domingo, 31 de março de 2013

Título da postagem


Caros Amigos e Simpatizantes dos trens de passageiros,

A OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Amigos do Trem, que tem como objetivos principais a preservação e a defesa do patrimônio histórico público das ferrovias nacionais, está lançando uma Campanha que merece o seu apoio.

O primeiro trem de passageiros de turismo da Região da Zona da Mata Mineira, conhecido com Litorina foi todo reformado com trabalho e recursos financeiros dos Voluntários e Simpatizantes da Ong Amigos do Trem.

Para que a Litorina possa voltar a realizar passeios turísticos faltam ainda equipamentos eletrônicos (equipamentos eletrônicos de comunicação e segurança), e algumas adequações de acessibilidade aos portadores de deficiências físicas.

Assim, foi aberta na Caixa Econômica Federal uma conta com destinação específica para receber doações que possam viabilizar a compra destes equipamentos.

Contamos com seu apoio nesta Campanha em doação de apenas R$ 1,00 (um real), para conseguirmos colocar de volta nosso trem de passageiros nos trilhos.

A Prestação de contas destas doações serão realizadas com apresentação das notas fiscais em nossas Redes Sociais (Facebook, Pagina do Facebook, Grupo do Facebook, site da Entidade e blogs parceiros), junto ao nosso Conselho Fiscal e ao Ministério da Justiça, com isto, demonstrando total transparência do valor doado de cada pessoa.

Visite nosso site e conheça nosso trabalho voluntário e a Litorina que com sua colaboração vai rodar novamente nos trilhos com passageiros em Minas Gerais.

E-mail: amigosdotrem@ig.com.br, mnat@ig.com.br

Site: www.amigosdotrem.com.br

Facebook:https://www.facebook.com/amigosdo.trem

Orkut:http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=ls&uid=12056534742143187233

Cel: (32) 9961-1463/8834-5554

Telefax. Contato Provisório: (32) 3235-0295

Conta para depósito: Caixa Econômica Federal

Nome: Movimento Nacional Amigos do Trem –
CNPJ: 04.717.670/0001-84
Agência: 0126
Operação: 013
Conta: 38.460-4

OBS: Transferência bancária de Caixa para Caixa são isentas de cobrança de taxas e o depósito também pode ser feito nas Casas lotéricas em todo Brasil.

Paulo Henrique do Nascimento
Presidente da OSCIP - Movimento Nacional Amigos do Trem


O Saldo no Valor de R$ 1,238,00, no dia 27/03/2013. Obrigado a todos que estão contribuindo de verdade para este projeto se tornar realidade mesmo que seja com R$ 1,00, o que vale é ajuda e sinceridade e colaboração ao projeto.
Conto com vocês para ajudar em nossa Campanha e divulga juto a seus amigos.
As pessoas com conta no Banco do Brasil, também pode fazer suas Doações por transferência sem taxas pela conta:

Banco do Brasil,
Conta Poupança n.º: 49.878-5, variação 51
Agência nº 0024-8,
CNPJ: 04.717.670/0001-84

Também podem fazer doações com Cartão ou boleto Bancário através da:

http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=194058

Vídeo a respeito da reforma voluntária do Amigos do Trem.

https://www.youtube.com/watch?v=jh0IMuXxE_g

sábado, 30 de março de 2013

Abril mês do ferroviário e de boas notícias


MUSEU DO TREM É REABERTO À VISITAÇÃO PÚBLICA

Acontece na próxima terça, dia 02 de abril, às 10h, no bairro do Engenho de Dentro, a reabertura do museu que conta parte da história ferroviária do Brasil.

Segundo o responsável pela instituição e historiador, Bartolomeu d’ El-Rei, a visitação pública é gratuita e pode ser feita de terça a sexta, das 10h às 15h, sem necessidade de agendamento prévio.

Dentre todo o acervo exposto, o visitante verá a locomotiva nº 01 do Brasil (original), batizada “BARONEZA” em homenagem à esposa do Barão de Mauá, a Sra. Maria Joaquina Machado de Souza, Baronesa de Mauá. Tal locomotiva transportava a família real na época do Império.

