segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Porque o leilão da supervia é um grande erro?



Recentemente foi anunciado pelo governo do estado do RJ o leilão como sucata de 97 trens unidades elétricos - TUE, antes operados pela supervia. Esses carros serviram por muitos anos aos passageiros dos trens de subúrbio do Rio em momentos distintos operados por empresas distintas: Central do Brasil, CBTU, Flumitrens e Supervia. Um dos motivos de leilão é que, além da obsolescência do material rodante, os carros estão ocupando grandes espaços nos depósitos da Supervia em São Diogo e Deodoro, que precisam ser liberados para receber novos trens.
Tenho recebido dezenas de e-mails de pessoas, e entidades preservacionistas, indignadas com o leilão de trens da Supervia, autorizado pelo Estado, indignados porque esse material foi considerado, erroneamente, como inservível e será vendido a preço de sucata de ferro.
Essa situação nos remete a um problema que tira o sono das ferrovias e de entidades de preservação ferroviária em geral: quando e como realizar a substituição do material rodante?
No Brasil o tema é uma recorrente dor de cabeça basta olhar os exemplos da inventariança da RFFSA que deixou milhares e milhares de toneladas de equipamentos em diferentes estados de conservação espalhados país a fora.


Material descartado pela FCA e pelo governo do estado do RJ oriundo do pátio de Praia Formosa, atualmente aguardando destinação pelo DNIT. Foto de Luiz Felipe Lopes Dias.

Há uma corrente de pensamento forte especialmente no Brasil de que "isso é sucata mesmo, não serve mais para nada, trem com 30 anos é lixo mesmo", acredito ser errônea essa posição dados os exemplos no Brasil de importação bem sucedida de locomotivas usadas pelas concessionárias dede carga e a grande indústria de remanufaturamento de material rodante existente nos EUA, onde uma vez aposentado nas ferrovias classe I o material rodante tende a ser recondicionado ou modernizado para ser posto em tráfego novamente ou desmontado criteriosamente para a obtenção de peças de reposição a baixo custo, vide o exemplo das várias indústrias especializadas neste tipo de serviço inclusive a National Railway Equipment – NRE que forneceu locomotivas modernizadas SD40-3MP para a MRS e fabrica locomotivas modelos GENSET feitas a partir de máquinas sucateadas, a MRS, aliás, que tem em sua frota várias máquinas modelo C30-7MP feitas a partir de locomotivas U23C e C36ME a partir de U30C’s. Mesmo na Europa temos exemplos de trens como os carros de passageiros usados vindos da França para Portugal e dos TGV de serviço postal convertidos a partir de TGVs para passageiros. A NRE que além de reformar material também realiza serviços de desmontagem para a obtenção de peças
Voltando a supervia apesar do anseio do passageiro por trens novo surgem algumas perguntas: será que a troca total da frota é realmente necessária? Somos um país rico o suficiente para isso? Não estamos recessão? Não faltam trens na Supervia, por exemplo? Então, porque vender esses carros?
Em geral o material ferroviário tem durabilidade secular e podem ter serventia mais nobre antes de serem irremediavelmente picotas pelo maçarico.
No caso específico de TUEs a obsolescência é definida mais pelas falhas eletromecânicas dos sistemas de tração do que pelas falhas puramente mecânicas dos demais sistemas do trem, pois as primeiras tendem a ser muito mais frequentes que as últimas.
Normalmente a quantidade de falhas tende a ser diretamente proporcional a idade do equipamento aumentando conforme o envelhecimento, porém outros fatores como a adequada manutenção e a robustez/adequação do equipamento ao serviço refletem nessa relação, vejam o exemplo abaixo:







