Prezados, um milagre aconteceu.
sábado, 12 de agosto de 2017
domingo, 6 de agosto de 2017
Informativo AFPF nº 166
Enquanto carros de passageiros são mandados para a sucata aos montes, olha aí como a Supervia transporta seu pessoal de manutenção:
Foto de Luis Felipe lopes Dias:
https://www.facebook.com/luizfelipe.lopesdias/media_set?set=a.1476723732413573.1073742180.100002278828310&type=3&uploaded=39
Sorria! O povinho da zona sul vale 235x mais do que você!
O estado do RJ investiu na linha 4 do metrô do Rio cerca de 7 vezes o que investiu nos trens suburbanos.
Embora qualquer um possa argumentar sobre o alto custo de escavação de um metrô, não soa razoável queimar tanto dinheiro assim para beneficiar tão poucas pessoas, a não ser que voc~e seja uma madame da zona sul.
A linha 4, que de linha nova só tem o nome, pois é uma extensão da linha 1, é extremamente subutilizada, transportando cerca de metade dos passageiros para que foi projetada. (146mil/dia contra 300mil/dia).
Com os 8,5 bilhões gastos na extensão da linha até o Jardim Oceânico seria possível construir a ligação Estácio-Praça XV da linha 2 e DOBRAR! a capacidade do sistema de metrô. Ou se investir nos trens de subúrbio, que também poderiam dobrar a sua capacidade podendo atingir entre 1 a 1,5milhão de passageiros por dia!
O absurdo é tão grande que pode ser percebido numa conta simples:
Investimento/(passsageiroesperado/dia): metrô 8,5bi/300mil, trem 1,2bi/1milhão.
metrô: R$ 283mil/passageiro-dia
trem: R$ 1,2mil/ passageiro-dia
Relação entre investimentos 235 vezes!
https://oglobo.globo.com/rio/media-de-passageiros-da-linha-4-do-metro-46-abaixo-da-esperada-21214768
http://p-web01.mp.rj.gov.br/Arquivos/RAP/Estudo_Demanda.pdf
http://lauaxiliar.blogspot.com.br/2012/10/o-metro-que-o-rio-precisa-tempos-atras.html
sábado, 15 de julho de 2017
Estrada de ferro rio d'ouro traçado
Pespectiva do traçado da Estrada de Ferro Rio d'Ouro , criado por Marcio Sette
ESTRADA DE FERRO RIO D'OURO, GARANTIA DE ÁGUA PARA O RIO DE JANEIRO
Em 1896, época que os trens de passageiros passaram a circular com melhor regularidade partindo do Caju, atravessavam a rua Bela, Benfica etc. até passar por Irajá em direção à Pavuna. Nesta estação, última parada antes de adentrar a Baixada, vê-se o antigo canal onde ficava o porto rodeado de trapiches outrora pertencentes ao Comendador Tavares Guerra. Próximo a ele, uma estátua em ferro de mulher oferecia água aos passantes por uma cornucópia, chamada de "Bica da mulata".
Nas terras de Meriti, os trilhos foram assentados sobre a antiga "Estrada da Polícia", que partindo da Pavuna, iam encontrar-se com as terras de "Iguassú", em continuação à estrada que, vindo da Corte, finalizava no Rio Preto. A próxima estação é Vila Rosaly, que substituiu a "Parada Alcântara", e homenageou a esposa do Dr. Rubens Farrula, iniciativa da Empresa Territorial Lar Econômico, loteando as terras denominadas "Morro da Botica" ou dos "Barbados", em referência aos pastores israelitas que residiam próximo ao cemitério dessa comunidade e usavam barbas longas.
Coelho da Rocha - recebeu o nome do proprietário dessas terras, Manoel José Coelho da Rocha, que as cedeu para a passagem dos trilhos e colocação dos dutos, lutando posteriormente para sua transformação em transporte de passageiros. Seu neto Almerindo Coelho da Rocha, herdeiro do que sobrou da antiga fazenda criada por Cristóvão Mendes Leitão em 1739, desfez-se dela, vendendo-a para loteamento.
Belford Roxo - Antiga fazenda do Brejo e anteriormente, Calhamaço, lembrando o antigo canal do calhamaço aberto pelo Visconde de Barbacena (seu antigo proprietário), e que formava um braço do Rio Sarapuy. Sua estação recebeu este nome em homenagem a Raimundo Teixeira Belford Roxo, chefe da 1ª divisão da inspetoria de águas. Havia em frente a esta estação um artístico chafariz de ferro jorrando água, que o povo denominou de "Bica da Mulata", cuja figura mitológica de uma mulher branca sobraçando uma cornucópia oferecia aos passantes o líquido precioso, que a oxidação do ferro transformou em "mulata". Cópia da estátua existente na Pavuna.
