quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Aham...

Secretaria exige explicações do Metrô Rio em atraso nos novos transportes
Redação SRZD (Sidinei Rezende) | Rio+ | 15/09/2011 20h11

Nesta quinta-feira, a Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro, cobrou à Concessionária Metrô Rio, o motivo pelo atraso na entrega dos novos trens. No último mês de maio, ainda foi aplicada uma multa no valor de R$374 mil na concessionária.

Ainda será exigida máximo rigor da Agetransp, nas execuções das cláusulas previstas em contrato. Caso não haja cumprimento, novas multas serão aplicadas.

Segundo a Metrô Rio, o atraso para a entrega do novos transportes, ocorreu por conta do terremoto que houve no Japão, país responsável pela fabricação, que não pode receber as peças para a fabricação dos novos vagões.


Os trens do metrõ rio estão sendo fabricados na china, será que além de precisar de desculpas pelo atraso a Sectrans não sabe geografia?

INFORMATIVO AFPF NÚMERO 96


Segue o nosso informativo


terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Metrô do Cariri pode dar certo


Por Assis Ferreira

Bom dia (crônica de 24.02.09).

Não tendo o que fazer, resolvi ir a Crato pelo Metrô no dia seguinte (26) ao

do meu aniversário. Fiz um bom negócio: o rapaz que vende a passagem
olhou-me e disse que se eu tivesse “sessenta e cinco anos, não pagava
passagem”. Aí me pediu a identidade para anotar no controle de passageiros
gratuitos, e só me pediu pela minha cara não ser numerada, pois as rugas
denunciam a idade que eu tenho. Fiz uma viagem diferente, entre árvores e
lixo. E economizei dois reais.

Passageiros poucos. Juntos, chegariam a uns oitenta, por aí. Então o lagarta

verde deu partida. Cinco minutos da Estação Juazeiro à Estação Teatro.
Parada. Partida à Estação Antônio Vieira. Parada. Partida à Estação São José
Parada fora de estação. Motivo? Não sei. Demora de um minuto, pouco mais,
pouco menos. à frente, parada fora de estação. Motivo? Não sei. Próxima
estação: Muriti. A seguinte: Padre Cícero. A próxima: Estação Crato. Sete
estações. Trinta e cinco minutos de viagem. Desci do trem por um lado da
estação, subi nele pelo outro.

O trem não corre a mais de 40km/h. Quem dirige a composição tem o maior

cuidado nos cruzamentos de ruas. Buzina, buzina, buzina.

Como o trem corre a baixa velocidade, acho que só raramente abalroamento e

atropelamento podem acontecer.

O trem sacoleja que só. Bem que o chamaram de VLT (Veículo Leve sobre

Trilho). É confortável. O ar refrigerado deixa o ambiente apenas fresco.
Policias da PFF (Polícia Ferroviária Federal) fazem a segurança nos trens e
nas estações. A composição é bem asseada. O Metrô do Cariri pode dar certo.

http://blogdojuazeiro.blogspot.com/


 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não falo sozinho

O governo do estado, após destruir de vez o transporte ferroviário do estado, se prepara para o golpe final nos bondes. Através da contratação da reinvenção da roda usando uma empresa portuguesa para dizer o óbvio (parece piada).
A principal sugestão dos portugueses é a troca dos trilhos, solicitada pelo corpo técnico da central já faz mais de cinco anos....
A questão não é a compet\ência dos portugueses em si, mas sim a armadilha do governo do estado do rio, contarta-se uma consultoria estrangeira, que diz oesperado, calcula-se o custo nas alturas e depois com a justificativa de não haver recursos se privatiza o sistema, entregado de mão beijada a estrangeiros pagadores de propina (vide supervia e metrô).
Se não der para privatizar, aproveitam a paralização causada pela tragédia e sucateiam o sistema...
Golpe de mestre.


Por Antônio Pastori e Nelson Dantas
Esta semana aconteceu um Seminário Técnico sobre os Bondes de Sta. Tereza, promovido pela AMAST - Ass. dos Moradores e Amigos de Sta. Tereza.
"Após mais de três horas de discussão e debates acirrados, para mim ficou estremamente claro que:

  1. A Engenharia nacional tem total condições de tratar do problema, sem haver necessidade de consultar os engenheiros portugueses, sem nenhum demérito; Varios depoimentos relataram problemas de engenharia ferroviária - insóluveis aos ohos dos técnicos no exterior - que foram aqui resolvidos satisfatoriamente.
  2. Deve ser criada uma Comissão para acompanhar a "intervenção" e apresentar soluções tipo, "Qual o melhor modelo gerencial: uma Fundação, OSCIP, ou deve continuar sobre o instável guarda-chuva do Estado?
  3. Deverá ser oeferecida denúnica ao Ministéruio Público para intimar os verdadeiros responsáveis que foram omissos na questão da manutenção.
  4. Deverá ser eaborada uma Carta, Manifesto ou Abaixo Assinado, ou algo semelhante, expondo os problemas, apontando soluções para o Sistema de Bondes,  pedindo apoio popular.
  5. Deverá ser convocada uma nova Audiência Pública, pois a anterior "não valeu", pois  já estava marcada há dias (era para para tratar da morte daquele turista francês que caiu dos Arcos da Lapa) e, portanto, o Secretário de Transportes JL não havia sido convocado.
O bonde como resposta a crise de mobilidade

Notícia publicada no jornal O Dia dando que "bondes portugueses são aprovados para Santa Teresa" pode parecer somente um alento para os apaixonados por um dos bairro mais charmosos do Brasil e por um modo de vida mais humano, mas é muito mais.