Extraído do relatório de atividades 2013-07-julho AGETRANSP

As tabelas acima mostram a disponibilidade dos trens da supervia, os trens das séries 400 e 1000 são os mais antigos da frota (décadas de 60 e 50 respectivamente), no entanto apresentam taxas de falha substancialmente menores que a dos trens das séries 500, 700, 800, 900 (adquiridos entre 1977 e 1982) 9000 e 8000 (1996), os trens da série 8000 apesar de relativamente novos (1996) são os que possuem pior desempenho. Os trens da series 2000 e 3000, novos, apresentam disponibilidade muito maior que todo o restante da frota.
O fenômeno acima pode ser explicado pelas características técnicas do equipamento os trens da série 400 e 1000 possuem sistemas de conversão de tensões CC-CA baseados em ineficientes, porém robustos motores-alternadores, os trens mais modernos utilizam sistemas de semicondutores muito menos resistentes às práticas de manutenção e operação dos subúrbios do RJ.
Também podemos notar que há uma oscilação no MKBF dos trens que reflete a influência da prática de manutenção sobre o equipamento, e daí podemos inferir que apesar de superior ao restante da frota o MKBF dos trens novos logo deve começar a abaixar e atingir o mesmo patamar dos demais trens, podemos claro imaginar a troca contínua do material rodante não parece ser uma resposta economicamente efetiva.
Dessa forma parece que realmente se deve aposentar toda a frota antiga, porém deve-se observar que a experiência internacional mostra que a vida útil de TUEs sem grandes reformas é de no mínimo 30 anos chegando facilmente a casa de 50, vide a tabela abaixo com alguns dos TUEs no nordeste dos EUA:
Modelo
Material da caixa
Introdução/Retirada
Vida útil em anos
SLI
Inox
1958-1990
32
SLII
Inox
1963-2012
49
SLIII
Inox
1967-2012
35
SLIV
Inox
1973
42+
SLV
Inox
2009
6+
Highliner
Aço carbono
1971
44+
Highliner
Inox
2005
10+
Lackawanna MU
Aço carbono
1930-1984
54
Pioneer III
Inox
1958–1990
32
M1
Inox
1967-2007
40
M1A
Inox
1971-2009
38
M3/M3A
Inox
1984
31+
Arrow III
Inox
1977
38+
MP54
Aço carbono
1908-1981
73

Veja exemplos como os Bondes de centenas de cidades mundo afora, incluindo o Rio de Janeiro. Os da cidade de Los Angeles, por exemplo, trabalharam por décadas em Lisboa e ao serem substituídos por mais novos foram comprados, reformados e hoje continuam funcionando, prestando serviços e encantando quem visita aquela cidade.
E hoje em Lisboa, diversas gerações de Bondes (que agora se chama de VLT) convivem. Não destruíram os antigos. Acrescentaram os novos.
Os carros de fabricação da ACF e Toshiba que rodam hoje no subúrbio de Salvador-BA são respeitáveis sessentões, alguns dos quais rodaram antes no interior de São Paulo e alguns dos quais atenderam antes Belo Horizonte e cidades vizinhas.


 TUE Toshiba reformado. Foto site VFCO

No caso da supervia as novas composições compradas não repõem a totalidade de carros retirados de circulação. Ainda faltam trens em circulação para atender a demanda tanto que várias unidades se das séries 500, 700 e 900 foram climatizadas e serão mantidas em circulação mesmo com a atual revisão do programa de modernização da supervia o total de 230 trens ainda é inferior aos 250 operados pela CBTU na década de 80.

Em maio o estado anunciou a revisão do programa de modernização dos trens e alterou a meta apresentada na tabela abaixo reduzindo o total de trens de 231 para 201, em compensação pretende substituir 47 dos 91 trens reformados por trens novos (25 já encomendados).

O custo de aquisição de um carro de TUE novo é de R$ 1,75 a 3,5 milhões de reais enquanto o custo de reforma é de cerca de R$ 111 mil a 220mil. Ou seja, com o dinheiro que o estado do RJ pretende gastar com a compra de 22 trens chineses seria possível reformar toda a frota morta da supervia.


Portanto julgo que seria bastante conveniente que dos carros a serem leiloados fossem retidos para reforma e climatização os trens das séries 500,700, 900/9000 o que permite uma sobrevida de cerca de mais 15 anos ao material e o atendimento a meta inicial de 231 trens em circulação.

Mesmo levando em consideração o levantamento da ANTPTrilhos onde a frota consome em média 30% mais energia elétrica que os modelos novos ou modernizados e que a energia elétrica significa 25% dos custos totais da SuperVia, e 16% dos gastos mensais da CPTM, a economia sobre os juros do capital investido nos trens novos e a sua respectiva depreciação parecem absorver a vantagem sobre a diminuição do custo operacional e de manutenção.