A sociedade poderá visitar o interior de outros três vagões que marcaram épocas: como o vagão do Imperador, que transportou o imperador do Brasil; o vagão que foi usado pelo rei Alberto da Bélgica, na década de 20 e o famoso vagão do Estado, conhecido como VAGÃO PRESIDENTE VARGAS, utilizado pelo então presidente Getúlio Vargas em suas viagens oficiais.

Os estudantes poderão ver também as maquetes de locomotivas e vagões feitos pelos alunos da ETE de Transportes Engº Silva Freire, primeira escola de ensino profissionalizante da República, que fica ao lado do museu.

O MUSEU DO TREM estava fechado desde a extinção da Rede Ferroviária, em 2007, quando o governo federal transferiu todos os bens móveis e imóveis de interesse histórico e cultural para o IPHAN. E em 2010, todo o acervo da extinta RFFSA, no RJ foi repassado para a Superintendência do IPHAN/RJ. Sendo que, em 09 de julho de 2102, o historiador Bartolomeu d’ El-Rei “abraçou” a reativação e reabertura do museu e desde então começou a preparar o espaço para a visitação pública, nas condições possíveis no momento.

O MUSEU DO TREM está situado à Rua Arquias Cordeiro, 1046, Engenho de Dentro. Tel: (21)2233-7483 / (21)8879-5180. E-mail: bhdelrei.6sr@iphan.gov.br

domingo, 17 de março de 2013

Biblioteca Nacional Digital


A biblioteca nacional disponibiliza parte de seu acervo de forma digital, pode-se localizar centenas de imagens de ferrovias.

http://www.bn.gov.br/portal/

No menu a esquerda, selecione "Biblioteca Digital". Na nova pagina que se abrir, tem uma caixa de busca, coloque ferrovia ou qualquer nome próximo e divirta-se.



[Estrada de Ferro D. Pedro 2.] : Linha Central, serra: Barreira: kilometro 76 
Coleção Thereza Christina Maria  Direitos Biblioteca Nacional (Brasil) Paracambi (RJ) 