Os bondes quando apareceram representavam o mais moderno transporte mundial e ajudaram a construir e a formatar as Cidades Modernas. No Brasil eles chegaram cedo, no Rio de Janeiro foi antes de toda a Europa, a excessão da França, e o primeiro de MInas começou a operar em Juiz de Fora em 1871. A tecnologia era tão moderna que a implantação se dava através de precoces PPPs, mas quando acabava o dinheiro sobrava para o Poder Público Municipal a responsabilidade de manter os bondes. O declínio dos bondes na América Latina coincide com o crescimento do transporte individual nos EUA, uma vez que a retirada de circulação dos bondes de lá implicou na falta de peças de reposição para boa parte dos sistemas latino-americanos. Mas será que esse seria um motivo suficiente?

Das centenas de sistemas de bonde de passageiros funcionando no pós-guerra, apenas a linha de Santa Teresa continuou a funcionar e sob a responsabilidade do poder público, assim como a Carris de Portugal. Como toda a Europa também Portugal está sistematicamente investindo no retorno dos bondes. E esse retorno dos bondes modernos, hoje conhecidos como Veículos Leve sobre Trilhos (VLT), é uma resposta a crise da mobilidade ocasionada pelo excesso de carros e marca o fim do Império dos Automóveis que terão agora de aprender a conviver com reserva de espaço para o transporte público e com níveis crescentes de restrição de tráfego.

Importante lembrar o documentário
Taken for a Ride (96) que mostra a grande indústria norte-americana de automóveis, de pneus e de petróleo como responsáveis pelo fim dos bondes nos EUA colocando os interesses financeiros acima do interesse dos próprios cidadãos americanos. Quem sabe o retorno dos bondes não possa significar o fim de outros impérios?"




Fonte o Dia     
Uma equipe da Comissão Interventora da Central, empresa que administra o bonde de Santa Teresa, voltou este fim de semana de Portugal entusiasmada com as instalações da Carris, que opera os bondes de Lisboa. O grupo deve apresentar amanhã ou depois a decisão sobre a contratação da consultoria da firma portuguesa para melhorar a gestão e a operação dos bondes cariocas.

Os interventores constataram que é possível a substituição do sistema de contratrilhos, usados em Santa Teresa, por bilabiados, que são utilizados em Lisboa e reduzem riscos de acidentes em terrenos irregulares. “Os técnicos brasileiros já apontavam os bilabiados como mais seguros mas, vendo os bondes rodarem sobre os mesmos, pode-se ter a real ideia da confiabilidade e segurança proporcionadas por esse tipo de equipamento”, disse Rogério Onofre, presidente do Detro, que comanda a intervenção.


Caso o contrato com a Carris seja fechado, os portugueses já chegam ao Rio na primeira semana de outubro para prestarem consultoria.


--
Postado por CFVV no CFVV - SUL DE MINAS em 9/26/2011 12:54:00 PM

Láaaaa no Ceará

Enquanto no sudeste  as ferrovias, principalmente a MRS, buscam a modernização e padronização da frota com a aquisição de grandes quantidades de locomotivas de maior potência e novas, o nordeste também se aparelha. A diferença é o lapso de tempo, hoje a TNLSA (ferrovia transnordestina) compra locomotivas usadas no exterior como as demais operadoras fizeram no início do concessionamento.
A grande notícia é que devido a esse atraso ao invés de adquirir esses equipamentos apenas no exterior a TNLSA tem a sua disposição máquinas novas e usadas no país, como as G12 da FCA ou as  modernizadas pela Transferro e a locomotiva DH10 Maxxion. Sinal de longa vida as locomotivas da finada RFFSA e da indústria nacional.

"O Porto de Fortaleza, no Ceará, recebeu nesta sexta-feira, 23 de outubro, as locomotivas da Nova Ferrovia Transnordestina, os equipamentos fazem parte de um acordo feito entre a CDC (Companhia Docas do Ceará) e a Transnordestina Logística S.A. As seis unidades, recebidas pelo terminal, fazem parte do primeiro lote; até o fim do ano o sistema portuário cearense receberá mais cinco, totalizando um total de 11 locomotivas que pesarão 2.100 toneladas.


Em um primeiro momento, a carga ficará armazenada no pátio do terminal até o fim dos tramites aduaneiros e sua liberação pela Receita Federal, após este processo as locomotivas serão transportadas até as oficinas da Transnordestina.


Não é a primeira vez que o terminal cearense recebe equipamentos para viabilização da ferrovia. No ano passado, chegaram pelo porto todos os trilhos necessários para a construção do trecho do Ceará da Transnordestina.


A ferrovia fará a ligação entre os Portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. O projeto representa uma grande empreitada logística que tem a finalidade de ampliar a competitividade da Região Nordeste.


http://www.webtranspo.com.br/aquaviario/23430-locomotivas-desembarcam-em-porto-no-ce


"Hoje, dia 11 de novembro, devem partir de Barra do Piraí para
> Três Rios as locomotivas SD40-2 números 5212, 5237 e 5241, que serão
> carregadas sobre carretas rodoviárias para seguirem até o Ceará, onde serão
> incorporadas à frota da TLSA - Transordestina Logística S. A., trabalhando
> na linha de bitola larga da Nova Transnordestina.
> Provavelmente manterão os atuais númros Sigo, mas com certeza
> receberão indicativos da TLSA num primeiro momento e com o tempo serão
> repintadas com as novas cores.
> A TLSA já tem algumas locomotivas SD40-2 recebidas dos EUA, da
> Burlington Northern Santa Fe, a serem rebitoladas, e provavelmente outras
> chegarão em breve.
> Dificilmente alguém terá condições de fotografar as 3 Macosas a
> caminho pela rodovia, mas fica aqui desde já o registro.
>
> Um abraço,
>
> João Bosco Setti
> Sociedade de Pesquisa para Memória do Trem
> Caixa Postal 3136, Rio de Janeiro, RJ, 20001-970, Brasil
> Site www.trem.org.br
> Reply to trem@trem.org.br "




Governo do Rio recebe primeiro dos 34 trens comprados na China


28/09/2011 - 10:46h - Atualizado em 28/09/2011 - 10:46h

Testes operacionais começam daqui a 19 dias. Em dezembro, trem já estará

operando

Foi entregue nesta terça-feira (27), com um dia de antecedência, o primeiro

dos 34 trens comprados na China pelo Governo do Estado. Os testes
operacionais com a composição começam em 19 dias. Já no mês de dezembro o
trem estará operado com passageiros nos ramais da SuperVia. O consórcio
chinês responsável pela fabricação já conta com outros trens prontos para
serem entregues. Os outros veículos serão embarcados em lotes de 3 e 4, em
intervalos médios de um mês.