Os trens das séries 400 e 1000 por serem de aço carbono (questão importante numa região litorânea como o Rio de Janeiro), não possuírem um projeto de climatização e possuírem um padrão de três carros ao invés de quatro ou oito dos TUES mais novos devem realmente ser baixados.
Ainda que se decida pela alienação da frota o puro e simples leilão de sucata não parece ser a destinação correta do material, o dinheiro arrecadado com a venda como sucata é irrisório comparado ao custo a ser desembolsados com compra de material rodante mesmo os mais modestos. Na realidade, sem erro algum na comparação, se rasgará dinheiro ao tratar este material como uma sucata que não é. Na verdade, um lote de 108 carros deteriorados foi objeto de ação judicial movida pelo governo do Estado contra a Supervia em 2007, o que resultou no reconhecimento, por parte da concessionária, de um débito de 96 milhões de reais, em 2005 o leilão de 83 carros gerou 60,3 milhões de reais.
Segundo o Governo do Estado, os recursos arrecadados deverão ser reaplicados em melhorias no sistema de trilhos do Estado, o que será muito pouco vis a vis às demandas de investimentos bilionários que o modal ferroviário requer. O que será arrecadado nos leilões será muito pouco, pois cada carro pesa entre 15 e 20 toneladas e será vendido a preço de sucata de ferro (R$ 0,70/kg) pretendendo arrecadar R$ 1,5 milhão o que não pagaria nem mesmo um único carro novo de TUE.
Cobre Mel                                       R$ 13,00 / kg
Cobre Misto                                    R$ 12,00 / kg
Alumínio Bloco (Limpo)                R$ 2,30 / kg
Antimônio (Zamak)                        R$ 1,50 / kg
Aço Inox                                         R$ 2,00 / kg
Alumínio Chaparia                         R$ 2,90 / kg
Bronze                                            R$ 7,50 / kg
Ferro                                               R$ 0,20 / kg
Chumbo                                          R$ 1,80 / kg
Bateria (Caminhão)                        R$ 45,00 / unidade
Aço                                                 R$ 7,50/Kg
Observando-se a tabela acima percebemos que o valor de leilão está subfaturado apenas o peso destes vagões em aço dá mais do que a receita anunciada pelo estado, isto se desprezando o fato de que estes vagões em sua maioria são feitos de aço inox e não ferro, o aço inoxidável possui valor de revenda muito maior, fora as toneladas de cobre e outros metais mais valiosos contidas em grande quantidade no sistema elétrico destes trens.
Fora peças que podem e são reaproveitadas em outros trens e ferrovias, os motores de tração lâmpadas, sistemas de freios, ventiladores, engates e vários outros componentes destes trens são compatíveis ou exatamente os mesmos dos trens de Salvador (séries 1000 e 400), Recife (série 800/8000), Belo Horizonte (900/9000), Porto Alegre (500, 700).
Além disso as instalações de manutenção e construção ferroviária do estado do RJ encontram-se operando bem abaixo da sua capacidade máxima, a desmontagem criteriosa ao invés do simples corte seria fator de geração de demanda emprego e renda para a indústria.
Mesmo a justificativa da necessidade de abertura de espaço nos pátios para recebimento de material novo não cabe, pois a supervia dispões de várias áreas grandes sem utilização que podem funcionar como depósito até uma destinação mais adequada aos carros a serem baixados:
ÍNDICE DE TERRENOS DISPONÍVEIS
Arquias Cordeiro          Área: 9.314 m²
Cosmos                         Área: 9.115 m
Santa Cruz                    Área: aprox. 126.115,00 m²
Guapimirim                  Área: aprox. 23.000 m²
Paciência                      Área: aprox.3.000 m²
Imbariê                         Área: aprox.6.000 m²
Vila Inhomirim             Área: aprox. 2.000 m²
Engenheiro Pedreira     Área: aprox. 1.400 m²
Japeri                            Área: aprox. 12.800 m²
Rua Ceará                     Área: aprox. 17.600,00 m²
Ótimo que carros mais modernos circulem na cidade do Rio de Janeiro, mas os carros no pátio da Supervia podem circular e atender dezenas de cidades no próprio Estado do Rio e no Brasil, onde não existe serviço ferroviário de passageiros. Vide o exemplo dos trens metroliner nos EUA hoje convertidos para carros reboque em tráfego na AMTRAK, a não existência de redes elétricas não significa absolutamente nada de empecilho para a utilização de carros de TUEs. Eles podem ser utilizados REBOCADOS, SEM ALTERAR SUA BITOLA (1,6 m) podemos imaginar seu uso em trechos como: Japeri – Barra do Piraí, Três Rios – Paraíba do Sul, Resende-Volta Redonda, Miguel Pereira – Paraíba do Sul, Itacuruçá – Mangaratiba, Belo Horizonte – Sete Lagoas (MG), e a expansão do serviço de trens urbanos e trens regionais, há no contrato de concessão da supervia a previsão de extensão dos serviços de trens até Itaguaí em tração a diesel de bitola larga, o material rodante ideal para tal é justamente o que vai ser leiloado. Também existem as demandas de trens regionais entre o Rio de Janeiro e Campos, demandas apresentadas dentro das audiências públicas da implantação da EF118.ALTERANDO A SUA BITOLA (para 1,0 m) seus usos explodem tantos são os trechos. Destaco a modernização das composições que atendem aos ramais de Guapimirim e Vila Inhomirim, os trens a serem alienados por serem de aço inox resistem melhor ao ambiente abrasivo da região do fundo da Baía de Guanabara melhor do que os trens hoje operados pela supervia, inclusive os trens a serem alienados são mais novos que as composições em usos nestes ramais, embora estes ramais sejam de bitola métrica no passado durante a administração da CBTU houve a transferência de trens elétricos da bitola larga para servirem como carros reboque diesel na bitola métrica.
 