sábado, 16 de março de 2013

Investimento da Vetria em Corumbá vai a R$ 11,5 bi

Por Ivo Ribeiro | De São Paulo
Leonardo Rodrigues/Valor / Leonardo Rodrigues/Valor
Santoro, presidente: "Avaliação da jazida
dá uma nova dimensão ao projeto"
A Vetria Mineração vai ampliar o tamanho de seu projeto de produção de minério de ferro em Corumbá (MS), com embarques em terminal portuário próprio em Santos (SP). O valor do investimento saiu de R$ 7,6 bilhões para R$ 11,5 bilhões, com a nova escala de produção e vendas e a atualização de custos, tornando-se um grande desafio para os acionistas da mineradora estreante.
Avaliações realizada por uma empresa especializada do potencial da jazida, que fica próximo de Corumbá, no maciço de Urucum, indicaram recursos minerais inferidos de 10 bilhões de toneladas - dez vezes o montante estimando antes. "Isso nos dá uma nova dimensão para o projeto", disse ao Valor o presidente da Vetria, Alexandre Santoro.
A certificação da jazida, pela canadense Coffey Mining, é um passo muito importante para a evolução do investimento, afirmou o executivo. Com isso, o novo desenho do projeto, lançado no fim de 2011, prevê uma produção anual de 27,5 milhões de toneladas de minério, contra 20 milhões de toneladas de antes.
A Vetria é uma associação entre a concessionária de ferrovias ALL, com 50,4% do capital, a Vetorial Participações, quera dona da jazida de ferro (33,8%) e a Triunfo Participações e Investimentos, com 15,8%, que detinha a concessão portuária em Santos. Para Santoro, uma das vantagens do projeto é que ele será totalmente integrado: da mina, interligado a uma ferrovia, ao porto. Outro ponto atrativo é a qualidade do minério, com 64,5% de teor metálico de ferro, com cerca da metade de material granulado, o chamado "lump", que tem prêmio no mercado global em relação ao sinter-feed (fino) e ao pellet-feed (superfino).
O executivo observa que, apesar do aumento do volume de recursos no projeto, o custo do investimento por tonelada se manteve igual, em US$ 215. E que o custo de operação também permaneceu no mesmo patamar, na faixa de US$ 40 a tonelada já embarcada no navio. Ao sair de Corumbá, o minério vai percorrer 1,7 mil km até Santos na malha Oeste da ALL, que será modernizada para receber carga pesada.
É justamente no transporte que será alocado a maior parte do investimento projetado pela Vetria - R$ 3,7 bilhões em material rodante (250 locomotivas de 4,2 mil HP de potência e 7 mil vagões) e R$ 2,7 bilhões na via permanente (troca de dormentes, trilhos e construção de pátios). Na atividade de mineração (extração, britagem e classificação de produtos) estão orçados R$ 2,3 bilhões. Para a instalação do terminal portuário, apto a receber navios capsize (de até 180 mil toneladas, saindo com carga de 120 mil) estão previstos R$ 2,8 bilhões.
A empresa vai se enquadrar na figura de usuário-investidor na ferrovia, elevando sua capacidade a 35 milhões de toneladas ao ano e direito de ocupação equivalente ao volume de sua produção de minério. Esse contrato, conforme regras do governo de 2011, está em análise na ANTT, agência reguladora do setor.
A previsão da Vetria é completar a certificação da jazida até o fim do ano - avançando para quantidades indicadas e medidas. "Ao mesmo tempo, vamos buscar todas as licenças ambientais necessárias com o Ibama e as autorizações regulatórias para o terminal, que já tem pedido nos devidos órgãos de governo", informa Santoro. O porto, segundo ele, ficou fora do pacote lançado pelo governo, pois já se enquadrava na categoria de terminal privativo com carga própria.
Esse passo, avalia o executivo, é crucial para definir a etapa de capitalização do projeto. No momento, o modelo é de vender uma participação a sócios estratégicos e até para fundos de investimento institucionais. Não se cogita, ainda, abrir o capital da Vetria em bolsa. Para formatar a engenharia financeira, a mineradora quer contratar um banco de investimento no segundo semestre. A empresa espera obter empréstimos do BNDES.
O cronograma de implantação traçado prevê início de produção no segundo semestre de 2016. No começo, com volume anualizado de 5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, dobrando o número no ano seguinte e alcançando a plena capacidade em 2018. Atualmente, a mina faz 1,2 milhão de toneladas por ano.

Tudo leva a crer que teremos a ALL operando com trens unidade, à base de gôndolas GDT e GDU, o leitor deve ter notado, pela leitura do texto, que está prevista uma total reestruturação da linha, para suportar transporte pesado. Será? Nada mais do que qualquer meia duzia de dormentes novos, se passar disso, a concessionária vai dizer que é uma linha nova. Com a atual linha se colocar uma gôndola de minério vazio é capaz de descarrilar...

MPF denuncia ex-prefeita de Magé por aterrar parte da primeira ferrovia do país

Uma boa notícia!


Creio que se trata da denúncia movida pelos ferroviaristas Luiz Octavio e Carlos Meritello, ambos da AFPF, que moveram essa ação em 2009!!!


Pessoalmente, não sou contra o asfaltamento de trilhos, em Piabetá (ou outro lugar qualquer), pois assim enterrados, eles ficam protegidos do roubo, fato que aconteceu em outros trechos da E.F. Mauá com a supressão de boa parte deles por estarem a céu aberto.


Não se sabe qual será a pena/multa a ser imposta aos culpados....


Contudo, não deixa de ser uma vitória, ainda que tardia.


É bom ter o IPHAN agora do nosso lado.