Areia Branca - Como o nome sugere esta parada era cercada de extenso areal.
Heliópolis - Hélios = sol; polis = cidade, ou cidade do sol. Denominação de uma antiga cidade do Egito cujos habitantes adoravam o Deus Rá.
Itaipu - Ita = pedra; ipú = onde a água faz ruído, do Tupi-guarani, onde a água estronda.
Retiro - Nome do rio que esta ferrovia transpunha (Atual: Miguel Couto).
Figueira - Nome do proprietário das terras em que foram assentados os trilhos.
José Bulhões - Também proprietário da localidade pertencente à povoação de Cava, início de outro ramal com destino a Tinguá.
Cachoeira - Em suas terras corriam volumosas águas que desciam da Serra do Comércio, compostas dos rios Sabino e Boa Vista, servindo às adutoras do São Pedro.
Paineira - Homenageia uma árvore abundante no Sudeste, da família das malváceas (Atual: Adrianópolis).
Rio do Ouro - Faz jus ao rio do mesmo nome que corre pouco além de sua estação.
Santo Antônio - Neste trecho, a linha atravessava as terras da fazenda da Limeira, pertencentes à Finnie, Irmãos & Cia., e corria sobre três pontilhões.
Saudade - Parada que assimilou o nome de antiga fazenda da região ainda dos tempos das sesmarias, pertencente a uma família portuguesa.
São Pedro - Era o ponto final da linha deste ramal situada na base da serra do Couto. Os trilhos, porém, prosseguiam para o caso de manutenção até atravessarem os córregos Maria da Penha, Jequitibá e o Rio São Pedro, chegando à casa do administrador, limites do morgadio de Matto Grosso e nas vizinhanças das terras do Marquês de São João Marcos, Pedro Dias Paes Leme, descendente de Fernão Dias, o caçador de esmeraldas (Atual: Jaceruba).
Sub-ramal do Tinguá:
José Bulhões - Início dos trilhos que partiam em direção Norte em busca da raiz da serra do Tinguá.
São Bernardino - Situada em terras da fazenda São Bernardino, pertencente a Jacintho Manoel de Souza e Mello, um dos opulentos comerciantes da Vila de Iguassú, com a firma Soares & Mello, onde se vê sua bela casa assobradada em uma elevação do terreno e sinalizada por um caminho que, partindo da estação e ladeado por uma alameda de palmeiras imperiais, ia terminar à entrada principal deste palacete.
Iguassú - Sinalizava a região da antiga Vila de Iguassú. Com uma estrada perpendicular à linha, encontrar-se-ia esta antiga sede do Município e um dos portos fluviais mais notáveis da então Província do Rio de Janeiro.
Barreira - Próximo a esta parada, os trilhos cortam um morro argiloso, justificando seu nome. Aqui foram instaladas nos anos 30 as "granjas da Conceição" que dividiram uma área de 200 alqueires em lotes para chácaras e sítios.
Tinguá - Fim de linha na velha estação de passageiros. Situada à margem esquerda da serra velha, entretanto, seus trilhos continuavam para a direita na extensão de 6 km, até a represa do Bacuburú.
Sub-ramal do Mantiquira :
Belford Roxo - Partindo desta estação em direção Nordeste, a linha transpõe o Rio Botas e atinge a garganta do Manuel Ignácio, cujo nome se refere a Manoel Ignácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, Márquez de Itanhaém, senhor do morgadio de Matto Grosso, cujas terras pertenceram ao Brigadeiro Francisco de Paula de Bulhões Sayão. Assim como a Fazenda Monte Alegre, que entre seus herdeiros, contava com D. Alice Sayão, casada com o Dr. João de Carvalho Araújo, que viria a ser diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Aurora - Nome também de uma velha fazenda que existiu na região, cortada pelos Rios Sayão, Botas e o Rio Baby.
Baby - Nome da parada, herdado do rio que era atravessado um pouco antes.
Parada 43 - Era antiga posição quilométrica da parada a contar do Caju (42.408m).
Lamarão - Do radical de "lama", significa a lagoa formada pelas chuvas nas depressões do terreno.
Mantiquira ou Mantiqueira - Antiga "João Pinto". Deu-lhe o nome o rio em cujo vale estende-se a linha que se dirige às represas do Galrão. É a estação de entroncamento da linha do Xerém. Está situada na velha Fazenda da Posse, pertencente à família Pereira de Sampaio. Dos mananciais que abasteciam o Rio de Janeiro é o Mantiquira o que contribuía com maior volume de água.