TUE série 100, em Gramacho (Duque de Caxias-RJ) em 1986 após ser aposentado dos serviços de bitola larga foi transferido para a métrica aonde chegou a ser operado pela supervia no ramal de Vila Inhomirim aos 75 anos de idade. Foto Hugo Caramuru.
Fora a utilização comercial no Brasil são dezenas de possibilidades e de iniciativas de trens turísticos que não deslancham por falta de material rodante, uns dos maiores empecilhos para a implantação e inúmeras delas poderiam ser beneficiados com estes carros permitindo que saiam do papel. Hoje no estado do RJ há pelos ao menos quatro projetos de trens necessitando de material rodante e que poderiam ser beneficiados: o trem da mata atlântica em Angra dos Reis, o trem azul em Miguel Pereira, o trem da Costa Verde para Mangaratiba e o trem Barrinha entre Japeri e Barra do Piraí.
Também a possibilidade de adaptação dos carros para serviços de manutenção, a maior parte dos trens de manutenção de rede aérea da Supervia hoje são antigos trens unidade de aço carbono da série 100 convertidos para a manutenção de rede aérea pela CBTU e possuem 78 anos de idade!  A supervia recebeu cerca de 10 trens a época da concessão. Vários destes carros podem substituir estes trens, a própria Supervia já fez duas substituições destas (trens TS1 e TS2). Além da Supervia e do metrô rio as futuras operadoras das linhas três e quatro do metrô também precisaram de trens de manutenção que podem perfeitamente ser baseados nos carros de aço baixados.

TUE série 100 da EFCB adaptado como trem de serviço na MRS

 TS1 da supervia no ramal de Paracambi

Trem com carros da série 100 operando na supervia, o segundo e o terceiro carro são ttens da série 100 modernizados pela RFFSA/DES depois convertidos em trens de manutenção de redeaérea pela CBTU.