Bom final de semana,

Antonio Pastori,

Diário de Petrópolis, 07/03/2012

Rio de Janeiro - O Ministério Público Federal (MPF) de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, ofereceu denúncia contra a ex-prefeita de Magé, Núbia Cozzolino, e o então secretário de Manutenção Pública do município, Paulo Afonso Abreu de Oliveira, por dano ao patrimônio cultural.




Em 2009, os dois autorizaram obras no distrito de Piabetá que aterraram parte dos trilhos da Estrada de Ferro Mauá, bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Inaugurada em 1854 pelo imperador dom Pedro II, a ferrovia foi a primeira do país.




De acordo com a denúncia do procurador da República Lauro Coelho Junior, encaminhada à 1ª Vara da Justiça Federal de Magé, a infração foi constatada pelo Iphan em fiscalização feita em 14 de julho de 2009. Na ocasião, as obras foram embargadas e o município de Magé multado. Embora o Iphan tenha determinado a recomposição do trecho aterrado, a prefeitura de Magé não paralisou as obras.




No dia 27 do mesmo mês, o Iphan fez nova fiscalização, em conjunto com o Ibama e a Polícia Federal, verificando que os trilhos permaneciam aterrados para posterior pavimentação da área. Presente no local, o ex-secretário Paulo Afonso de Oliveira confirmou a intenção de construir no local um terminal de vans e um acesso direto ao centro de Piabetá.




Para o MPF, os denunciados desrespeitaram a legislação que protege os bens tombados e persistiram no dano mesmo após o embargo imposto pelo Iphan. Na denúncia, o MPF propõe a Paulo Afonso de Oliveira a suspensão condicional do processo, uma vez que a pena mínima prevista para o crime é de um ano. O mesmo benefício foi concedido a Núbia Cozzolino, contra a qual tramitam diversos processos judiciais.




Membro de uma família que dominou por décadas a política em Magé, Núbia Cozzolino foi deputada estadual e prefeita do município por dois mandatos, a partir de 2004. Com uma gestão marcada por denúncias de corrupção e processos, ela foi afastada do cargo pelo Tribunal de Justiça em setembro de 2009. Núbia teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por cinco anos.




Quase quatro anos depois do dano à Estrada de Ferro Mauá, o Iphan tem hoje uma relação completamente diferente com a prefeitura de Magé, no que se refere à preservação do patrimônio cultural. Segundo informou à Agência Brasil a assessoria de comunicação do órgão, no último dia 28 representantes do Iphan se reuniram com o atual prefeito, Nestor Vidal.




Do encontro resultou a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a prefeitura, o Iphan e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), prevendo a recomposição do trecho aterrado e a revitalização de toda a linha e do museu que conta a história da ferrovia histórica.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Acredite em quem quiser


Seguem abaixo duas opiniões, uma defendendo e outra atacando Bernardo Figueiredo e sua gestão na ANTT orgão responsável por fiscalizar as concessões ferroviárias federais. Sinceramente não creio em inocentes nem de um lado nem de outro.