Galrão - Parada e fim da linha situada na antiga fazenda do Cônego Galrão, comprada pelo Governo em 1886 ao seu então proprietário Manuel Ubelhart Lengruber.
Mantiquira a João Pinto - Outro ramal partindo da Mantiquira tomava rumo Norte e passava por Piedade. Pequena parada, após transpor 8 bueiros até chegar em Xerém.
Xerém - Situada na povoação que constituiu a sede do 6º distrito do Pilar, no Município de Nova Iguaçu, tem seu nome originado no antigo proprietário dessas terras, o inglês John Charing, que desde 1725, estava ocupado em alugar barcos para transporte, através do Rio do Couto (ou Pilar), na passagem do Caminho do Ouro. Convivendo com escravos e pessoas de pouca instrução, teve seu nome modificado para Cherem e, posteriormente, definindo sua corruptela em Xerém.
João Pinto - Final da linha deste sub-ramal junto à represa para a captação das águas do rio do mesmo nome.
Registro - este sub-ramal partia de Xerém em direção às represas do Covã, Itapicú, Paraíso, Alfa e Perpétua.
(Guilherme Peres, historiador e pesquisador do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense-IPAHB)
Bibliografia:
BARROS, Ney Alberto Gonçalves, "Estrada de Ferro Rio D'Ouro", Apostila, 1999, RJ; SANTOS, Noronha, "Meios de transporte no Rio de Janeiro", Biblioteca Carioca,1996, RJ; VASCONCELOS, Max, "Vias Brasileiras de Comunicação", Imprensa Nacional, 1935, RJ.
(Publicada em "O MUNICIPAL", Edição Nº 9064, de 14 A 28-04-2006, pg. 5. CONCEPÇÃO: ALBERTO MARQUES E JOSUÉ CARDOSO)
quarta-feira, 21 de junho de 2017
sexta-feira, 9 de junho de 2017
segunda-feira, 5 de junho de 2017
MP cobra R$ 3 bi por fraudes na linha 4 do Metrô e acusa Cabral, Júlio Lopes e empreiteiras da Lava-Jato
Processo contra 30 réus aponta que fraude na obra teve grande peso na crise financeira do Estado
O GLOBO - POR CHICO OTAVIO E DANIEL BIASETTO - 03/05/2017
RIO
- A Odebrecht criou um atalho para driblar a lei e assumir a construção
da Linha 4 do Metrô do Rio sem disputar licitação. A manobra, que
consistiu em comprar a participação de uma empresa no consórcio
construtor, o Rio Barra, pouco mais de dois meses antes do início das
obras, é uma das principais acusações da ação civil pública movida pelo
Ministério Público do Estado do Rio contra 30 réus envolvidos na fraude,
entre os quais o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-secretário de
Transportes Júlio Lopes e empreiteiras que participaram do consórcio.
A
Odebrecht entrou no consórcio 11 anos após a licitação da obra, feita
em 1998, na gestão Marcello Alencar. De acordo com a ação civil, o
governo do estado, em vez de abrir uma novo processo licitatório, já que
as obras estavam paradas há mais de uma década, permitiu que a
empreiteira participasse da construção da Linha 4 após pagar R$ 11
milhões para participar no lugar da Constran S/A, um das três
integrantes do consórcio original, ao lado da Queiróz Galvão e Trans
Sistemas de Transportes S/A.
Em
delação premiada, o vice-presidente da Odebrecht Benedicto Júnior
contou que além de comprar a participação da Constran S.A. no consórcio
vencedor da obra, por R$ 11 milhões, também foi obrigado a pagar propina
ao ex-governador e para o ex-secretário estadual.
A
ação pede ainda o ressarcimento do prejuízo aos acusados no valor de R$
3,17 bilhões, além da condenação dos responsáveis pelos atos de
improbidade por ilegalidades contidas e geradas pelos termos aditivos
adicionados aos contratos e reparação por danos morais coletivos.
O
primeiro termo aditivo dos quatro que a obras sofreu ocorreu em
fevereiro de 2010, ano eleitoral, dois meses depois da troca de empresas
que formavam a Concessionária Rio Barra S/A.
Os
promotores identificaram problemas na mudança de traçado, na
metodologia de escavação e na antecipação dos pagamentos. Também
sustentam que o governo estadual aumentou o aporte de recursos,
inicialmente previsto para 43% do total da obra, para 89%.
Também
foi verificada nova antecipação de valores pelo Estado para compra do
equipamento conhecido como "Tatuzão" e ficou registrado, por fim,
sobrepreço de 675% no valor inicial da obra, aumentando o custo para o
erário em quase 8 vezes, passando de R$ 1,19 bilhão na contratação
original em 1998 para R$ 9,2 bilhões, em 2011.