Outros usos alternativos, como carros biblioteca, postos de saúde, oficinas, e até mesmo substituindo os tão mal falados contêiner utilizados pelo DETRAN RJ e pela Polícia Militar nas UPPs, em face de enorme durabilidade, solidez e resistência ao tempo das suas caixas de aço, permitindo que durem ainda mais de meio século, mesmo se exposta ao tempo.
Carro da série 500 da supervia em uso pela Faetec em Nilópolis-RJ, foto de Antônio Pastori.
Por fim também se pode pensar no uso como laboratório para as aulas práticas da escola técnica estadual Silva Freire, instituição carioca centenária de capacitação em ferrovia, o estado do RJ é um dos poucos no país que possuem ensino público especializado na área ferroviária, mas que carece de meios para aulas práticas antes de entregar o aluno ao mercado.
Enfim não se trata de saudosismo, dados as questões econômicas e sociais expostas anteriormente seria muito importante que a SETRANS reservasse alguns desses carros para uso mais nobre, permitindo a inspeção do material por possíveis interessados. Todas as opções acima apresentadas são realizadas por diversas ferrovias tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive referências como o metrô de Nova Iorque e as operadoras de trens regionais dos EUA, e dariam ao estado um retorno muito maior no sentido da economia com a aquisição de material rodante para as demandas do transporte ferroviário do estado do que o valor gerado pela sua venda como sucata.
Reaproveitamento de trens elétricos em tração diesel
Trens série 800/8000
Trens série 900
Transferência do trem da série 100 para bitola métrica:

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Vocês podem nos ajudar a suspender o leilão de trens da Supervia ?

Prezadas/os
 
​Acreditamos que uma manifestação sua pode ajudar a 
suspender esse crime contra a combalida memória ferroviária do nosso Estado. 

Esse leilão de velhos trens é uma exaltação ao desperdício de recursos públicos. As caixas dos trens são de aço inox, ou alumínio, e estão sob a ação do tempo há mais de 40 anos e podem durar mais um tanto. Esse precioso material ainda tem serventia, sobretudo se sofrer pequenas reformas/adaptações, por exemplo:

1) Como unidades nas UPPs, ao invés de usarem os  conteineres-sauna;

2) Como bibliotecas, posto de informações turísticas, consultório dentário, escolinhas ou oficinas de artesanato e até moradias;

3)  Como carros de passageiros para compor trens turísticos.

O Estado deve arrecadar a irrisória quantia de R$ 1,5 milhão (97 trens a R$ 15 mil/cada), o que não dá para promover nenhuma melhoria significativa no sistema de trens da Supervia, como assim alega o Governo.

Anexei algumas fotos exemplificando  como podem ser usados essas antigas caixas 
​de trens, ​
e a carta que enviei ao Secretário Osório

Vc pode nos ajudar escrevendo ao Secretário, divulgando no seu blog ou lista de contatos.

O tempo urge.​
​Antecipadamente grato,​










sexta-feira, 3 de julho de 2015

Livro digital





Olá, amigos e amigas !
Antes de tudo, gostaria de ressaltar a quebra de uma marca: ultrapassamos há algum tempo os 400 membros cadastrados no fórum. Apesar de nem todos participarem mais ativamente do fórum ou das outras mídias Trilhos do Rio, sei que estão sempre nos visitando e prestigiando o nosso trabalho. Agradeço a todos, e desejo boas vindas aos mais novos integrantes. Fiquem à vontade, a estação é nossa, de todos nós !

Continuando, quero dizer que hoje publiquei mais uma rara publicação na nossa Biblioteca Digital: já está online o livreto "Manuais Técnicos LEP - Locomotivas a vapor"! Com aproximadamente 170 páginas, esta antiga publicação mostra a anatomia e funcionamento das populares "Marias-Fumaça", sua manutenção, conservação e mecanismos, além de outros detalhes.
Vale a pena ver ! Também em versão para dispositivos móveis ! Infelizmente o exemplar que me foi disponibilizado estava mal conservado, mas dá perfeitamente para ler e apreciar sem maiores problemas.

Link (para download e visualização): http://www.trilhosdorio.com.br/forum/viewtopic.php?f=57&t=1675

Lembrando: no dia 21 de julho estarei me submetendo a uma pequena cirurgia para remediar uma hérnia inguinal. Como terei que ficar de repouso absoluto (pra mim vai ser um sacrifício ficar parado), provavelmente aproveitarei este “tempo livre” para terminar o site Trilhos do Rio. Está ficando bacana, posso garantir. Espero que tudo corra bem e que eu tenha em breve boas novidades em relação a isso.

Aproveito também para lembrar que ainda estamos na campanha de arrecadação para a formalização do grupo Trilhos do Rio como ONG. Já está tudo completo, só falta a verba para pagar a documentação (a meta é R$ 1.500,00 e atualmente estamos com pouco menos de R$ 500,00). Cada um colaborando com um pouquinho já é suficiente, e agradeço desde já a quem já nos ajudou e também a quem poderá nos ajudar nessa empreitada. Mesmo a quem não possa, eu entendo de qualquer forma. Agradeço mesmo assim por nos acompanhar e apoiar. Segue abaixo os meus dados bancários para depósito:

BANCO BRADESCO (237)
AGÊNCIA: 0551-7 (dependendo do sistema, o dígito poderá ser desnecessário)
CONTA POUPANÇA: 1002017-4
NOME: EDUARDO PEREIRA MOREIRA
CPF: 082613447-54

Qualquer dúvida, e para confirmar o depósito, entre em contato. Quem quiser acompanhar o andamento da campanha, acesse o link abaixo:
http://www.trilhosdorio.com.br/forum/viewtopic.php?f=238&t=1666
Para preservar a identidade dos colaboradores, suprimi alguns dados pessoais.

Obrigado pela atenção !

Atenciosamente,
Eduardo P.Moreira
Presidente AF Trilhos do Rio

Envie uma mensagem para +55 21 98323-7291 || Telefones:(21) 98323-7291 (Tim) || (21) 99462-0268 (Claro) || (21) 987708443 (Oi) || (21) 99605-9975 (Vivo)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

AVISO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA Nº 005/2015 - Ferrovia Rio- Vitória


A Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, no uso de suas atribuições regimentais, de acordo com a Deliberação nº 188, de 25 de junho de 2015, considerando o disposto na Resolução ANTT nº 3.026, de 10 de fevereiro de 2009, publicada no DOU de 24 de março de 2009, comunica que realizará Audiência Pública, franqueada aos interessados, com o objetivo de colher subsídios, com vistas ao aprimoramento dos Estudos Técnicos que se prestarão a disciplinar as condições em que se dará a concessão, à iniciativa privada, do trecho ferroviário compreendido entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, projeto integrante da segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística do Governo Federal.
O período para o envio de contribuições será das 9 horas do dia 29 de junho de 2015 às 18 horas do dia 31 de julho de 2015.

As Sessões Públicas da Audiência serão realizadas nos dias, horários e locais a seguir indicados:

Sessão Pública: Vitória/ES
Data: 3 de julho de 2015
Horário: 9h às 13h
Endereço: Auditório da Federação das Indústrias do ES – FINDES - Avenida Nª Sr.ª da Penha, 2053 – Bairro Santa Lúcia – Vitória/ES
Capacidade: 200 lugares

Sessão Pública: Rio de Janeiro/RJ
Data: 10 de julho de 2015
Horário: 9h às 13h
Endereço: Auditório da Associação Comercial do Rio de janeiro – ACRJ - Rua da Candelária, nº 09 – subsolo – Centro – Rio de Janeiro
Capacidade: 162 lugares

Sessão Pública: Campo dos Goytacases/RJ
Data: 17 de julho de 2015
Horário: 9h às 13h
Endereço: Universidade Candido Mendes Rua Anita Peçanha nº 100, Parque São Caetano –
Campos dos Goytacazes – RJ
Capacidade: 260 pessoas

Sessão Pública: Brasília/DF
Data: 28 de julho de 2015
Horário: 14h às 18h
Endereço: Auditório Eliseu Resende do ed. Sede da ANTT - SCES, lote 10, trecho 03, Projeto Orla 8 – Brasília/DF
Capacidade: 300 lugares

AVISO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA Nº 005/2015

As informações específicas sobre a matéria, bem como as orientações acerca dos procedimentos aplicáveis à participação da sociedade civil na Audiência Pública nº 005/2015 estarão disponibilizadas, em sua integralidade, no sítio pilferrovias.antt.gov.br Informações e esclarecimentos adicionais poderão ser obtidos por meio do envio de correspondência eletrônica ao endereço: ap005_2015@antt

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Entidades promovem debate sobre os rumos da ferrovia

Diante do novo plano de concessões anunciado pelo governo federal, entidades representativas da Sociedade Civil e do setor técnico ferroviário, imbuídos de seu dever cívico de contribuir com o desenvolvimento equilibrado e harmônico do país, vem propor um debate da situação atual das ferrovias e avaliar em que o novo pacote contribuirá ou não com o avanço necessário para o setor, principalmente o que o país precisa para o crescimento do modo ferroviário e propor correções.

Esta contribuição será uma análise técnica do que deveremos realmente fazer para que as ferrovias brasileiras possam cumprir seu papel constitucional e ajudar no crescimento do país.

Data: 01 de julho de 2015

Local: Auditório da AENFER - Av. Presidente Vargas, 1.733 - 6º andar - Rio de Janeiro-RJ

Horário:15h

Mesa de abertura: Secretaria Executiva Ministério dos Transportes, MPF, VALEC, DNIT, ANTF, ABIFER, CREA, SENGE, SEAERJ, Clube de Engenharia, FIRJAN, ANTT, ABIFER, ABPF, CBTU, INVENTARIANÇA DA RFFSA, IME e ENEFER.

Debatedores convidados - Presidente da mesa debatedora: Prof. Dr. Eng. Hostílio Xavier Ratton Neto, Professor Associado, Coordenador do LESFER, PET/COPPE/UFRJ, DET/Poli/UFRJ; Sergio Iaccarino - D.Sc. COPPE; Antonio Pastori - Ferroviarista e Pesquisador; Marcelo Perrupato - Consultor no setor de transporte e logística.

Contatos:

Eng Clarice Soraggi: Vice-Presidente da FAEF

Tel: (21) 2275-2355 e 9972-98678

AENFER: (21) 2222- 1404 e 2221-0350 aenfer@aenfer.com.br

Organização:

Federação Nacional de Engenheiros - FNE

Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários - FAEF

Associação de Engenheiros Ferroviários - AENFER

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Informativo AFPF nº 140


Parceria pode tirar do papel projeto para reativação da Estrada de Ferro

Tribuna de Petrópolis

Criado em Sábado, 30 Maio 2015 12:58
(Foto: divulgação)

Quase 132 anos após sua viagem inaugural, empreendimento viabilizado por Dom Pedro II em uma parceria público-privada, a linha férrea na Serra Velha da Estrela pode ser retomada por meio de uma PPP. Depois de 51 anos desativada, pode voltar às origens com modelo de execução e operação nos moldes em que foi concebida – realização entre poder público e empresas para o transporte em massa - pode ser a solução para tirar o projeto de revitalização da estrada Príncipe Grão-Pará do papel depois de uma década de tentativas frustradas. O projeto vai ter um estudo de viabilidade confeccionado a partir de uma nova concepção que é o uso da ferrovia para o transporte de 1,1 milhão de passageiros por ano no e a ampliação de sua abrangência: a ligação entre Petrópolis e a Central do Brasil, na capital.

A Secretaria de Estado de Transportes acolheu o projeto do grupo de trabalho pela reativação da ferrovia na Serra da Estrela (GTTrem). O compromisso de viabilizar o estudo foi firmado quinta-feira (28.05), em reunião entre o secretário estadual de Transportes, Carlos Osório, com membros do GTTrem, encontro promovido pelo secretário estadual de Habitação, Bernardo Rossi. “O governador Luiz Fernando Pezão acaba de lançar um programa de PPPs com ênfase nas áreas de saneamento, mobilidade e tecnologia. Já estão sendo definidos estudos técnicos para projetos prioritários, mas esta também é uma parceria que pode ser incluída. Hoje, a meta entre os secretários de governo é fazer a sinergia entre as áreas. Por isso, essa apresentação, ainda que como secretário de Habitação, do GTTrem para a pasta de Transportes”, explica.

O projeto cresceu em extensão e objetivos. Antes idealizado para o transporte turístico apenas pela Serra Velha, na nova concepção a estrada de ferro retornaria ao transporte diário de passageiros. Entre Petrópolis e Caxias, onde seria instalada estação em Campos Elíseos, o deslocamento atingiria 24 mil pessoas/dia. Considerando a possibilidade de ligação com ramal de Saracuruna e, consequentemente, fazendo a ligação com a Central do Brasil, são estimados 119 mil passageiros por dia.

A nova proposta de retomada da ferrovia vai ao encontro da modernização do leito férreo justamente em trecho de 15 quilômetros de Inhomirim a Saracuruna, como antecipou Osório ao GTTrem. “Hoje, a prioridade é melhorar as linhas existentes ampliando capacidade e conforto do usuário. Como o trecho até Inhomirim, onde inicia a parte da subida da serra, faz parte desta meta, o projeto de reativar a linha férrea na Serra, na extensão de sete quilômetros, se torna mais viável”, apontou o secretário estadual de Transportes.

O projeto atualizado estabelece como estação em Petrópolis a antiga fábrica de tecidos Dona Isabel, no Alto da Serra. A linha se estenderia até o ramal de Saracuruna, com operação de trens de pequeno porte e, de lá, até a Central do Brasil, uma viagem entre a Cidade Imperial e o centro da capital reduzida para 40 minutos. Na nova concepção, uma estação em Caxias também está prevista. A intenção é que os moradores desta cidade e das imediações usem o trem para se deslocar para o centro do Rio ou para Petrópolis.

Com a opção do transporte em massa com ligação até a Central do Brasil pelo menos 3 milhões viagens de carro incluindo Petrópolis e Baixada deixariam de ser feitas por ano. Hoje, no trecho, circulam diariamente 23 mil carros com uma taxa de ocupação de 1,4 passageiro por veículo. “O trecho viabiliza um transporte de qualidade e estimula seu uso para fugir dos engarrafamentos na rodovia, notadamente na BR-040, de acesso ao Rio e também Linha Vermelha e Avenida Brasil”, defende Antônio Pastori, membro do GTTrem.

“O envolvimento do governo do estado é crucial para tornar o projeto realidade”, destaca Jonny Klemperer, também membro do GTTrem. Na reunião com o secretário de Transportes ficou estabelecida a sinergia entre o grupo e o órgão para atualização de dados e a forma de captação de recursos, na ordem de R$ 2 milhões, para o estudo de viabilidade econômica do projeto avaliado em R$ 100 milhões para sua execução completa.

Estrada de ferro foi construída no Império também com PPP

A primeira referência a parcerias público-privadas no Brasil remete à época do Imperador Dom Pedro II que implantou a maior parte das ferrovias brasileiras no século XIX subsidiando empresas com a abolição de impostos para empreendimentos. Após 132 anos de sua viagem inaugural, a estrada pode ser reativada justamente unindo a iniciativa privada e o poder público.

“A estrada de ferro Príncipe Grão-Pará representa a preservação da história e mais que isso, um retorno a origens visionárias, de transporte de massa e modelo de administração que não deveriam ter se perdido ao longo do tempo”, aponta Bernardo Rossi.

Por lei, sancionada pelo governador Sérgio Cabral em 2010, a reativação da ferrovia foi declarada de relevante interesse turístico e econômico para o estado. “O retorno do trem se torna mais viável sendo uma opção cotidiana para o deslocamento entre Petrópolis e Rio como alternativa para o uso da rodovia BR-040. É mais amplo, em concepção e extensão, se torna mais possível pelo retorno em mobilidade e qualidade de vida”, defende Pastori.

Há três anos, as prefeituras de Magé e Petrópolis chegaram a assinar um termo de cooperação para reativação da estrada de ferro, mas desde então a ação básica prevista, de levantamento de ocupações irregulares na Serra Velha e realocação das famílias, ponto de partida do projeto, não foi executada.

De acordo com o projeto, toda a parte de infraestrutura da ferrovia, como a instalação dos trilhos e viadutos ficará a cargo do governo do estado. As prefeituras de Petrópolis e Magé ficarão responsáveis pela regulamentação fundiária e revitalização da área, projetos que podem ser custeado com recursos de programas do governo federal.