Entre o público e o privado
02/01/2013 - Veja
O economista Bernardo Figueiredo faz parte de um seleto grupo de assessores que gozam de prestígio junto à presidente Dilma Rousseff. Ele foi assessor especial da Casa Civil quando a então ministra coordenava o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois, foi indicado para o cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), consolidando-se como homem de confiança do governo na área de infraestrutura. No início deste ano, a presidente recomendou ao Senado a renovação do mandato de Figueiredo na presidência da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). O auxiliar trocou uma diretoria de órgão regulador pelo comando de uma estatal. Caiu para cima, sem esconder que fora convocado para fazer um serviço que não estava sendo executado conforme o esperado pelos ministros dos Transportes, dos Portos e da Aviação Civil: “Recebi um pato que anda, nada e voa. Terei de transformá-lo num triatleta”.
Respaldado pela presidente, Figueiredo foi peça-chave na definição das regras de concessão do segundo lote de aeroportos à iniciativa privada. Também está nas mãos dele o desenho das novas licitações de rodovias. Com as medidas, a presidente quer reduzir as tarifas cobradas dos usuários e melhorar a qualidade dos serviços prestados. Figueiredo sabe disso, mas, segundo técnicos do próprio governo, não é a pessoa talhada para cumprir essa missão. Pelo contrário, ele atuaria de acordo com os interesses das empresas e faria vista grossa a irregularidades praticadas pelos concessionários de serviços públicos. É o que sustenta o relatório final de uma comissão especial do Ministério dos Transportes ao qual VEJA teve acesso. A comissão foi criada no ano passado para apurar denúncias de irregularidades cometidas pela empresa América Latina Logística (ALL) ao prestar serviço de transporte ferroviário no Rio Grande do Sul.
Num texto de 112 páginas, concluído em novembro, cinco analistas e especialistas em infraestrutura dizem que a ANTT – que foi dirigida por Figueiredo entre 2008 e 2012 – permitiu que a ALL desrespeitasse de forma sistemática o contrato de concessão, provocando prejuízos à população. Responsável por regular e fiscalizar o mercado, a ANTT teria sido comprada por ele.
“A ANTT vem demonstrando não ter qualquer gerência ou controle sobre a oferta do serviço de transporte ferroviário de cargas”, sustenta um dos trechos do relatório. “Figura-se que sua deficiência está tanto na falta de autoridade quanto na negligência, omissão e descompromisso para fazer valer o total cumprimento das obrigações contratuais.” Os técnicos do governo listam quase duas dezenas de cláusulas desrespeitadas pela ALL para justificar as criticas à agência reguladora. Figueiredo não é citado nominalmente, porque a comissão foi criada apenas para analisar o eventual descumprimento de cláusulas contratuais, mas sua gestão é o alvo principal dos técnicos. Eles criticam, por exemplo, o fato de a ANTT ter tornado as multas aos concessionários um mero exercício de ficção. Entre 2009 e 2011, foram produzidos dezenove relatórios de inspeção no Rio Grande do Sul, dos quais seis resultaram em multas de 10 milhões de reais. “Nenhuma dessas multas foi paga. Segundo informado e também constante da planilha de informações da ANTT, não houve a abertura de processos judiciais para a execução dessas multas”, dizem os técnicos do governo. Eles apontam ainda um problema complementar.
Na gestão de Figueiredo, os fiscais que trabalham na ponta foram proibidos de multar os concessionários, decisão que passou a ser exclusiva da direção em Brasília. Um grupo de fiscais se insurgiu contra a medida. Em reação, a cúpula da ANTT abriu processo disciplinar contra eles. No último dia 19 de dezembro, o procurador da República Osmar Veronese pediu explicações à corregedoria da ANTT sobre o cerco aos fiscais rebelados. Veronese é um dos seis signatários de uma representação do Ministério Público Federal ao Tribunal de Contas da União (TCU) que também denuncia desrespeito aos contratos na área de ferrovias. “Há duas catástrofes no setor ferroviário. Uma é a gestão da ANTT que não autua, não multa e se transformou num escritório de representação das concessionárias. Outra é a qualidade do serviço prestado pela ALL”, diz o procurador. O relatório final da comissão pede a responsabilização das autoridades sem citar nomes. Os alvos preferenciais são diretores e ex-diretores da ANTT. De forma discreta, há sugestão até para que a cúpula do Ministério dos Transportes seja investigada.
Procurados, o ministério e a ANTT não comentaram as conclusões da comissão. Já Figueiredo disse que não foi ouvido nem informado oficialmente do teor do relatório. Para conhecê-lo, ele bateu à porta do gabinete do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. “Eu concordo com 100% do que a comissão e o Ministério Público falam sobre a situação do setor ferroviário e com a angústia decorrente dessa situação, mas os fatos narrados ocorreram antes de eu assumir a ANTT”, alegou Figueiredo. Ele ponderou que, sob o seu comando, a agência passou a multar as empresas, a cuidar do patrimônio da extinta Rede Ferroviária Federal, evitando sua dilapidação pelas concessionárias, e a regular e fiscalizar o setor. Essas medidas meritórias teriam sido ignoradas pelos técnicos que fizeram o relatório. “A minha gestão é responsável por 70% das multas aplicadas pela ANTT”, afirmou, ressaltando não saber quanto, de fato, foi pago. “Na ânsia de encontrarem culpado, as pessoas que fizeram o relatório não levaram em conta o que foi feito, a vida real.” A queda de braço com Figueiredo tem um ingrediente que não aparece no relatório, mas ferve nos bastidores.
Trata-se de um “vício original grave”, nas palavras do procurador Osmar Veronese. Qual seja? Como funcionário da antiga Rede Ferroviária Federal, Figueiredo participou da elaboração da proposta de privatização das ferrovias. Depois, foi executivo de uma empresa que ganhou dois lotes privatizados. Em um dos lotes, essa empresa era sócia justamente da ALL, a quem mais tarde, como diretor da ANTT, Figueiredo deveria fiscalizar e multar. Essas tarefas, segundo a comissão especial dos Transportes, não foram feitas de maneira adequada. Tamanho seria o desrespeito às cláusulas contratuais que o governo, se quisesse, poderia até declarar a caducidade do contrato da ALL. Ou seja: tirar a concessão das mãos da empresa. O procurador diz que houve um claro conflito de interesses. “O fato de eu conhecer todas as etapas do processo só me qualifica”, afirma Figueiredo, que se vê no episódio como vítima de injustiças.
Leia também:


Artigo: De aquários e ferrovias
02/01/2013
Revista ferroviária*Gerson Toller
A piada é velha, mas se aplica:
 Um dia estava Manoel a caminhar pela rua, um livro debaixo do braço, quando encontrou Joaquim:
“O que estás a ler Manoel?”
“Um livro sobre Lógica, Joaquim”.
“E o que é Lógica, Manoel?”
Manoel pensou, pensou e disse:
“Vou te dar um exemplo. O que carregas aí nesse pacote?”
“Ração para peixes”, respondeu Joaquim.
“Então, se compraste ração para peixes, é porque tens um aquário, certo?”
“Certo”, respondeu Manoel.
“E se tens um aquário, deves ter um filho que gosta de olhar os peixes?”
“Certo!”, disse Manoel, encantado.
“E se tens um filho, deves uma mulher, com quem vais ao leito?”
“Com certeza!”
“Então, Manoel, isso é Lógica”, concluiu Joaquim.
Manoel despediu-se e foi imediatamente comprar um livro sobre Lógica. Sentou-se num café no Chiado e começou a ler. Aí apareceu Antonio.
“O que estás a ler, Manoel?”
“Um livro sobre Lógica”, respondeu Manoel, todo orgulhoso.
“E o que é Lógica, Manoel?”
Manoel pensou, pensou e respondeu:
“Vou te dar um exemplo. Tu tens aquário?”
“Não.”
“Então és gay.”
...
Idêntica linha de pensamento foi seguida pela revista Veja, ao publicar, na edição desta semana, na matéria “Entre o público e o privado”, que Bernardo Figueiredo, atual presidente da EPL, porque foi assessor da Rede Ferroviária, sócio minoritário da ALL nas suas origens e presidente da ANTT, compactuou com as estrepolias da concessionária (isto sim assunto para uma bela matéria – atenção redação de Veja). É preciso um esforço de lógica lusitana para crer que existe “vício original grave” entre o passado ferroviário de Bernardo Figueiredo e o fato que ele não cassou a concessão da ALL, como diz o procurador gaúcho citado na matéria. 
Qualquer estagiário de ferrovias no Brasil (com exceção dos engenheiros apotentados da Rede Viação Paraná-Santa Catarina) sabe três coisas: primeiro, que a administração estatal das ferrovias era um desastre; segundo, que o concessionamento no final dos anos 90 salvou o sistema do sucateamento; e terceiro, que resta muito a fazer para recuperar o que existe expandir a malha, aumentar a competitividade, diversificar as cargas, etc. Depois de um ano de formado, o estagiário aprende também que as agências reguladoras, das ferrovias aos aeroportos, são fracas, politizadas e afastadas do público que deveriam servir.
Bernardo Figueiredo é o último dos executivos do governo por quem os concessionários de ferrovias poderiam ter alguma simpatia, quanto mais aliança. Foi ele quem montou as resoluções da ANTT, publicadas em julho do ano passado, obrigando as concessionárias a aceitarem tráfego mútuo umas das outras; estabelecendo metas de produção por corredor, e criando tetos tarifários. Foi ele também quem normatizou as relações entre usuários e operadores, criando uma espécie de manual de defesa do consumidor, que transformou a relação entre clientes e ferrovias, no dizer dos próprios clientes.  Foi ele por fim -- porque a presidenta Dilma nele confia -- que escreveu o Programa de Investimentos em Logística para as ferrovias (e para as rodovias e os portos) permitindo que operadores independentes possam trafegar sobre as malhas concessionadas, pagando pedágio. É o Open Access, que hoje se generaliza na Europa (alô redação de Veja II).
Nada disso impediu que alguns concessionários, a começar pela ALL, abandonassem trechos que não lhes interessavam, vendessem vagões e trilhos velhos como sucata e mandassem os clientes às favas. Na gestão de Bernardo Figueiredo, perto de R$ 100 milhões em multas foram aplicados somente à ALL, que foi denunciadas por crimes ambientais e contra o patrimônio em todas as instâncias do Judiciário. Mas como também acabou por aprender o estagiário, no Brasil, pelo menos até há pouco, condenar é uma coisa e penalizar é outra bem diferente. Pagar multa então nem se fala.
Dito isto, vamos combinar que o fato do Antonio não ter aquário não tem nenhuma relação a preferência sexual dele.
*Gerson Toller, Jornalista, Diretor da Revista Ferroviária