Além
de Cabral e Lopes, estão na mira do MP-RJ o ex-secretário de
Transportes e deputado estadual Carlos Osorio (PSDB-RJ), o diretor da
RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, e o subsecretário de Turismo,
Luiz Carlos Velloso (ex-subsecretário estadual de Transportes na gestão
de Sérgio Cabral), esses dois últimos presos no âmbito da operação
“Tolypeutes", desdobramento da Lava-Jato no Rio.
-
Ao lado do sentimento de revolta - muitas vezes manifestado através das
multidões, ganhando as ruas no entorno da Alerj - também a repercussão
criminal dos fatos associados à construção da Linha 4 demonstra, por um
lado, o alto grau de reprovação social. Isso evidencia a necessidade de
condenação dotada de caráter punitivo-pedagógico, para que condutas
semelhantes não venham a se repetir no futuro - afirma na ação a
promotora Liana Barros Cardozo.
A
ação pede ainda o ressarcimento do prejuízo aos acusados no valor de R$
3,17 bilhões, além da condenação dos responsáveis pelos atos de
improbidade por ilegalidades contidas e geradas pelos termos aditivos
adicionados aos contratos e reparação por danos morais coletivos.
A
condenação por improbidade pode resultar na perda de bens obtidos
ilicitamente, ressarcimento dos danos materiais, perda da função
pública, 8 a 10 anos de suspensão de direitos. Na ação, os promotores
pedem ainda, em caráter liminar, o bloqueio dos bens dos réus, o
compartilhamento de provas produzidas pela Lava-Jato e a glosa dos
valores ainda não pagos.
"A maior
crise já vivenciada pelo Estado não teria o vulto atual sem os gastos da
Linha 4, sendo reflexo direto dos fatos retratados nesta petição
inicial e em outros efeitos - referentes a isenções fiscais ilegítimas,
obras do Arco Metropolitano e do Maracanã - deflagrados em face do
ex-governador, hoje preso preventivamente, e de colaboradores diretos",
sustentam os promotores responsáveis pela ação.
O
Ministério Público também menciona relatório técnico do Tribunal de
Contas do Estado (TCE-RJ) para individualizar as inúmeras
irregularidades cometidas no planejamento, gestão e execução do contrato
da Linha 4 do metrô, durante março de 2010 a outubro de 2015.
O
ex-governador é responsabilizado, ao lado do deputado federal Júlio
Lopes (PP-RJ), por três dos quatro aditivos sofridos pela obra e que são
alvos do processo. o quarto aditivo está na conta de Luiz Fernando
Pezão e Carlos Osório (ex-secretário de obras).
A
prisão do diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, e do
subsecretário de Turismo, Luiz Carlos Velloso (ex-subsecretário estadual
de Transportes na gestão de Sérgio Cabral), acabou por trazer à tona o
nome do ex-secretário de Transportes Júlio Lopes ao escândalo. O GLOBO
revelou que ele já é alvo de um inquérito aberto pelo procurador-geral
da República, Rodrigo Janot no Supremo Tribunal Federal (STF).
Duas
delações de executivos da Odebrecht apontam para o recebimento de
propina por parte do deputado carioca. O diretor de contratos Marcos
Vidigal contou à força-tarefa que Lopes pediu a participação de 0,5%
sobre o valor total dos três trechos das obras da Linha 4 (Trecho Oeste,
Trecho Sul e General Osório). Segundo o delator, Lopes recebeu R$ 4
milhões de 2010 a 2014.
Quando
comemorou o início das obras da Linha 4 do Metrô, em janeiro de 2010,
Cabral afirmou que não queria um solução fácil de engenharia, e sim um
traçado que fosse atrás do consumidor. E estimou o custo total da
empreitada em R$ 4 bilhões. Os recursos viriam da União, da
concessionária prestadora do serviço, de empréstimos e do próprio
Estado. Sete anos depois, os gastos com com a nova linha mais que
dobraram.
Em seu depoimento à
força-tarefa do Ministério Público Federal, o vice-presidente da
Odebrecht Benedicto Júnior explica como o ex-governador influenciou e
ajudou a articular o ingresso da empreiteira no consórcio.
Após
a escolha da cidade como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, a Odebrecht
jogou pesado para integrar o consórcio responsável pela construção do
trecho que ligaria a Zona Sul à Barra da Tijuca, que ficar apenas no
papel desde 1998 e foi reativado por conta dos eventos como a Copa de
2014 e a Olimpíada em. Para isso, a empreiteira comprou a participação
de uma das empresas do grupo Queiróz Galvão - Constran S/A - por R$ 11
milhões e passou a exercer a preferência do contrato, depois de pedir
para que o ex-governador intercedesse a favor da empreiteira.