Com capacidade para até 1.300 pessoas, os veículos contam com tecnologia de

ponta e modernos circuitos de tração e frenagem. As composições são dotadas
de interiores mais amplos e confortáveis, equipados com painéis de LED,
circuito interno de TV, ar condicionado, além de bagageiro, atendendo a uma
solicitação especial dos passageiros. Como parte do acordo contratual, a
empresa chinesa oferece garantia de assistência técnica de três anos,
incluindo manutenção e troca de peças.

Ainda este ano a Secretaria Estadual de Transportes dará início a um novo processo de licitação para a compra de mais 60 novos trens para o sistema ferroviário do Grande Rio. 


Resta saber se a indústria nacional participará do fornecimento dos próximos trens já que foi excluída deste.

Entrevista Luis Carlos Cosenza

segunda-feira, 19 de setembro de 2011


Apaixonado pelos bondes

Entrevista
Luis Carlos Cosenza
Um homem apaixonado
por Santa Teresa,
e amante
dos Bondes


Um homem apaixonado, preocupado e ao mesmo tempo amargurado com a realidade do Sistema de Bondes de Santa Teresa. Assim pode se definir o Engenheiro Luiz Antonio Cosenza uma pessoa que por questões sentimentais é extremamente envolvida com o sistema de bondes e, por questões profissionais, é um dos que mais entende do assunto.

No final da década de 90, Cosenza ocupava o cargo de diretor técnico da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos – que era responsável pelos bondes e, em 2002, assumiu a presidência da Central Logística empresa que passou a administrar o sistema de bonde. Neste período, eram recorrentes os comentários de que o principal e mais simpático meio de transporte da cidade seria privatizado ou municipalizado.

Os bondes naquela época pertenciam à CBTU e nossa opção foi a de comprar o sistema de bondes para que ele pudesse ser preservado. Não gostávamos da idéia da privatização e, segundo comentários, caso o sistema fosse municipalizado o prefeito César Maia iria demitir os funcionários.

Foi o zelo, o reconhecimento da importância histórica e cultural que os bondes representam para a cidade e, principalmente, a amizade que passou a ter com os funcionários que fez Cosenza se aproximar e a se preocupar cada vez mais com a realidade dos bondes. Ele passou a entender rigorosamente de tudo em relação ao sistema bondes: as condições precárias da garagem, o ultrapassado sistema de fiação da rede elétrica, as irregularidades no sistema de trilhos, da realidade dos funcionários e do descaso do poder público que insistia em adiar a busca por uma solução. Uma aproximação tão grande com os bondes, fez com que ficasse também muito próximo à realidade e aos problemas de Santa Teresa.

O trágico acidente ocorrido no último dia 27 mais uma vez aproximou o engenheiro do Sistema de Bondes. Atualmente ocupando a vice-presidência do CREA – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – uma de suas atribuições é o trabalho que exerce na Comissão de Analises e Prevenção de Acidentes da Câmara de Engenharia Elétrica. Em conseqüência disto, é um dos responsáveis em apurar o que aconteceu exatamente no trágico acidente em Santa Teresa.

Aos 59 anos, Cosenza procura não emitir qualquer opinião definitiva ou buscar culpados para a tragédia. Mantém sua opinião de ser contrário ao sistema de privatização, diz que não medirá esforços para que os fatos sejam definitivamente apurados. Pede atenção das autoridades não só para com o bonde, mas também para com Santa Teresa, pois em seu entender, o bonde é uma extensão do bairro e sem os bondinhos Santa Teresa perderia praticamente todo seu charme, beleza e encantamento.

Capital Cultural – Irresponsabilidade, incompetência, descaso, fatalidade... O que aconteceu em Santa Teresa?
Cosenza - É claro que, sentimentalmente, existe dentro de mim e de cada um de nós que sabemos a importância dos bondinhos uma grande amargura. Profissionalmente falando, qualquer diagnóstico feito de forma emotiva seria irresponsável e leviana. Nosso objetivo é saber a real causa do acidente. Temos que ficar atentos para não colocarmos a culpa em quem não é culpado. Às vezes vai se adiando, vai se postergando o serviço de manutenção e quando acontece um acidente ou uma tragédia, partimos para apontar culpados. No Brasil não temos esta característica de não nos preocuparmos com a manutenção, mas depois que uma tragédia acontece, temos a mania de buscarmos culpados. Sempre colocamos a culpa nas costas do piloto, do mortoneiro, do motorista, ou de um eletricista. Atribuímos a eles, uma culpa que eles não têm.

Capital Cultural – Até aqui já foram criadas algumas versões, inclusive, uma que ao parece não é plausível que é a super-lotação. Isso faz sentido?
Cosenza - A superlotação pode ter contribuído para o acidente, mas não foi a causa. Trabalhamos exatamente para encontrar essa causa. Tudo leva a crer que houve uma falha no sistema de freio Me surpreendeu declarações que li nos jornais de que o bonde com o qual ocorreu o acidente diversas vezes foi para a manutenção por conta de sapata de freio. Isso é muito complicado, pois ou a sapata não era trocada por uma nova sapata ou a sapata era de péssima qualidade. Não se troca sapata um dia sim e um dia não. Se o bonde passou por tantas manutenções, temos que saber a origem desta sapata, sua procedência e sua qualidade. É preciso ficar claro se a sapata era ou não nova. Vimos no local do acidente que uma das sapatas estava desgastada. Isso, porém, não justifica o acidente, pois uma sapata desgastada não é o motivo para o que aconteceu se as outras sapatas estavam novas. Tudo leva a crer que houve uma falha no sistema de freagem. É isso que temos que apurar.

Capital Cultural – Faz sentido a argumentação dos moradores de que essa era uma tragédia anunciada?
Cosenza – O bairro tem características próprias. Temos um relatório daquele acidente de 2009, que vitimou aquela professora. Naquela ocasião e mesmo antes disso, já alertávamos para os problemas que os bondes vinham apresentando. Falamos que era preciso ordenar o bairro, acabar com tantos estacionamentos que tira o gabarito no trajeto de percurso do bonde. Falamos dos ônibus que andam em alta velocidade e sempre oferecem perigo. O transporte principal em Santa Teresa tem que ser o bonde. Essa questão de que era uma tragédia anunciada, de certa forma faz sentido, pois se algo é anunciado e você não cuida, não faz a manutenção necessária e não tem o zelo necessário, o que foi anunciado acaba acontecendo.

Capital Cultural – Neste primeiro de setembro os bondinhos completam 115 anos. O tempo de vida útil, o desgaste podem ser fatores que colaboram para o risco de acidentes?
Cosenza - Independente da idade do equipamento, qualquer que seja o equipamento, se ele tiver uma manutenção adequada, se as peças forem repostas, se houver cuidados, este equipamento estará seguro. Este argumento não justifica e nem procede. Não podemos sob nenhuma hipótese culpar a idade do bonde. A idade do bonde é um fator que nos obriga a termos mais cuidado. O bonde não é inseguro pela idade e sim pela falta de manutenção. Há uma coisa que muitas pessoas insistem em não entender: a discussão do bonde não pode se limitar apenas ao bonde. É preciso zelar mais pelo bairro, limitar a velocidade dos carros que por lá trafegam, olhar com mais atenção para os ônibus que deveriam andar em baixa velocidade, evitar que caminhões com carga pesada transitem. Não podemos pensar o bairro e o bonde apenas nos finais de semana para turistas. Isso seria um crime contra a população. O bonde é um veículo de passageiros e não apenas com finalidade turística. As pessoas pensam que o bonde é uma extensão do bairro e sem os bondinhos Santa Teresa perderia praticamente todo seu charme, beleza e encantamento.

Capital Cultural – A decisão do governador em colocar um interventor é razoável?
Cosenza – Fico pensando qual será exatamente a função deste interventor. Se veio para solucionar, para discutir com os moradores, com as entidades da engenharia e as entidades representativas, tudo bem, acho válido e sua presença poderá ser extremamente útil. Mas se veio para trazer fórmulas prontas não vejo grandes vantagens. . Ele tem que dizer a que veio.

Capital Cultural – Exonerar o Júlio Lopes como muitos querem, resolveria alguma coisa?
Cosenza - A discussão me parece vaga. Temos que questionar o seguinte: existiram investimentos suficientes para quem fossem encontradas soluções para os problemas que os bondes apresentam? Penso que essa é a questão. Saber quem vai estar lá, se o Júlio Lopes, se o Rogério Onofre, se o Pedro, o Manoel ou o João isso não cabe discutir e nem sei se vai acrescentar alguma coisa. Não cabe ao CREA opinar quem será o responsável, quem o governador vai colocar lá ou exonerar. Temos que saber onde serão os investimentos, de que maneira serão feitos e se estes investimentos possibilitarão a recuperação do sistema e segurança para a população. Pense que essa é a discussão e não podemos perder este foco. Não se pode botar a culpa em alguns funcionários que estão lá. Todos sabemos, que os funcionários que trabalham nos bondes, exercem suas funções dentro de um limite possível. Se fosse oferecido material e condições para que esses profissionais fizessem uma boa manutenção, não tenho dúvidas que eles fariam, pois são pessoas que amam o sistema de bonde e não trabalham apenas por obrigação.

Capital Cultural – Sobre a privatização, você acha necessária?
Cosenza – Vamos fazer uma reflexão sobre o sistema de privatização. Não podemos perder de vista que o único estado que privatizou o sistema rodoviário foi o Rio de Janeiro. Nenhum outro estado partiu para essa alternativa como solução. Se compararmos nossas duas maiores capitais que é São Paulo e o Rio de Janeiro, vamos perceber diferenças substanciais. No Rio, o sistema de transporte é privado e a sociedade vive se queixando e sempre temos problemas das mais diversas ordens. Em São Paulo, além de um ótimo serviço nos trens, o metro é uma referência de operação no mundo inteiro. Temos que considerar que o metrô em São Paulo transporta perto de 4 milhões de passageiros por mês. Temos que acabar com esse delírio de que a privatização é a melhor solução, que resolve todos os problemas. O privado não é melhor que o público. O que o Estado precisa é criar mecanismos para que uma empresa de sua propriedade tenha condições e possibilite condições para que seja realizado um bom trabalho. Esta é a questão. A privatização não soluciona nada. O governador tem que assumir a responsabilidade pelo bonde. E a Prefeitura deveria ter um maior controle sobre os ônibus.

Capital Cultural – A privatização dos transportes e outros serviços no Rio de Janeiro é meio perversa, pois as empresas que conseguiram estas concessões exploram o serviço, mas o povo continua pagando a conta.
Cosenza – É uma verdade. Você privatizou o sistema de trens do Rio de Janeiro, mas os investimentos continuam sendo realizados pelo Estado. A compra de trens quem paga é o Estado. Se você privatiza você entende que a responsabilidade pela administração e pelos custos é da empresa que ganhou a concessão e assumiu o serviço, mas não é assim que funciona. O estado continua pagando com dinheiro público os investimentos das empresas privadas. O povo acaba sendo o grande beneficiado com esse serviço, mas é ele quem esta pagando. Não critico a compra dos trens. Questiono o fato de o estado usar o dinheiro público para atender o interesse de empresas privadas. O serviço é público, mas a empresa é privada. Se você privatizar o bonde, ou o Estado vai subsidiar a passagem ou o povo não terá condições de pagar o preço desta passagem. Será que este bonde será só para turista.

Capital Cultural – O bonde tem uma característica curiosa, pois embora nossas autoridades partam do principio que o bonde é uma atração turística e para turistas, sua finalidade principal é atender os moradores.
Cosenza - Nunca podemos perder de vista que os bondinhos se transformaram em um dos principais símbolos da cidade e do país. O curioso é que, ao que parece muitas pessoas não sabem, que o bondinho de Santa Teresa é o único transporte de passageiro no Brasil com essa característica. Não existe outro, é único. Todos os outros são turísticos. O que a sociedade quer é um bonde que atenda a população. Percebo um grande equívoco quando se fala do bondinho de Santa Teresa, pois parece que atende somente aos turistas e à classe média do bairro. Isso não corresponde à verdade, pois nestes dias que o bonde esta parado, observei, muitas pessoas andando a pé, descendo as ladeiras para o trabalho a pé. Santa Teresa é um bairro de classe média, mas é composto também por muita gente pobre, por muitas comunidades, por pessoas que não podem pagar o preço da passagem do ônibus. Enquanto os bondes não estiverem circulando, o Governador do Estado deveria colocar o preço do ônibus pelo mesmo preço do bonde.

Qual sua opinião sobre a Municipalização?
Cosenza – Se a Municipalização acontecer para resolver os problemas com investimentos, uma melhora na estrutura e o povo puder continuar andando nos bondes, pode ser uma solução interessante. Não adianta o Município apenas assumir o bonde. Antes de assumir, tem que dizer o que vai fazer, como vai fazer e em que período de tempo vai fazer, qual será a tarifa cobrada. É preciso, por exemplo, olhar com carinho para os funcionários que dedicaram toda uma vida aos bondes. Esses funcionários sim, eles sabem cuidar dos bondes. Penso que a discussão se o bonde será ou não municipalizado é secundária. A questão é saber se as pessoas poderão voltar a andar nos bondes de forma segura sem medo. Se a Prefeitura vier para resolver, que venha. Acredito, entretanto que a pior solução é a privatização.

Capital Cultural – A recuperação dos bondes, que as autoridades chamam de VLT – Veículos Leves Sobre Trilhos – e a comunidade os denominou de Bonde Frankenstein, foi e continua sendo outro motivo de muita polêmica. A adaptação dos bondes é um problema ou uma solução?
Cozensa – Não sou contra a modernização desde que se mantenham as características dos bondes. Antes de disponibilizar, de colocar em circulação, é preciso que todos os testes sejam realizados e caso sejam detectados problemas é preciso que sejam consertados. O que tenho visto na imprensa, e essa é também uma critica recorrente dos moradores é que os bondes adaptados desde que foram colocados em circulação apresentam problemas, oferecem insegurança e medo. Deveríamos manter uma quantidade de bondes antigos que sempre operaram no bairro e gradativamente fazendo teste nos bondes adaptados antes de colocá-los em circulação. Observo, por exemplo, e não se leva muito isso em consideração, o fato de que a população de Santa Teresa cresceu muito e os bondes já não atendem essa demanda. Talvez por isso tenhamos superlotação. Vamos modernizar, mas colocar em operação só depois que for testada a eficiência e a certeza de que é um bonde extremamente seguro. Os funcionários reclamam, mas demonstram certo receio e muitos preferem se calar, mas segundo eles, estes bondes precisam ser testados dentro da realidade do bairro. Realizar testes em linha reta não resolve muita coisa e nem garante nada. É preciso se testar esses novos bondes nas ladeiras e nas condições adversas de Santa Teresa.

Capital Cultural – A cidade, o país e, principalmente nossos políticos começam a pensar e a respirar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Não causa certo temor ver uma das principais atrações turísticas da cidade nas condições que se encontram.
Cosenza – Se os bondinhos são tão necessários, se representam uma atração turística e um transporte para passageiros do bairro, temos que pensar esta questão de forma séria e buscarmos alternativas para o serviço. Se não temos mais bondes antigos, vamos fabricar novos bondes com as características dos bondes antigos. Isso é viável e possível. Nem sempre a modernidade é sinônimo de progresso. Estamos trabalhando contra o tempo, precisamos disso para ontem. Precisamos testar estes bondes, proporcionar segurança para os moradores e para os turistas.

Capital Cultural – Na condição de cidadão carioca, de uma pessoa que se preocupa com a cidade, quando você olha para a situação dos bondes, qual sua sensação?
Cosenza – No mais íntimo de mim sou tomado por um sentimento de tristeza e decepção.
O bonde é um símbolo cultural da cidade. Faz parte da história de nossa cidade. Com todo respeito que tenho pelo bonde do corcovado, mas não existe nada como o Bondinho de Santa Teresa. Quando você liga a televisão, todos os jornais têm como fundo uma imagem do bondinho. É um símbolo da cidade. A imprensa começa a divulgar a licitação para uma compra imensa de trens para a Super Via. Acho correto que se melhore o transporte sobre trilho no Rio de Janeiro, mas se você pega a metade do valor de apenas um trem, você recupera todo sistema de bondes. Lamento profundamente esta situação, pois a recuperação de todo sistema de bondes e, inclusive, o aumento do número de bondes, representa um montante muito pequeno para o Estado. Destruir o bonde é destruir parte da história do Rio de Janeiro. Não podemos ter uma tragédia com vítimas para então pensarmos em fazermos melhorias nos bondes e pensarmos em soluções para os bondes mesmo porque esta solução pode não ser a melhor.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A estrela que perdeu o brilho

O Globo - 11/09/2011 - Laura Antunes  laura
Estrada de 1840 que serviu a Família Imperial caiu no esquecimento

Laura Antunes laura@oglobo.com.br
Banido ao ostracismo por força do progresso, um caminho sinuoso, em paralelepípedo, que se estende por 12 quilômetros de história e belas paisagens da serra de Petrópolis é conhecido e apreciado por poucos. A estrada Velha da Estrela (também chamada de Estrada Normal da Serra da Estrela) - aberta em 1840 com a honrosa função de facilitar o acesso da Família Imperial até o alto da serra - serve hoje praticamente apenas como opção de quem quer fugir de engarrafamentos na BR-040 (Rio-Petrópolis).
O trajeto, aberto por colonos germânicos, começa em Raiz da Serra e percorre a Serra da Estrela até Petrópolis, revelando paisagens com ângulos inusitados, como a que descortina a Baía de Guanabara e a Baixada Fluminense. Mas desse passado histórico restam apenas as vistas panorâmicas e a mata exuberante.
O caminho, que faz parte da Estrada Real (liga o Rio a Minas Gerais), se tornou, apesar do potencial turístico, alvo de favelização, principalmente na localidade de Meio da Serra, onde, até a década de 50, funcionou a fábrica de tecidos Cometa. A vila operária, que servia às famílias dos funcionários, se transformou em área de construções irregulares. A comunidade se expandiu tanto que hoje chega a ocupar o leito da histórica estrada de ferro Príncipe do Grão-Pará - a primeira ferrovia do Brasil - construída em 1854, ligando Raiz da Serra a Petrópolis e que servia de meio de transporte para a Família Imperial.
De olho nesse potencial turístico inexplorado, a prefeitura de Petrópolis sonha em concretizar uma parceria com o município de Magé e o governo do estado para reativar a ferrovia, por meio de uma obra estimada em R$70 milhões. Com isso, a Estrada Velha da Estrela teria também resgatado seu potencial turístico, acredita o diretor de Turismo da prefeitura de Petrópolis, Aníbal Duarte:
- A reativação da estrada de ferro seria de grande importância para o turismo da região, ainda mais às vésperas das Olimpíadas e da Copa do Mundo. O projeto incluiria a estrada, que passaria pelo processo de revitalização que tanto merece.
O projeto de revitalização inclui a retirada de 250 imóveis das margens da estrada e do leito da ferrovia, o que seria feito em conjunto pelas prefeituras de Magé (por onde passam cerca de cinco quilômetros da estrada) e Petrópolis. Pela parceria, Magé ficaria encarregada de realocar cem famílias e Petrópolis, outras 150. Ao estado caberia a função de construir a nova ferrovia. O projeto, porém, segundo Aníbal, está paralisado desde a turbulência política que tomou conta da prefeitura de Magé e culminou com a cassação da prefeita Núbia Cozzolino.
- Esperamos que, com a posse do novo prefeito, o projeto seja retomado - acrescenta ele.
Enquanto os ventos da revitalização não sopram em direção à Estrada Velha da Estrela, ainda assim vale conhecer esse caminho alternativo Petrópolis. A cada curva, é possível admirar uma bela paisagem, mesmo com tantas construções irregulares e a ausência de mirantes.
Uma curiosidade é o fato de a estrada começar a 50 metros acima do nível no mar (na altura de Vila Inhomirim) e atingir 830 metros de altitude a menos de 11 quilômetros adiante, o que dá ideia de como é íngreme. O calçamento em paralelepípedo dá um ar bucólico à via, cortada por riachos, nascentes, pequenas cachoeiras e uma gruta. Na altura do Meio da Serra, é possível percorrer as ruínas da fábrica Cometa, que ainda preserva as chaminés. A cinco minutos de caminhada do complexo fica a cachoeira das Pedras Gêmeas. A má notícia é que suas águas já são poluídas...
Numa das curvas, uma velha casa, quase em ruínas, também faz parte do roteiro turístico, embora sem comprovação histórica: a Princesa Isabel teria pernoitado no imóvel algumas vezes a caminho de Petrópolis. Hoje, a casa é ocupada pela quarta geração de uma mesma família.
- Todos aqui na região se referem ao imóvel como a "casa da princesa" - conta, orgulhoso, Antônio Salomão, um membro dessa família.
Entusiasta da Estrada Velha da Estrela, o condutor de turismo Amauri Antonio de Menezes organiza grupos de caminhadas pelo trajeto, com paradas na antiga vila operária, nas curvas que revelam belas paisagens e nas ruínas da fábrica de tecidos:
- Toda esta região merece atenção especial por seu valor histórico. A recuperação da estrada e da ferrovia alavancaria o turismo, sem dúvidas.
O Globo/AC

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Antonio Pastori
Presidente  da AFPF - Assoc. Fluminense de Preservação Ferroviáriaafpf.rj@gmail.com
+55 (21) 9911 - 8365




O viaduto da grota funda da EF Principe do Grão Pará mem quatro momentos, 1885, 1940~60, 1982, e 2008.

Eles estão chegando



12/09/2011

Usiminas Mecânica desenvolve vagões GDU para MRS


Desenho de um vagão do tipo GDU, que será produzido para a MRS Logística.

A Usiminas Mecânica, empresa de bens de capital da Usiminas, fornecerá 10 vagões protótipos para testes de homologação para a MRS Logística. Utilizados para transporte de minério, esses vagões gôndola, do tipo GDU, ampliam em 18 toneladas a capacidade de carga se comparados aos modelos já utilizados, GDT, que transportam até 111 toneladas. O aumento de capacidade de carga está alinhado a um projeto de otimização logística para o transporte de minério de ferro.

O vagão foi desenvolvido após uma extensa coleta de dados das características operacionais de carregamento, movimentação e descarga da MRS. O diferencial do projeto é que os vagões terão as mesmas dimensões (altura, largura e comprimento) dos vagões GDT, mas com volume de carga superior devido à adoção de estrado especial rebaixado. Essa característica permitirá a operação conjunta de vagões GDU e GDT na mesma composição, sem a necessidade de ajustes nos viradores de vagões.

Em atendimento à solicitação da MRS, os vagões serão fornecidos em duas configurações de freio, sendo uma dual, com uma válvula de comando para cada dois vagões, e outra trial, com uma válvula de comando para cada três vagões. As configurações foram desenvolvidas com o objetivo de reduzir o tempo de carregamento de ar no sistema de freio.

Todos os vagões já serão equipados com truques S2F 7” x 12” fabricados na Fundição da Usiminas Mecânica. Durante o desenvolvimento do projeto, várias simulações dinâmicas foram conduzidas para garantir que o desempenho dos truques esteja de acordo com as necessidades operacionais da MRS.

sábado, 10 de setembro de 2011

Estado sumiu com 93% da verba de manutenção dos bondes



A quanto tempo estamos falando para ninguém ouvir? Quantas mortes a mais serão necessária até que se resolva parar de lucrar com a venda de bens do povo e se cuide não apenas dos bondes mas do transporte público do estado do Rio de Janeiro.



Por Fábio Vasconcellos, Natanael Damasceno e Rafael Galdo, no Globo:

O arame que substituía um parafuso no bondinho que descarrilou no sábado, em
Santa Teresa, matando cinco pessoas e ferindo outras 57, pode ser apenas a
ponta de um problema muito maior: a falta de recursos para a manutenção
adequada dos trens. Um levantamento feito no Sistema de Acompanhamento
Financeiro do Estado (Siafem) mostra que o governo empenhou (reservou para
pagamento), em 2007 e 2008, apenas 7% do previsto no programa de
“revitalização, modernização e integração de bondes”, que consta do
orçamento da Companhia de Engenharia de Transportes e Logística (Central),
responsável pelo transporte. Esse programa não aparece na execução
orçamentária do órgão em 2009 e 2010. Na soma dos quatro anos, o governo
também reduziu em 14% os recursos destinados à “manutenção das atividades
operacionais e administrativas” da Central.

Com relação aos investimentos, a Central tinha uma programação de R$ 620
milhões para o período 2007-2010, mas só empenhou 34% desse montante (R$ 214
milhões). Esses recursos fazem parte do orçamento total da Central, que, até
o início deste ano, administrava também a ligação Guapimirim-Saracuruna, que
foi repassada para a Supervia.

Questionada, a Secretaria estadual de Transportes, órgão ao qual a Central é
vinculada, apresentou outros dados. Informou que desde 2007 foram destinados
R$ 14 milhões para a compra de equipamentos para os bondes e este ano foram
repassados R$ 350 mil para a manutenção e assistência técnica preventiva. O
órgão não explicou, no entanto, quanto aplicou em manutenção entre 2007 e
2010, período analisado pelo GLOBO. A secretaria acrescentou também que o
bonde envolvido no acidente estava com a manutenção em dia.

Os últimos reparos foram feitos na quinta-feira passada. “Todas as sapatas
do freio foram trocadas no mês de agosto”, diz a nota da secretaria. Já o
governador Sérgio Cabral, que está no Espírito Santo, não quis comentar o
acidente com o bondinho.

Segundo os dados do Siafem, o estado pretendia aplicar R$ 1,8 milhão com a
revitalização e modernização em 2007 e 2008, mas só empenhou (reservou para
pagar) R$ 133 mil. Nos anos seguintes, não há registros desse programa no
orçamento da Central. Outros dados mostram que a companhia não conseguiu
realizar todo o seu planejamento. De 2007 a 2010, a Central previu
desembolsar R$ 31,6 milhões com a manutenção de suas atividades operacionais
mas reduziu o orçamento para R$ 27 milhões - ou seja, uma queda de R$ 4,4
milhões (14%).

Na Central, os engenheiros sabem que os recursos para a manutenção dos
bondinhos não seguem uma programação orçamentária adequada. Engenheiro da
companhia e membro da direção do Sindicato dos Engenheiro do Rio (Senge-RJ),
Jorge Saraiva da Rocha afirmou que os repasses para a manutenção ” às vezes
sequer são utilizados para esta finalidade”. Rocha acrescentou que o serviço
de reparos é “totalmente inadequado”.

“Há poucos recursos para a manutenção e, muitas vezes, o dinheiro previsto
no orçamento não chega para ser aplicado em manutenção. O trabalho de
manutenção dos bondinhos é totalmente inadequado. Não existe uma programação”

No ano passado, o Senge-RJ elaborou um estudo sobre os investimentos que
seriam necessários para recuperar o sistema de trilhos sob a responsabilidade da Central.

O estudo foi entregue ao governo mas, segundoSaraiva, nunca houve resposta.

O estudo previa o investimento de R$ 11,3 milhões nos sistema de bondes de Santa Teresa.

Para o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), que fez o
levantamento no Siafem a pedido do GLOBO, os números indicam que o governo
deixou de priorizar a manutenção dos bondes: “Somente após o trágico
acidente ocorrido é que o governo veio a público dizer que vai dar
prioridade à modernização dos bondinhos”.

O valor destinado à compra de equipamentos (R$ 14 milhões) informado pela
Secretaria de Transportes é semelhante ao que consta no contrato firmado
entre o governo e a empresa TTrans - Sistemas de Transportes S/A para a
modernização dos bondes de Santa Teresa. Analisado pelo Tribunal de Contas
do Estado (TCE), o contrato e cinco termos aditivos relativos à ele foram
considerados ilegais devido à incompatibilidade dos valores que deveriam
compor todo o serviço. O TCE informou que outros cinco termos aditivos
relativos ao mesmo contrato estão sob análise.

A Secretaria de Transportes alega que a decisão do TCE é um dos fatores que
atrasaram a modernização, uma vez que ela impede o repasse de recursos para
a empresa. Mas afirma que ela deve cair nas próximas semanas. Para o governo
o TCE considerou o contrato ilegal diante da dificuldade de se fazer uma
tomada de preços do material utilizado na modernização dos bondes, que,
segundo a secretaria, é feito sob medida. Mesmo assim, o órgão afirma que
cumprirá as exigências do tribunal ainda este mês.

O Sindicato dos Ferroviários criará uma comissão para acompanhar as perícias do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e do Crea-RJ, que vão apontar as causas do acidente com o bonde em Santa Teresa, na tarde do último sábado, que deixou cinco mortos . Em assembleia realizada nesta segunda-feira, eles apontaram uma série de problemas na operação dos bondes que, segundo os sindicalistas, tem uma média de dois mil passageiros por dia, chegando até quatro mil no período de férias. O sindicato vai pedir ainda a vistoria no sistema de frenagem








quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Trem dá Música

Lembro que em 1955 tínhamos 37 mil km de linhas efetivamente operacionais (3 X mais que hoje). Dos 2.399 municípios brasileiros aquela época, 974 (40%) eram servidos por trens por meio de 3.253 estações + 1.006 pontos de parada + 239 postos de telégrafo, e outros, totalizando 4.664 pontos de paradas de trens. Por sorte alguns ainda estão operacionais ou em uso público (Rodoviária, Posto de Saúde, Centro Cultura etc.). Outros, porém, estão fechados, invadidos ou semidestruídos (vejam algumas fotos anexadas) sem que nenhuma aRtoridade se preocupasse em dar um uso social a um bem público com ficha impecável de relevantes serviços prestados ao País. 

Para chamar atenção a essa questão, a AFPF em conjunto com o MPF e o instituto UNIARTE, estarão promovendo uma série de concertos em antigas estações ferroviárias. Veja detalhes do projeto "Trem dá Música" em: 

Agradecemos a divulgação

Antonio Pastori
Presidente  da AFPF - Assoc. Fluminense de Preservação Ferroviária
afpf.rj@gmail.com
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Acima três exemplos de estaçãoes deixadas em ruínas pela RFFSA e FCA, Chiador, Diocleciano Vasconcelos e Porto Novo do Cunha

O bondinho do Rio, o bravo motorneiro, o governador poltrão e o secretário vigarista


Não sou fã de ler Veja , a revista é paa lá de tendenciosa, mas é indispensável  a leitura abaixo

 Augusto Nunes

Se obedecesse ao código de conduta que rege a vida real de Sérgio Cabral Filho, o motorneiro Nelson Correa da Silva nem apareceria no emprego na manhã de 27 de agosto. Como vive fazendo o governador do Rio de Janeiro, Nelson poderia ter cabulado o trabalho com uma desculpa qualquer, para desfrutar do dia de folga na casa de algum amigo que lhe garantisse comida, pouso e companhias agradáveis. Em vez disso, foi fazer em seu último sábado o que fez durante 35 dos 57 anos de vida: conduzir um dos bondinhos que desde o fim do século 19 sobem e descem as ladeiras de Santa Tereza, no coração da cidade.
Se tivesse um caráter em frangalhos como Júlio Lopes, Nelson teria sido o primeiro a cair fora quando o mecanismo do freio entrou em colapso. O comportamento do secretário de Transportes retrata uma figura capaz de escapulir do navio na iminência do naufrágio antes que os ratos do porão desconfiem do perigo. O motorneiro morreu tentando diminuir as proporções do desastre, pedindo aos gritos que os passageiros saltassem para a salvação. Se estivesse entre eles, Júlio Lopes não hesitaria em atropelar bebês de colo, idosos entrevados ou mulheres grávidas para prolongar a boa vida. Como o capitão Edward J. Smith, Nelson permaneceu em seu posto até o fim. O bondinho n° 10 era o seu Titanic.
Se não fosse desprovido da generosidade esbanjada pelo motorneiro ─ um dos cinco mortos no acidente que provocou ferimentos, fraturas e lesões graves em outros 57 passageiros ─, Júlio Lopes teria encaminhado um pedido de perdão às vítimas assim que soube da tragédia. Foi ele quem impôs a penúria crônica ao transporte sobre trilhos de Santa Tereza. Foi ele quem fechou a torneira de verbas para serviços de manutenção. Em vez de pedir demissão imediatamente, o secretário tentou culpar pelo desastre o motorneiro conhecido pela prudência. (Num vídeo gravado em fevereiro por um cinegrafista amador, Nelson aparece jogando areia nos trilhos, para aumentar o atrito com as rodas e encurtar o tempo da freada.)
Se não fosse desprovido da bravura esbanjada pelo condutor, já no sábado Cabral teria demitido Júlio Lopes por inépcia e comparecido ao enterro de Nelson. Em vez disso, entregou o caso à assessoria de imprensa e perdeu a voz por quatro dias. Se soubesse o que é compaixão, teria recriminado publicamente o secretário que, ao culpar o morto, merecia ser punido por tentativa de assassinato moral. Em vez disso, endossou a discurseira malandra de Júlio Lopes: infelizmente, recitou a dupla, há muitas prioridades a atender.
No ranking das urgências administrativas, os bondinhos de Santa Tereza aparecem alguns anos-luz distantes de monumentos ao desperdício como a reforma do Maracanã, que já promete engolir mais de R$ 1 bilhão. Estão centenas de posições abaixo dos contratos sem licitação forjados para tirar do papel as “obras de mobilidade urbana” requeridas pela Copa da Roubalheira e pela Olimpíada da Ladroagem. Vêm muito depois do metrô da Barra que a turma prometeu para Pan de 2007. Os bondinhos são bem menos prioritários que o teleférico do morro do Alemão, escala obrigatória nas visitas de Dilma Rousseff ao Rio de Janeiro.
Neste fim de semana, a missa de 7° dia reuniu dezenas de amigos de Nelson Correa da Silva. De novo, eles exigiram que o governador batize a estação do Largo da Carioca com o nome do motorneiro morto e demita Júlio Lopes. A primeira reivindicação talvez seja atendida. A segunda é mais complicada. O secretário sabe muita coisa. Conhece, por exemplo, os motivos que levam o governo estadual a torrar boladas multimilionárias nas obras encomendadas à construtora Delta, do amigo Fernando Cavendish, e negar aos bondinhos o pouco dinheiro que bastaria para livrar condutor e passageiros da insegurança e da morte.
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-valente-motorneiro-do-bondinho-um-governador-poltrao-e-seu-secretario-vigarista/