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ANTT publica Declaração de Rede 2013


04/01/2013 

A ANTT publicou no final de dezembro a Declaração de Rede 2013, que é o mapeamento técnico-operacional da malha ferroviária brasileira. O levantamento contempla a estrutura das malhas do país apontando as capacidades de carga de cada trecho, terminais, estrutura das vias, tipos de carga, terminais, oficinas e postos de manutenção de locomotivas e vagões, postos de abastecimentos, aspectos operacionais das concessionárias, entre outros itens.
Os dados permitirão que os interessados em operar determinados trechos possam conhecer as características e com isso planejar as operações. Segundo o superintendente interino de Infraestrutura e Serviços de Transporte Ferroviário de Carga da ANTT, Fábio Barbosa, o levantamento mostra o que já é conhecido no setor, com um detalhamento maior. Ele explica que o mapa mostra alguns trechos com capacidade ociosa e outros mais carregados e que a agência acompanhará os investimentos das concessionárias para ampliar essas capacidades de carga. “Isso é uma fotografia do setor ferroviário como um todo”, resume Barbosa.
Algumas concessionárias já estão realizando investimentos para ampliar sua capacidade.  A Vale está investindo na duplicação da Estrada de Ferro Carajás, que opera com 100% de sua capacidade da via. Em alguns trechos da malha brasileira a utilização da via vai de 0 a 100%. O mapa da ocupação percentual divulgado pela ANTT mostra que o trecho Petrolina-Senhor Bonfim da FCA está com 0%, enquanto Corinto-Sete Lagoas está com ocupação total.
A Declaração de Rede é um fechamento do processo de revisão do marco regulatório ferroviário, publicado em julho do ano passado. O levantamento estava previsto nas resoluções de direito de passagem e tráfego mútuo.
Logo após a publicação das resoluções, a ANTT iniciou a estruturação do material com a colaboração das concessionárias, que participaram de debates e forneceram dados. O documento será atualizado anualmente, com previsão de publicação nos meses de outubro.  Excepcionalmente, a revisão poderá ser feita em intervalos menores, caso haja alguma alteração relevante para a ocupação da rede ou na estrutura da malha.

Os dados (Mapas inclusive) da Declaração de Rede estão disponíveis no site da ANTT, através do link: