,8%) e a Triunfo Participações e Investimentos, com 15,8%, que detinha a concessão portuária em Santos. Para Santoro, uma das vantagens do projeto é que ele será totalmente integrado: da mina, interligado a uma ferrovia, ao porto. Outro ponto atrativo é a qualidade do minério, com 64,5% de teor metálico de ferro, com cerca da metade de material granulado, o chamado "lump", que tem prêmio no mercado global em relação ao sinter-feed (fino) e ao pellet-feed (superfino).
O executivo observa que, apesar do aumento do volume de recursos no projeto, o custo do investimento por tonelada se manteve igual, em US$ 215. E que o custo de operação também permaneceu no mesmo patamar, na faixa de US$ 40 a tonelada já embarcada no navio. Ao sair de Corumbá, o minério vai percorrer 1,7 mil km até Santos na malha Oeste da ALL, que será modernizada para receber carga pesada.
É justamente no transporte que será alocado a maior parte do investimento projetado pela Vetria - R$ 3,7 bilhões em material rodante (250 locomotivas de 4,2 mil HP de potência e 7 mil vagões) e R$ 2,7 bilhões na via permanente (troca de dormentes, trilhos e construção de pátios). Na atividade de mineração (extração, britagem e classificação de produtos) estão orçados R$ 2,3 bilhões. Para a instalação do terminal portuário, apto a receber navios capsize (de até 180 mil toneladas, saindo com carga de 120 mil) estão previstos R$ 2,8 bilhões.
A empresa vai se enquadrar na figura de usuário-investidor na ferrovia, elevando sua capacidade a 35 milhões de toneladas ao ano e direito de ocupação equivalente ao volume de sua produção de minério. Esse contrato, conforme regras do governo de 2011, está em análise na ANTT, agência reguladora do setor.
A previsão da Vetria é completar a certificação da jazida até o fim do ano - avançando para quantidades indicadas e medidas. "Ao mesmo tempo, vamos buscar todas as licenças ambientais necessárias com o Ibama e as autorizações regulatórias para o terminal, que já tem pedido nos devidos órgãos de governo", informa Santoro. O porto, segundo ele, ficou fora do pacote lançado pelo governo, pois já se enquadrava na categoria de terminal privativo com carga própria.
Esse passo, avalia o executivo, é crucial para definir a etapa de capitalização do projeto. No momento, o modelo é de vender uma participação a sócios estratégicos e até para fundos de investimento institucionais. Não se cogita, ainda, abrir o capital da Vetria em bolsa. Para formatar a engenharia financeira, a mineradora quer contratar um banco de investimento no segundo semestre. A empresa espera obter empréstimos do BNDES.
O cronograma de implantação traçado prevê início de produção no segundo semestre de 2016. No começo, com volume anualizado de 5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, dobrando o número no ano seguinte e alcançando a plena capacidade em 2018. Atualmente, a mina faz 1,2 milhão de toneladas por ano.

Tudo leva a crer que teremos a ALL operando com trens unidade, à base de gôndolas GDT e GDU, o leitor deve ter notado, pela leitura do texto, que está prevista uma total reestruturação da linha, para suportar transporte pesado. Será? Nada mais do que qualquer meia duzia de dormentes novos, se passar disso, a concessionária vai dizer que é uma linha nova. Com a atual linha se colocar uma gôndola de minério vazio é capaz de descarrilar...