Em
sua delação , Benedicto diz que Cabral embolsou R$ 50,5 milhões em
propina pagas por meio de caixa dois durante a implantação do projeto da
Linha 4 e por diversas vezes o pressionou para discutir pagamento de 5%
dos valores.
O
executivo revelou ainda que, no meio da execução da obra, as
construtoras que participavam do consórcio — Odebrecht, Queiroz Galvão e
Carioca Engenharia — foram chamadas por Cabral. O ex-governador teria
solicitado a inclusão no grupo de mais três empreiteiras: Andrade
Gutierrez, OAS e Delta.
Benedicto
Júnior afirmou que OAS e Andrade Gutierrez seriam bem-vindas, uma vez
que a primeira era dona da concessionária Metrô Rio e a segunda é uma
das empresas brasileiras com maior experiência em obras de metrô. No
entanto, o consórcio resistiu à inclusão da Delta.
As
obras foram iniciadas em março de 2010, pelo Trecho Oeste, enquanto que
as obras do Trecho Sul só foram iniciadas em outubro de 2012. A
previsão inicial de conclusão das obras e a entrada em operação da Linha
4 era o mês de junho de 2016, porém apenas a ligação entre a Barra
(Jardim Oceânico) e Ipanema (Estação General Osório) entrou em operação
nesta data. Atualmente a Estação Gávea tem previsão para estar concluída
em janeiro de 2018 (segundo o termo aditivo nº 4). Um inquérito civil
apura apura a paralisação da obra.
O
MPF ressalta ainda que os consórcios, mesmo diante da situação
financeira "sabidamente calamitosa", não atentaram para o aviso do
TCE-RJ já em 2009, e seguiram gastando mais e mais com a construção do
metrô, quando o investimento teria que ser direcionado para outras
áreas.
"Assinando
os Termos Aditivos a despeito da falta de Projeto Básico, coleta crível
de preços atuais, estudo de viabilidade econômica e técnica e, em
última análise de uma nova licitação, os réus contribuíram para o
agravamento da situação financeira do Estado, fazendo com que uma
conjuntura desfavorável se transformasse na maior crise da história do
Rio", afirma a promotora Liana Barros Cardozo.
A
Linha 4 do metrô já foi identificada pela força-tarefa da Operação
Lava-Jato no Rio como fonte de propina para alimentar o suposto esquema
de corrupção comandado por Cabral no estado. As revelações foram feitas
por executivos das construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia,
que firmaram seus acordos de colaboração antes dos funcionários da
Odebrecht.
Na
semana passada, O GLOBO mostrou que, antes mesmo da publicação dos
editais de licitação para grandes obras urbanas no Rio de Janeiro, o
então governador Sérgio Cabral definia pessoalmente a quantidade de
lotes, os consórcios que ficariam com cada um, os percentuais de
participação das empresas e quem seria a líder da empreitada.
No
caso da linha 4 do Metrô do Rio, o projeto havia começado em 1998.
Cabral não podia, portanto, definir a licitação, mas cobrou pagamentos
para atender a um pedido de Benedicto. Pelas planilhas apresentadas por
Benedicto, o Arco Metropolitano, o PAC das Favelas e o metrô da linha 4
renderam a Cabral pagamentos da ordem de R$ 68,6 milhões.
Antes
desses três projetos, a Odebrecht já tinha repassado R$ 15 milhões para
Cabral: R$ 3 milhões na época da campanha, em 2006, e R$ 12 milhões no
início do mandato, após o governador eleito pedir dinheiro para cobrir
dívidas. Mas, de 2007 a 2014, o total identificado por Benedicto para
Cabral chega a R$ 94 milhões, associados a diversas obras, como o
Maracanã.
Em
novembro do ano passado, o plenário do Tribunal de Contas do Estado
(TCE-RJ) reprovou as contas das obras da Linha 4 do Metrô após auditoria
realizada pelo corpo técnico da casa concluir que a obra trouxe
prejuízo de R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos.
Por
unanimidade, os conselheiros do TCE, aprovaram o voto do relator José
Gomes Graciosa para determinar que estado e empreiteiras apresentem
defesa ou devolvam R$ 1.297 bi aos cofres públicos, por irregularidades
como obras previstas mas não executadas, serviços em desconformidade com
as especificações contratadas e quantidade executada superior à
necessidade. As empreiteiras também terão que apresentar defesa sobre R$
1.193 bi em sobrepreço nos contratos.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
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